sábado, 8 de novembro de 2025

IDA AO FUTEBOL


     Estava, ainda, em Alcântara – MA, quando comecei a frequentar os diferentes campos de futebol: espaços improvisados por alguns alcantarenses que expressavam lídima tara pela bola. Esses adolescentes cuidavam desses trechos cheios de um matagal enraizado. Somente, um facão amolado responderia por essa limpeza.

     Após, uma turma buscava pedras planificadas, colocando uma sobre a outra em linha lateral, para que os torcedores de ambas as equipes tivessem a falsa impressão que estavam sentados dissimuladamente em arquibancadas falaciosas!...

     Os assistentes mais rebuscados preferiam ficar em pé, para que não sujassem o fundo de suas calças naquele amontoado de pedras que simulavam uma arquibancada.

     Esses futebolistas do interior andavam léguas e mais léguas à procura de um espaço de gramado correspondente a um legitimo campo de futebol!

     Finalmente, esses jogadores encontraram essa metragem. Paradoxalmente, as pedrinhas se dispersavam de ponta a ponta, ferindo os pés sensíveis de alguns jogadores, no átimo em que chutassem a bola de uma área a outra do campo futebolístico improvisado...

     O campo de futebol da sorumbática cidade de Alcântara aparatava o terreno com altos e baixos, com capim crescido, sem nenhum lugar para sentar!

     Quem quisesse assistir a um jogo de futebol, em quaisquer circunstâncias, tinha que permanecer em pé – numa posição vertical de doer as pernas e coxas. Os que tinham mais de quarenta anos não podiam frequentar este imprestável campo pebolístico!...

      No dia trinta de novembro de mil novecentos e sessenta e seis, felizmente, chegamos a São Luís do Maranhão. Inicialmente, faríamos o “Exame de Admissão ao Ginásio”. Posteriormente, conheceríamos os estádios futebolísticos: Santa Isabel e Nhozinho Santos, a fim de fazermos uma analogia com o prisco alcantarense.

     Primeiramente, ficamos deslumbrados com o maravilhoso e monumental prédio do Colégio dos Irmãos Maristas, cognominado ‘Colégio Maranhense’. Outrossim, na semana seguinte, nos encaminhamos aos estádios futebolísticos. De modo protótipo, dirigimo-nos ao Santa Isabel. Em seguida, fomos ao Municipal, que tinha o cognome – Nhozinho Santos.

     O Estádio Nhozinho Santos, no primeiro semestre de 1968, passou por uma exponencial reforma. O mencionado, anteriormente citado, ficou pronto em agosto, abrindo para jogos intermunicipais e interestaduais.

     A Federação Maranhense entrou em contato com o Santos – de Pelé e com o Corinthians de Rivelino. Inicialmente, o Santos aceitou a proposta para jogar em São Luís – MA, contra a Seleção Maranhense. Em seguida, viria o Corinthians...

     Fiquei entusiasmado com a notícia propalada pelas rádios e jornais da época. Mas, o senhor meu pai precatou o seguinte: “Wilson, nessa tua idade de quatorze anos, a ansiedade não aparata limites”.

     A cidade de São Luís do Maranhão somente comentava este assunto futebolístico. Nada mais – nada menos – era o estereótipo falado e escrito, nesse tempo, do maior jogador do mundo ao lado de Garrincha, que era o sensacional “Pelé”.

     Nessa época, o Santos Futebol Clube ostentava a melhor linha de ataque do orbe! A respeito da defesa e o do meio de campo, ambos aparatavam nota oito, nivelando-se a tantos outros clubes nacionais e internacionais.

     A linha de frente do clube santista era arrasadora. O protótipo gol não demorava muito. Assim sendo, os subsequentes ocorriam no transcorrer dos noventa minutos de peleja ritmada com toda elegância possível e impossível!

     Reiterando o onirismo fatídico que ele tivera na véspera do jogo: Santos x Seleção Maranhense. Com a correria de muitos torcedores, o alambrado que fora construído, com a finalidade de aumentar a capacidade de público, veio abaixo, causando ferimentos graves em muitos torcedores...

     Walter Ricardo retorceu-se na cadeira de embalo, e disse: ‘o meu vaticínio sucedera em gênero, número e grau. Igualmente, jamais desobedeça o seu pai’. Também, grave o seguinte: Corinthians x Seleção Maranhense. Desta feita, os torcedores, de ambos os times, estarão mais calmos.

     Outrossim, não iremos para as cadeiras, e sim, para as arquibancadas cujos preços são mais acessíveis. De fato, de modo reiterativo, a peleja foi calma. Apreciei o time corinthiano. Flávio, que era o centroavante, foi responsável pelo dois gols.

     A bola bateu no chão; isto é, na relva e na trave superior, enganando por completo o goleiro Britão, indo alinhar-se no ângulo superior da rede de malhas! O jogador Flávio, somente sabia fazer gols dessa maneira...

