O ambiente determina o relacionamento
saudável entre os donos e o bichano. Exemplifica-se a alimentação de
primeiríssima qualidade, ativando desse modo as papilas gustativas. Então, o
ato da degustação era, indubitavelmente, um atrativo a mais fortalecendo os
laços afetivos entre ambos: racionais e irracionais!...
A gata denominada ‘Chane’ fora criada
desde o nascimento até a senescência celular, isto é, o tempo todo: no interior
da residência que a testemunhou.
Chane não soube os perigos existentes nas
ruas e ruelas que circundavam a casa de seus legítimos donos. Assim sendo,
apegou-se firmemente às pessoas, em número bem reduzido, que conviviam em sua
companhia diuturnamente.
Na provectude, com certeza, iniciante aos
doze anos, fora ressumbrando um comportamento degenerativo. Não conseguiu se
conter em face a árvore de natal. As bolas coloridas, ostentando diversos
tamanhos, iam sendo, pouco a pouco, retiradas através dos saltos da gata
Chane...
Postremeiramente, desarmava a árvore de
natal, por inteiro, dispersando, de quando em quando, as rutilantes bolas,
desde as pequenas até as maiores pelos numerosos recintos da casa ancestral,
remanescendo apenas o esqueleto principal!
As glândulas mamárias de Chane foram,
pouco a pouco, recrudescendo. Depois, decerto, a bichane sentia dor
excruciante, pungente, lancinante...
O carcinoma, prova maior da neoplasia
mamária, ia se alastrando pelo corpo inteiro da gata, revelando várias
metástases no interior e exterior de diversos órgãos vitais.
As condições patológicas agravaram-se dia
a dia. Desse modo, levamo-la ao hospital veterinário. Lá chegando,
examinaram-na por completo. Em seguida, fizeram-lhe incisões nos pontos mais
nevrálgicos.
Fizeram com que ela usasse um colar cervical,
evitando o posicionamento da língua no local do exsutado. Porém, ela ia batendo
com as laterais do objeto nas pernas das cadeiras, com o propósito de
retirá-lo. Em seguida, fora substituído por uma roupa leve, a qual cobria o
dorso e o ventre da formosa e jocosa gatinha!...
Chane, Postremeiramente, vivia a miar
somente de dor. Os tumores malignos iam se proliferando pelo corpo inteiro do
animalzinho. Não conseguia se desprender do encosto da parede que fora colocado
num canto reservado da cozinha.
As dorsalgias recrudesciam com o tempo
assinalado no calendário do refeitório. Somente os exames, somatorialmente,
diziam do sofrimento da triste gatinha, muito querida por todos nós!...
Os órgãos da bichane estavam sendo tomados
externa e internamente por carcinomas que se alastravam da cabeça até as patas.
Outrossim, os sistemas orgânicos patológicos ressumbravam o horrendo
combalimento da Chane. A pele da gatinha, altamente franzida, ia indicando a
sua depauperação bastante acentuada.
Igualmente, a pele solta ao longo do corpo
da graciosa gatinha; juntamente com os ossos visíveis, davam para reunir num
único binômio ressumbrador do peso esquelético da bichane!
Assim sendo, os miados dolorosos do
animalzinho tomavam todos os espaços reservados na atmosfera do respirar
ofegante da traquina Chane. Com certeza, sem perplexidade aparente, a chaninha
denotava uma debilitação agravante em toda a síndrome ressumbrada por meio de
numerosos sinais e sintomas.
Se bem que tivesse nascido em casa, não
estava aguentando as acrimônias e as agruras causadas pelos carcinomas que
tomavam conta de todas as suas glândulas mamárias, sem exceção.
Sendo assim, era deplorável em todos os
sentidos assistir o desfalecimento da chaninha, que fora no hesterno a
alacridade da casa. A inquietação do triste animalzinho comovia-nos bastante.
Dessa maneira, ela se deslocava de compartimento a compartimento, no sentido de
conseguir, de forma ou de outra, buscar mitigação ou lenimento para as dores
excruciantes, lancinantes ou pungentes...
Uma vez que, no presente comenos, somente
havia uma alternativa possivelmente viável, que era a sua internação numa
Clínica Veterinária, a qual aparatasse competência, capacidade quanto ao
atendimento, e que não fosse onerosa com relação a diária.
Após algumas perquirições emergentes, a
minha filha Gláucya, sem pestanejar muito, internou-a na mais gabaritada, e
cujo preço não parecia ser extorquidor.
O veterinário clínico examinou-a
pormenorizadamente. Eu, na qualidade de biólogo, levei no bolso inferior da
camisa, sem pestanejar, minha lupa de laboratório. Ao apresentar-lhe o objeto,
o clínico veterinário agradeceu-me de modo cerimonioso a lembrança irrefutável
em gênero, número e grau.
Encarecidamente, pediu-me que olhasse com
ele. Realmente, estávamos a presenciar inúmeros carcinomas que tomavam conta do
corpo inteiro da gatinha – da cabeça aos pés.
O veterinário cumprimentou-se perante
minha inventiva; pois, entendíamos tanto da saúde do irracional quanto da
referente ao racional. Ambos, então, congratulavam-se alacremente com relação a
ostentação de natureza cognitiva.
A chaninha miava alto e aflitivamente,
diante do quadro doloroso que a atormentava vinte quatro horas, tirando-lhe o
sono, seu bem mais precioso. De fato, estávamos vivendo em estado taciturno
impressionante!... Solicitávamos a presença constante da Santíssima Trindade:
Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo...
De forma ou de outra, tivemos que mudar de
clínica. Nessa anterior não havia veterinário cirurgião. Assim sendo, por mais
que gostássemos do tratamento que fora dispensado, a cirurgia não poderia ser
perpetrada nessa clínica, uma vez que não havia recursos tecnológicos adequados
para o portentoso ato cirúrgico.
Fomos eu e minha filha Gláucya até a Clínica
Operatória. Gostaríamos de saber quanto custaria o ato cirúrgico, conquanto
havia a probabilidade de exérese de todas as glândulas mamárias.
A potente lupa ressumbrava uma cabal
extirpação. De fato, isso acontecera. Após este procedimento, verificou-se a
metástase para os demais órgãos da chaninha.
Os demais sistemas foram tomados
abruptamente, deixando-nos totalmente desolados. Agora, neste interim, não
havia mais recorrência. Então, a embolia pulmonar foi arrasadora. Assim sendo,
os pulmões encheram-se de líquido patológico, fazendo com que ela respirasse de
modo ofegante!...
Era noite e por coincidência os sinos
dobravam de maneira merencória, deixando-nos com os olhos cheios de pranto
taciturno. De súbito o telefone tocou anunciando o perecimento da gatinha. De
repente, ficamos paralisados e muito tristes, sem sabermos como proceder
perante o fatídico.
Outrossim, perdemos aquela encanadora
chaninha de olhos azuis. A partir deste comenos, não teríamos mais o
animalzinho, o qual ornamentava a casa com as suas múltiplas traquinagens...
Não sei o que fazer diante da nostálgica
saudade que me comprime o peito. Somente sei que o descomunal vazio que ela me
deixou. Até o presente interim, não consigo reencontrar-me neste salão sombrio
e cabalmente taciturno nos três tempos: manhã, tarde e noite...
São Luís, MA,
18 de julho de 2026
Wilson
Cerveira Marques
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