sábado, 9 de junho de 2012

A DISSONÂNCIA DA IMAGEM ESTROPIADA -- PARTE II

     Calístene, o abstruso senhor de cabelos encanecidos, fez como prova de exação a tentativa de colocar, na antemanhã, a imagem lúrida ocupando uma estabelecida posição privilegiada, para que não sofresse estropiamentos advindos de fontes que ainda estavam passando por teste de fidedignidade.
     A mídia, em princípio, pode ser considerada como sendo o principal foco cerne para a formação da imagem, desde a lídima até a estropiada do tipo pinacular. Sobremaneira, o som promanava também, e a imagem ressudava seus caracteres sob os acordes das palavras ecoantes que constituíam o contexto. É permitido, nesse caso, a eclosão do sinal contido no criptograma, a fim de que se chegue ao escorço da peroração. De igual modo, o som midial seria capaz de gerar, a partir da imagem em tassalhos, uma outra que a substituísse por inteiro, numa ressumbração cabalmente especiosa.
     Deveras, os meios de comunicação têm o poder de construir e reconstruir a imagem esquálida, da melhor forma possível, elevando-a para o estado apoteótico do acendramento, ou, em circunstâncias infensas, denegrindo-a de tal modo, no sentido de aduzir ao estado de emaciação --- e até chegar ao píncaros do envilecimento progressivo. 
     O cinema, independentemente, partiu em direção ao acústico, fornecendo ao imaginético uma certa conotação nobilitante. Tanto assim, sem maiores hesitações, a ansiedade era ascendente no dia 08/07/1896. Nesse interregno, na Rua do Ouvidor, no Centro do Rio de Janeiro, os presentes ansiavam pelo encetamento da protótipa exibição pública do cinema no Brasil. Como novidade tecnológica, a sétima arte faria sucesso na "Belle Époque" carioca. Já no dia consecutivo, foram realizados os primeiros filmetes brasileiros. A partir de 1907, Rio de Janeiro e São Paulo contavam com mais de uma dezena de salas de exibição. De 1897 a 1930, foram produzidos cerca de 3.100 filmes. Nesse caso, de uma curiosidade apresentada por aventureiros, o cinema se impôs como espetáculo e negócio lucrativo.
     A propaganda, dependendo do binômio da fonte divulgadora, é capaz de metamorfosear o fraco, dando-lhe a especiosidade de forte. De fato, a sociedade em que vivemos é a do simulacro espetacular. Um simples cartão magnético pode fazer diferença com relação ao meio comercial circulante. Os propagandistas de anúncios populares sempre enfatizarão a praticidade imediatista quanto ao uso utilitário exacerbante dos cartões, mormente na hora das compras, de modo geral, sem que haja restrições a respeito da especificidade do objeto a ser adquirido. Então, basta uma nota contendo os elos basilares: poder e capital, estando visceralmente associados, para que transformem o modelo de estropiamento sofrido pela imagem pretérita, e, em seguida, a demude para um inusitado tipo crástino.
     Os meios publicitários e demais negócios sobrevivem à base de pregões jocosos, conquanto engabeladores, no intuito de promoverem a oferta e a demanda dos díspares produtos existentes nos mais excêntricos empórios. A comercialização tornou-se refocilada em todos os pormenores vigentes, emprestando uma determinada libração ao uso da balança comercial. Tudo que fora citado é a resultante da própria imagem prospectiva. Desse modo, estão presentes os letreiros, números, desenhos animados, marcas, patentes, secretárias eletrônicas, discagens cibernéticas, e tantos outros artifícios da tecnologia hodierna.
     Postremeiramente, ilou-se que a cognoscibilidade iconográfica tem por peremptorização o computo generalizado das impressões digitais, sobretudo no âmbito enigmático das cifras ressumbradoras!...
     A reptação da imagem proibida vai formando, de modo paulatino, um serial avassalador de ícones sobrepostos, em que as transliterações, pouco a pouco, personificam-se, restabelecendo as regiões mutiladas no decurso escarmentoso do trinômio: experimentação, vivência e sofrência, que é uma trilogia existente no fastígio ratificatório.


                                                                 Wilson Cerveira

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