Saibais que o som precedeu a imagem desde épocas remotas, aparatando a sua ação manifesta e eficiente a partir da vida intra-uterina. E, quando adentra ao arcabouço intrínseco do útero, já passou por várias filtragens acústicas, amainando o maior percentual de desabridez sonora produzida por estrugidos sobejos resistentes no ambiente estrínseco, extrapolando a capacidade auditiva quanto ao número de decibéis plausíveis com relação ao ouvido humano.
As diminutas fremências sonoras continuarão sendo captadas sutilmente pelo feto, aduzindo-o ao um tipo especial de resposta perceptiva, e, concomitantemente, interagindo com o organismo materno. Em princípio, o estado acústico se pronuncia de modo merencório, quase em surdina, expandindo-se milimetricamente, em seus díspares meios gradativos de propagação.
O ribombar do trovão sempre se propagou, não deixando de acontecer logo após a queda abrupta de um inopinado raio. Esta redundância se dá em função das bruscas diferenças de temperatura que ocorrem durante os tempos bochornais cujos testemunhos estão ínsitos, fazendo parte integrante das exarações atmosféricas.
De repente, sem muitos dilucidamentos, houve o assomamento da imagem com a presença do insinuante cinema mudo. Assim sendo o som foi relegado, temporariamente, ao plano secundário. Isto se deu em virtude de estar em voga um outro tipo de modalidade novidadeira, que era o dinamismo da imagem assônica. Assim, eclodiu lentamente uma inusitada platéia, na qual os assistentes preferiam a imagem ao som. Desde aquele interregno, pôde-se perceber o grau de emulidade existente entre o som do pretérito e a imagem preterida, que percorreria as três dimensões do tempo: o hesterno, o hodierno e o crástino.
Mediante vaticínios de especialistas no assunto, a imagem vai preponderar no póstero, podendo expugnar a expansibilidade do som, já que encetamos a viver, com determinada percuciência, o mundo esfíngico da imagem em ritmo de mutilações progressivas.
É de bom alvitre reiterar que o cinema mudo, no Brasil, data de 1922. E, sem maiores protraimentos, dimanou, à sorrelfa, e seleta platéia do porvindouros assistentes visuais. Desse modo, em cabal assonância, todos os indivíduos tinham por referencial a desacústica da imagem, acrescendo-lhe os caracteres ressumbradores da pantomima. Fato esse, quase inopinado, que geraria sub-repticiamente a depreensão do contexto estampado na tela do vetusto sistema cinematográfico.
A imagem desprovida de som e, sem quaisquer hesitatórios, requereria os seguintes adendos: máxima atenção no momento em que a imagem transitava obedecendo ao permeios do estático ao dinâmico; assim como o devido acompanhamento sistemático das sequencias formadoras do traços delineantes de cada personagem em tela; também, para melhores dilucidamentos, far-se-ão as deduções sucintas das intencionalidades ressumadas pela cenas arquitetadas com donaire; e, de igual modo, os desenhos simbolizados por caricaturas que iam, paulatinamente, substituindo as impressões de menor visibilidade; ao passo que as metas evolutivas relacionadas ao âmbito do cientificismo, decerto, não seriam cabíveis em estados prodrômicos de aprosexia e de abulia.
Deveras, nos primeiros decênios do século XX, a imagem estava na tela, tendo por regência o padrão binominal (em branco e preto). De fato, o ícone aflorou apresentando velocidade reduzida e aceleração controlada. A figura projetada ostentava a estereotipia da unidimensionalidade. Isto deu-se pelo fato da imagem ter pululado prototipamente, e, de modo estático, na obsoleta tela do provecto cinema mudo.
Na efeméride época do cinema afônico, indubitavelmente, todos preferiam a imagem ao som, de maneira reiterativa. O elucubratismo parecia anima-la através dos diversificados instrumentos atrelados às respectivas sensórias; por exemplo, os de sopro, de corda, de teclado, etc, mantendo-os em continuidade progressiva então, algo cabalístico estaria ocorrendo num âmbito da normoanormalidade, já que as precariedades aparatadas nas telas cinematográficas se faziam sentir de modo recrudescente.
Wilson Cerveira
Mais uma jóia da literatura brasileira produzida pelo nosso eminente vate Wilson Cerveira!
ResponderExcluirParabéns, caríssimo mestre!
Gracilene Pinto
Muito obrigado pelo comentário, minha querida poetisa -- Gracilene Pinto.
ExcluirNão me atrevo a fazer colocações ou comentários diante desta autoridade, no que tange a este aspecto, mutilar ou fazer de conta, voltar-se e cantar, deveras em principio de mostrar descontente com aparente carga do conhecimento conquistado. Este é o professor Wilson.
ResponderExcluirPaciência é virtude; conhecimento é busca.
Parabéns.
Por favor, identifique-se no próximo comentário!
ExcluirVai uma dica de filme mudo produzido nos dias atuais. Chama-se "O artista". Bela película que nos faz sonhar com tempos românticos de outrora.
ResponderExcluirUm grande abraço do amigo Carlos H. G. Medeiros
Querido amigo, minha filha já havia comentado sobre este filme. Infelizmente, não pude assistir ao espetáculo cinematográfico. Um cordial amplexo do amigo -- Wilson Cerveira.
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