O dessentimento é o fator preponderal, assim
como, de modo reiterado, simboliza a terrível síndrome do deletamento das
coisas e das pessoas implicadas em descomunal degenerescência comportamental.
Sequencialmente, a falta ou perda do sentimento é ladeada pelos pródromos palindrômicos
das superocupações.
No decurso do processamento informativo, sem
intenções de obsessividade, surdem as mutabilidades rompantes no campo
ideológico, opinativo e nos demais âmbitos constituídos de múltiplos elementos
injuntórios.
As comutações tomam as dimensões quanto aos
diversos itinerários. Decerto, são substituições exigidas ao longo das vinte e
quatro horas. O ramo da atividade é quem vai designar a dosagem específica da
permutação, podendo ser máxima, média ou mínima com relação ao cerne de
interesse pessoal ou interpessoal. E, dessa forma bisonha, eclode o
recrudescimento egocêntrico do fazer, uma vez que, sem dubiedade, a lembrança,
quando não perseverante, pode ser descartada aos poucos, num processo tácito de
vertiginosa mutilação.
O olvidamento pode ser uma forma perversa de
deletamento peremptório. Também, a lembrança, no decurso das expectativas, pode não conferir a condição de inumamento, a
partir desse átimo excruciante, que é o prosseguimento odiento do que se
presumia ser uma façanha inefável!...
O filoneismo, que é a preferência pelo novo,
ostenta o círculo vicioso da substituição, tendo por referencial pragmático um
tempo relativo ou absoluto. Igualmente, este tipo contumaz de primazia
sobejante – e sem discriminações objurgativas --, tende ao direcionamento do
inusitado, passando por vários estádios, desde o obsessivo de menor
intensidade, até alcançar o píncaro do fanatismo patológico irreversível,
abrangendo as numerosas direções e sentidos vetoriais plausíveis.
O ato volúvel do sindrômico deletativo tem
as suas implexas origens quando atrelado ao comportamento intercalar
subjacente, podendo suscitar disfunções fruitivas naqueles que buscam, com
anseios reiterativos, o saciamento basilar e imprescindível das próprias
anomalias.
Leopoldo, após passar vinte anos
residindo no Rio de Janeiro, descartou o seu colega e amigo de infância –
Severiano --, após ter chegado a São Luís, com o propósito de cumprir a sua
licença prêmio – de indicador exarativo de, aproximadamente, doze meses. Nesse
interregno inquietante, teria que resolver as pendências do prístino, mas sem
usar de hiperbolismos comoventes.
Então, o Leo, como era chamado, desenvolvia,
despercebidamente, a terrível síndrome da superocupação. Buscava alternativas
para desligar-se da exação cronológica, embora não soubesse angariar
dispositivos aceitáveis no campo dialético das primícias elucubráticas. Sendo
assim, saiu sobraçando uma escarcela repleta de documentos. E, fortuitamente, o
Leopoldo fora cumprimentado pelo Severiano, que lhe serviu de companheiro desde
o jardim de infância.
O egocentrismo exacerbado, quase
execratório, do tal Leo, sem que houvesse maiores hesitações, não permitia que
ele atendesse ao amigo, dedicando-lhe alguns minutos do seu preciosíssimo tempo
de disponibilidade. E, sem mais nem menos, despediu-se do velho amigo e estugou
o passo, com o escopo de providenciar algumas cópias autenticadas atinentes aos
certificados e diplomas escolares, que ficaram arquivadas nestas escolas
tradicionais da cidade de São Luís do Maranhão.
Igualmente, o Leopoldo, de modo abrupto,
fora vítima do momento ominoso, dois minutos após ter se afastado do antigo
parceiro, ao ser abordado por dois bandidos. Roubaram-lhe a pasta, e, de
maneira concomitante, infligiram-lhe dois socos violentíssimos nas laterais da
face, deixando-o caído em plena “Rua da Paz”. O amigo Severiano, sempre
solícito, ainda teve tempo suficiente para prestar-lhe o devido socorro,
porquanto lobrigara a certa distância o episódio sinistro.
A partir desse dia em que fora assaltado
cruelmente, começou a meditar sobre o erro cometido por ele, não dando a devida
atenção ao saudoso colega do antigo “Curso Científico”. De fato, sem
perplexidade, ele se sentia objurgado, e com a consciência sobrecarregada!...
Caso demorasse mais um pouco, procrastinando aquele brevíssimo comenos;
decerto, estaria se eximindo dos demônios encarnados, que,
consuetudinariamente, caminhavam em sua direção, com o intuito de acossá-lo em
todos os ângulos plausíveis!
A descartabilidade humana, em dias
hodiernos, é tão avassaladora – que chega a cominar a sentença seguinte: “É bom
que leiam, interpretem e comentem estes artigos de minha autoria, -- disse o
Firmino--, uma vez que o exercício mental obicia a perda excessiva de
neurônios, conforme os postremeiros dilucidamentos científicos!”
Assim sendo, o que ressumbras acerca do
alumbramento hecatômbico do sentimento humano, neste hodiernismo
metamorfoseador?!...
Ila-se que, em dias hodiernos de acrimônia,
se descarta a própria descartabilidade, que é o apanágio de outros atributos
inerentes à degenerescência humana. Destarte, a deleção é o padrão errôneo da
desatenção verificada nos diversos comportamentos representativos das inúmeras
omissões praticadas em relação à imagem do nosso semelhante!
Wilson Cerveira
A supervalorização do individualismo, ao meu ver, é uma das causas que corroboram com a descartabilidade humana, apresentada no artigo acima. O culto excessivo ao indivíduo, suas vontades, prazeres e taras, reforçam em nossa sociedade o sentimento de que o "meu desejo", a "minha vontade" prevaleça sobre as vontades dos demais indivíduos e da coletividade. Se minha individualidade está sempre em primeiro lugar, os demais indivíduos são apenas títeres, para que a pessoa satisfaça seu querer. Por isso as relações humanas são vazias e frias, pois assim que uma das partes atinge seu escopo, descarta o fraterno companheiro. Assim a descartabilidade humana se propaga.
ResponderExcluirCarlos H. G. Medeiros
Muito bom argumento!... Parabéns, prezado amigo.
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