sexta-feira, 22 de junho de 2012

A DISSONÂNCIA DA IMAGEM ESTROPIADA -- PARTE IV


     Eliodro apresentara imagens vaticinadoras da hesitante escola futurista, lobrigando-a como “Centro Educacional de Marginalização”. De fato, ele, a cada dia, estaria cada vez mais apreensivo, sem saber ao certo em quem devesse confiar, já que estava vivendo num mundo de profundas alienações, no qual as pessoas sofrem mutações irreversíveis,  em função de um comportamento estarrecedor e questionável sob todos os prismas plausíveis do esquadrinhamento humanístico.
     Caliandra, mulher de Eliodro, interpelava a hediondez, em tom invectivo, querendo percuciar as causas reiterativas, principalmente em se tratando do que existe de mais heteróclito nestes acrimoniosos dias desta estupefata hodiernidade, que é a contra-imagem do próprio homem, que, com a mesma boca, beija e escarra, concomitantemente.
     A imagem, impregnada de rejeição pode, em determinadas circunstâncias, apresentar ares salutares de reabilitação regreprogressiva regenerativa. Dessa maneira, a mesma imagem que causaria repugnância durante o protótipo trato da aparência visual, quiçá tivesse a verossimilhante probabilidade do reverso, ressurgindo da vacuidade frívola e deletéria, como se mostrasse a promanatura de um tudo generalizado, mas que é um imane vazio na geratriz dos espaços existentes no campo gravitacional, onde a velocidade e a aceleração tendem infinitamente para o ponto zero da origem.
     De que modo farei com que a imagem, mesmo em tassalhos, seja satisfatória diante dos olhos que buscam perlustrá-la? --- Quando a busquei, de modo imprevisto, a deploração tomava-lhe conta por inteiro, não remanescendo probabilidade regenerativa que a resgatasse perante aos escombros redundantes de numerosas efígies coligidas.
     A mixagem, nos dias hodiernos, está prestimando a desidentificação da fonoiconografia, recurso metamorfoseador do som e da imagem, rebuscando de igual maneira os desequacionamentos dos seriais deslibratórios ocorrentes simultaneamente.
     Eis então que a ascensão da imagem embuçalada dar-se-á em cabal fastígio, promanando a descomunal sanha irresistível quanto ao grau deflagratório.
     O contato com o ícone poderia exacerbar a sua ação, mormente se houvesse patogenicidade latente, localizada em suas raízes basilares proponentes. Dessa maneira, a imagem real aparatava tendências metamorfosear-se em irreal invertida, onde o foco capitular sofreria imiscuimento em ponto de inconvergência.
     Que imagens esdrúxulas são estas e de onde partem, ressumbrando estados vertiginosos?!... Após o cálculo da inclusão, revelam doutorados e pós-doutoramentos estatelados e carcomidos pelo inclemente tempo de plena inumação, constituindo o registro indelével da inexorável poerificação existencial reinante.
     Como é difícil recompô-las em seus mais divergentes prismas. Há algumas que ostentam bocas sem lábios, pois foram sorvidas através de épulas bacterianas. Ainda me compadeci diante da voz que retumbava epitáfios; assim como, dos cotovelos descarnados e regidos pelas tuberosidades ósseas à amostra de quaisquer êmulos telúricos degenerativos.
     Criptas, calabouços, enxovias, masmorras, ergástulos e tantos outros ardis se constituíam nas mais variegadas estratificações das camadas componentes do planeta --- Terra, principalmente em busca das nostálgicas lavraturas das inúmeras impelências palingenésicas.

Wilson Cerveira

Um comentário:

  1. Anônimo23/6/12

    Interessante a expressão "boca que escarra e beija ao mesmo tempo"

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