sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A DESCARTABILIDADE HUMANA


   O dessentimento é o fator preponderal, assim como, de modo reiterado, simboliza a terrível síndrome do deletamento das coisas e das pessoas implicadas em descomunal degenerescência comportamental. Sequencialmente, a falta ou perda do sentimento é ladeada pelos pródromos palindrômicos das superocupações.
   No decurso do processamento informativo, sem intenções de obsessividade, surdem as mutabilidades rompantes no campo ideológico, opinativo e nos demais âmbitos constituídos de múltiplos elementos injuntórios.
   As comutações tomam as dimensões quanto aos diversos itinerários. Decerto, são substituições exigidas ao longo das vinte e quatro horas. O ramo da atividade é quem vai designar a dosagem específica da permutação, podendo ser máxima, média ou mínima com relação ao cerne de interesse pessoal ou interpessoal. E, dessa forma bisonha, eclode o recrudescimento egocêntrico do fazer, uma vez que, sem dubiedade, a lembrança, quando não perseverante, pode ser descartada aos poucos, num processo tácito de vertiginosa mutilação.
   O olvidamento pode ser uma forma perversa de deletamento peremptório. Também, a lembrança, no decurso das expectativas,  pode não conferir a condição de inumamento, a partir desse átimo excruciante, que é o prosseguimento odiento do que se presumia ser uma façanha inefável!...
   O filoneismo, que é a preferência pelo novo, ostenta o círculo vicioso da substituição, tendo por referencial pragmático um tempo relativo ou absoluto. Igualmente, este tipo contumaz de primazia sobejante – e sem discriminações objurgativas --, tende ao direcionamento do inusitado, passando por vários estádios, desde o obsessivo de menor intensidade, até alcançar o píncaro do fanatismo patológico irreversível, abrangendo as numerosas direções e sentidos vetoriais plausíveis.
   O ato volúvel do sindrômico deletativo tem as suas implexas origens quando atrelado ao comportamento intercalar subjacente, podendo suscitar disfunções fruitivas naqueles que buscam, com anseios reiterativos, o saciamento basilar e imprescindível das próprias anomalias.
      Leopoldo, após passar vinte anos residindo no Rio de Janeiro, descartou o seu colega e amigo de infância – Severiano --, após ter chegado a São Luís, com o propósito de cumprir a sua licença prêmio – de indicador exarativo de, aproximadamente, doze meses. Nesse interregno inquietante, teria que resolver as pendências do prístino, mas sem usar de hiperbolismos comoventes.
   Então, o Leo, como era chamado, desenvolvia, despercebidamente, a terrível síndrome da superocupação. Buscava alternativas para desligar-se da exação cronológica, embora não soubesse angariar dispositivos aceitáveis no campo dialético das primícias elucubráticas. Sendo assim, saiu sobraçando uma escarcela repleta de documentos. E, fortuitamente, o Leopoldo fora cumprimentado pelo Severiano, que lhe serviu de companheiro desde o jardim de infância.
   O egocentrismo exacerbado, quase execratório, do tal Leo, sem que houvesse maiores hesitações, não permitia que ele atendesse ao amigo, dedicando-lhe alguns minutos do seu preciosíssimo tempo de disponibilidade. E, sem mais nem menos, despediu-se do velho amigo e estugou o passo, com o escopo de providenciar algumas cópias autenticadas atinentes aos certificados e diplomas escolares, que ficaram arquivadas nestas escolas tradicionais da cidade de São Luís do Maranhão.
   Igualmente, o Leopoldo, de modo abrupto, fora vítima do momento ominoso, dois minutos após ter se afastado do antigo parceiro, ao ser abordado por dois bandidos. Roubaram-lhe a pasta, e, de maneira concomitante, infligiram-lhe dois socos violentíssimos nas laterais da face, deixando-o caído em plena “Rua da Paz”. O amigo Severiano, sempre solícito, ainda teve tempo suficiente para prestar-lhe o devido socorro, porquanto lobrigara a certa distância o episódio sinistro.
   A partir desse dia em que fora assaltado cruelmente, começou a meditar sobre o erro cometido por ele, não dando a devida atenção ao saudoso colega do antigo “Curso Científico”. De fato, sem perplexidade, ele se sentia objurgado, e com a consciência sobrecarregada!... Caso demorasse mais um pouco, procrastinando aquele brevíssimo comenos; decerto, estaria se eximindo dos demônios encarnados, que, consuetudinariamente, caminhavam em sua direção, com o intuito de acossá-lo em todos os ângulos plausíveis!
   A descartabilidade humana, em dias hodiernos, é tão avassaladora – que chega a cominar a sentença seguinte: “É bom que leiam, interpretem e comentem estes artigos de minha autoria, -- disse o Firmino--, uma vez que o exercício mental obicia a perda excessiva de neurônios, conforme os postremeiros dilucidamentos científicos!”
   Assim sendo, o que ressumbras acerca do alumbramento hecatômbico do sentimento humano, neste hodiernismo metamorfoseador?!...
   Ila-se que, em dias hodiernos de acrimônia, se descarta a própria descartabilidade, que é o apanágio de outros atributos inerentes à degenerescência humana. Destarte, a deleção é o padrão errôneo da desatenção verificada nos diversos comportamentos representativos das inúmeras omissões praticadas em relação à imagem do nosso semelhante!

                                      Wilson Cerveira

2 comentários:

  1. Anônimo8/2/13

    A supervalorização do individualismo, ao meu ver, é uma das causas que corroboram com a descartabilidade humana, apresentada no artigo acima. O culto excessivo ao indivíduo, suas vontades, prazeres e taras, reforçam em nossa sociedade o sentimento de que o "meu desejo", a "minha vontade" prevaleça sobre as vontades dos demais indivíduos e da coletividade. Se minha individualidade está sempre em primeiro lugar, os demais indivíduos são apenas títeres, para que a pessoa satisfaça seu querer. Por isso as relações humanas são vazias e frias, pois assim que uma das partes atinge seu escopo, descarta o fraterno companheiro. Assim a descartabilidade humana se propaga.

    Carlos H. G. