A letargia da cognosia não deveria prevalecer,
independentemente, que fosse o telúrico. Nenhuma família poderia emergir de uma
soledade reiterativa em todos os âmbitos cognitivos plausíveis!... Dessa
maneira, a família Cerveira Marques deixaria definitivamente a cidade de
Alcântara – MA. Nos meandros de 1960, Alcântara somente ostentava o vetusto
“Curso Primário”. Assim sendo, jamais galgaria uma formatura de ‘Nível
Superior’.
Wilson Cerveira Marques, que cursara todo
o Curso Primário, tendo por professora a senhora sua mãe – Nély Cerveira
Marques, a qual era Diretora Inácio Raposo, acumulando todas as funções
diversificadas.
Queria que seu filho fizesse o ‘Exame de
Admissão’ no tradicional Colégio Maristas. A Língua Portuguesa e a Matemática
eram as disciplinas favoritas; pois, vinham em primeiríssimo lugar. As outras
disciplinas viriam em sequência: História e Geografia (conhecimentos gerais).
De primeiríssima vez, havia a
independência das notas com relação as matérias. Isto significava um martírio
maior para o candidato. Em consequência, proveio uma amenização no que concerne
a introdução da média aritmética. Uma nota mais baixa poderia ser compensada
por um valor mais alto em outra matéria. Desse modo, o concorrente sentir-se-ia
volitivamente.
Chegamos a São Luís do Maranhão precisamente
no dia 30 de novembro de 1966! A casa onde passamos o ginásio e o cientifico
era pequena, já que o outro lado era ocupado por uma família que pagava um
exíguo aluguel, atrasando noventa dias!...
Por curiosidade minha, fui, pouco a pouco,
buscando os aspectos da natureza que ficavam na perlustração!... Assim sendo,
no fundo da casa nos deparamos com a parte terminal do “Cemitério do Gavião”,
com inúmeros ciprestes ao redor das numerosas sepulturas reconditadas entre os
sepulcros vetustos.
Nas janelas da frente, desfrutamos o mar
de águas tranquilas, fazendo com que ela sumisse cabalmente no horizonte. Essas
impressões funérias penetravam lentamente no meu íntimo, deixando-me
inteiramente sorumbático!...
O exame de admissão jamais poderia ser
protraído. Sabemos que o psicológico de todos os discentes que vieram dos
demais interiores da Cidade de São Luís do Maranhão. O calendário do exame de
admissão do Colégio Maranhense dos Irmãos Maristas era inexorável em todos os
aspectos plausíveis.
A disciplina compreendia a ‘Língua
Portuguesa’, completa de verbos em seu presente, pretérito e futuro. Havia uma
questão da seguinte maneira: diferenciar e classificar as seguintes palavras:
mau, mal, mas etc...
Desse modo, surgem vocábulos excêntricos,
para mostrar o gabarito de aprendizagem. Davam-nos a impressão heteróclita ou
bizarra de todas as aprendizagens sorvidas durante as cinco rígidas disciplinas
do Antigo Primário. Sim, era um exame vestibular em miniatura!
Era imprescindível arquivar mentalmente:
Português, Matemática, Geografia e História... Os exames das diferentes
disciplinas que constituíam o famoso ‘Exame de Admissão’, foram realizados
respectivamente nos dias 1,3 e 5 de dezembro de 1966.
Com relação ao prazo de correção das
provas, tínhamos que esperar no mínimo o decurso de um mês. Logicamente, o
resultado dos aprovados sairia na primeira semana de janeiro de 1967.
Meu pai – Walter Ricardo Guimarães Marques
– acompanhou-me até a antiga Livraria JC, a fim de comprar alguns livros de
literatura da autoria do Coelho Neto. Mesmo assim, a melancolia infiltrava-me
em todo o meu corpo que adentrava na faixa etária dos treze anos.