     De certo, ele foi fazendo esse tipo de jogada ao longo de sua carreira futebolística. Com certeza o time ressentia-se da falta dele – em caso de contusão. Certamente, não havia substituto, caso ele não pudesse jogar.

     Na década de 1980, logo no limiar das protótipas construções, o irmão do então governador João Castelo, que era engenheiro, sugeriu-lhe a construção de um novo estádio de futebol. No encetar das primeiras conversas, pensara, de modo presunçoso, sempre guardando o silencio da confissão, que este estádio chamar-se-ia ‘João Rodolfo’...

     Pelo contrário, não gastaria a mínima importância. Logo, logo, receberia mais do que os engenheiros, uma vez que, sem hesitação, era o irmão legitimo do governador João Castelo. Sendo assim, começou a receber três vezes mais do que seus ex-colegas do Curso de Engenharia da década de 1980!

     Os maranhenses, em maioria, ficaram álacres, pois com as medidas estabelecidas pela Confederação Brasileira de Desporto, as seleções futebolísticas do mundo inteiro viriam até aqui, já que as dimensões e demais aparatos estariam em consonância indiscutível com as regras estabelecidas para os outros estádios.

     As dimensões, os comprimentos e demais aparatos estavam batendo integralmente em todos os quadrantes do orbe, sem fugir as exceções preconizadas para todos os demais!

     Antes que prossigamos quanto ao grau de evolução dos estádios, a partir da grama a ser implantada até os mais rebuscados ou requintados vestiários, portando chuveiros elétricos eximidos de quaisquer tipos de choque elétrico; assim como massageador de protótipa grandeza, para evitar câimbras e outros transtornos inevitáveis!

     Os mestres das canoas a vela, que necessitam das rajadas de vento – seus lídimos motores, e que às vezes, chegam a ser mais velozes que os artefatos alojados em diversos pontos das carcaças dos diferentes de embarcação – da menor até chegar ao maior modelo...

     Quando inaugurou o Estádio Castelão, sem perplexidade, era bastante amadurecido. Não fazia mais questão de deslocar-me na abertura protótipa. De antemão sabia que a dimensão do inusitado campo futebolístico correspondia a “cinco Nhozinho Santos”.

     Caso retrocedêssemos ao vetusto ‘Santa Isabel’, teríamos quinze campos pebolísticos conectados longitudinal e verticalmente, abrangendo todos os demais cômodos.

     O engenheiro João Rodolfo, que era irmão do governador João Castelo, pensou em sugerir a seu irmão o próprio nome, visando enfatizar, realçar e reforçar o título superior que ostentava no interregno de duas décadas. Outrossim, esse engenheiro era arraigado aos cálculos que perpetrava.

     Não admitia outras demonstrações matemáticas, conquanto os resultados fossem os mesmos. É de bom alvitre ressumbrar que ambos eram portadores das mesmas assertivas. No entanto, o acadêmico de engenharia e o seu professor de cálculos integrais não abriam mão de suas análises matemáticas!

     Regressemos as primícias do Futebol Profissional. Não olvidemos o Estádio Santa Isabel, um dos mais antigos da cidade de São Luís – MA. Havia outros campinhos nos arrebaldes da fulana ‘Ilha Bela’. O pessoal, fanático por futebol exaltava o pequeno Estádio Santa Isabel, que se localizava no término da Rua Grande, perto do Canto da Fabril.

     As arquibancadas eram de tamanho diminuto. As pessoas sentavam-se com coxas e pernas coladas, com a finalidade de comportar os filhos de uma pequena família. Outrossim, as bolas chutadas com alguma força ultrapassavam o muro!...

     Então, os moleques da redondeza apossavam-se dessas pelotas, indo guarda-las em casa, com o objetivo de estreiar nos campinhos que eles próprios confeccionavam durante a semana corrente.

     O pessoal que frequentava o Estádio Santa Isabel, certamente, a maioria, quase sem exceção, deve estar estudando a geologia dos campos santos...

     Se houvesse o milagre proporcionado pela Santíssima Trindade: Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo. Somente os que fossem salvos, veriam a grandeza construída pelos novos tempos!

     O Santa Isabel passaria a ser cognominado de ‘Campinho’, apenas para jogos de pelada! Assim sendo, teríamos uma antevisão falsificada. Os mais sagazes fariam críticas acerbadas. Então, para o hesterno remanesceriam a polira hodierna, a qual se depositaria no crástino inviolável, intransgredível em todos os quadrantes.

     Que o generoso Deus proteja para sempre a nossa ‘Ida ao Futebol’. Assim sendo, Gratidão à Santíssima Trindade!...

 

São Luís, MA, 02 de outubro de 2025

Wilson Cerveira

 

 

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