sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O SUJEITO IMAGÉTICO


   Laurinídio contracenava quando se propunha a ser o próprio sujeito absconditado por detrás da sua heteróclita imagem, tendo como demonstrativo o referido aparelho eletrônico; e, dessa forma, buscava acessos mirabolantes, decessos, omissões, panes, cincadas cabalísticas etc, para justificar as suas incúrias programadas, e, também, no sentido de não ter o prazer de reescrever os erros de sempre; e, de imediato, incorreria na imprecisão praticada pelo interlocutor.
    Nesse caso, o elemento poderia exprimir os seguintes impressionismos rompantes: atrabilharismo tartufo; bravateamento telepático; metamorfose fônica; desnudez catártica; polução quíntupla; eximição do átimo pertinente ao estádio deflagratório de torpedos etc.
    Após a produção da imagem, o corpo vai, pouco a pouco, se desprendendo das numerosas ligações flagelares que o prendem ao hermético sistema expiatório, e que podem ser geradas durante o interregno de vários atendimentos emergenciais.
    A imagem, senhores, -- segundo o Laurinídio --, pode servir de ponte escravizadora com relação ao sujeito que a gerou, caso ele utilize os recursos aflorados pela mais requintada tecnologia hodierna.
    O sujeito imagético simboliza a própria descomunicação, um paradoxo vivenciado em plena era da comunicação. E, sendo assim, abscondita taciturnamente os sistemas computadorizados, reduzindo-lhes as capacidades quantificadoras: -- fonológica e gráfica.
    Lizeudra, por mais que tentasse refutar os perigos da imagem, no exato átimo em que ela se tornaria especiosamente corrompida, jamais prosseguiria na laboração de reeditá-la sempre, dando ensejo reiterativo ao espectro mirabolante de quem fingiu atender as consecutivas ligações que recaíram no aparelho celular, após vários vocativos, deixando com que elas fenecessem no intrínseco mecanismo do instrumento receptor, situado no recôncavo da palma da mão!...
   A partir desse indivíduo, totalmente embuçalado, remanescerá uma nova imagem, produto da vacuidade, se estiver em decrescência progressiva. Além do mais, essa aparatosa figura ressumará retoques de artificialismos proporcionados pela ostentação hiperbólica da fantasmagoria – em propendência quanto ao probabilístico adentramento cibernético.
   O elemento, em tela, sofrerá demudações psicodélicas irreconhecíveis, mesmo estando em contato com o telespectador – por via do eletronismo satélite reinante.
   A alta tecnologia facilita todos os tipos e subtipos de embustes, tais como: respostas automáticas de ausência; perfil invisível unilateral; suposta ocupação de quem já se encontra na internet, com entrada franca para a intermente vertiginosa!...
    Quando o sujeito, a despeito de ser um larapio, um cretino, um facínora, pertence aos três corruptos poderes, a imagem manter-se-á sob o buçal esfíngico da pseudo-integração – em cabal abjeção – tendo por égide um conjunto de leis que facultam a proliferante perpetração de delitos, auspiciando exacerbadamente a inequanimidade avassaladora.
    O sujeito imagético entornou-se em direção ao aparelho computadorizado, e, em determinado átimo, conseguirá refazer o antinômico momento de tudo quanto houvera elucubrado. E, ao ser inquirido com veemência, ele é capaz de corroborar a presença contumaz de uma tresloucada cincada, de modo coincidente, no exatíssimo ínterim de alguma emissão premente!...
    Finalmente, para contristamento da assistência que o aplaude, Laurinídio reassomou ao estúdio de suas evagações prístinas, e, nele, encontrou estilhaços dispersos, reunindo um pouco de tudo quanto perdera, depois de priscos gládios intermitentes, contendo as horripilantes fragmentações de vidas pretéritas. De fato, sem hesitações, este sujeito imagético continuará buscando as desintegrações das formas imperfeitas!... Ainda tentava, também, em seus psicodelismos aberrantes, realizar o reencontro dos fios partidos, isto é, de uma comunicação vazada, que se utilizava de todos os meios operativos existentes!...

                                  Wilson Cerveira

Um comentário:

  1. Anônimo12/10/12

    Realmente o mundo virtual que nasce a partir da internet, possibilita, para o bem e para o mal, aos indivíduos serem múltiplos.
    Carlos Henriques Guimarães Medeiros

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