A casa seria satisfatória para a moradia,
se tivéssemos de ocupar ambos os lados. Outrossim, o lado antagônico do vetusto
imóvel, era ocupado por duas senhoras idosas, sendo uma mais provecta do que a
outra.
Destarte, ficávamos contidos em espaços
pequenos e estreitos!... Desde pequeno, sofria a estreiteza dos parcos espaços
físicos... Mentalmente, de modo hermético, a soledade tomava conta em todos as
dimensões do meu ego torturado de percuciente melancolia prematura e
amargurante, abrangendo todo o meu psicossomático. Dessa maneira, a puerilidade
estava sendo mutilada em diversos pontos...
O lado da casa onde nos alojamos era
desagradável. O calor insuportável não admitia que vestíssemos camisa, uma vez
que a sintomatologia de uma fortíssima virose poderia nos proporcionar um
transtorno incalculável no organismo.
Dormia na cama de lona quente,
verossimilhante a tantas outras utilizadas no quartel pelos soldados
responsáveis pela guarda noturna!
As portas e janelas da casa não ofereciam
nenhuma segurança. Muito mais tarde, houve a extrema necessidade da colocação
de grades de ferro em todas as janelas e portas. Era somente para dizer; pois,
o material era de péssima qualidade...
Também não poderíamos abrir as janelas,
visto que, sem hesitação, as pessoas que passavam lateralmente olhavam a
casinha por inteiro.
A rua que passava pela frente da casa, com
certeza, aparatava uma ladeira íngreme – de ponta a ponta. Tínhamos que
ascender segurando os joelhos para não cair em sentido inverso, redundando no
fatídico. As pessoas senescentes, as quais tinham desgaste acentuado das
cartilagens de ambos os joelhos, preferiam subir esse lídimo precipício
acompanhadas de uma bengala de três pontas.
Pelo fundo da casa não havia nenhuma
saída, já que as casas eram múltiplas com muros variados quanto ao tamanho de
cada um.
Os ciprestes gigantescos não deixavam
reconditar o antigo “Cemitério do Gavião”. Com que melancolia, posicionava-me
na postremeira janelinha do fundo da casa. As lágrimas rolavam pela minha face.
Desde então, passei a aparatar distúrbios do sistema nervoso. Levaram-me ao
psiquiatra desde a faixa etária dos quatorze anos. Prescreveu-me alguns
medicamentos...
Eis então, sem perplexidade, os motivos
basilares da adaptação do meu organismo aos diferentes medicamentos. É preciso
citar hodiernamente, visto que estou me apropinquando a casa dos 72 anos!
Prossigo a dizer que uma só banda da nossa
casa dava para morar uma única pessoa, portando poucos objetos, tais como:
livros e roupas de diversas utilidades.
Dessa forma sofredora, vou atravessando os
dias e as noites. Que primeira série ginasial repleta de problemas nunca dantes
vista. Eu, Wilson Cerveira Marques, estava acompanhado de meus pais: Walter
Ricardo Guimarães Marques e Nély Cerveira Marques.
Ele, no caso protótipo era
Coletor/Extrator Federal. Ela, com nobreza, exercia a função de Professora
Normalista dos anos cinquenta. De fato, com a sua competência, tomava conta do
Colégio Inácio Raposo, onde também exerceu o cargo de Diretora Geral.
Em Alcântara – MA, uma única professora
lecionava todas as disciplinas. Ao passo que, no tradicional Colégio Maranhense
dos Irmãos Maristas, cada docente ficava responsável por uma matéria
No primeiro semestre, tive muita
dificuldade em Francês. Todas as minhas notas ficaram abaixo de cinco, sendo,
então, assinaladas com caneta de tinta vermelha.
Tanto assim, que fiquei de castigo o mês
de julho inteiro, fazendo leituras e cópias das diversificadas lições do idioma
neolatino cognominado ‘Francês’...
São Luís, 19 de julho de 2025
Wilson Cerveira
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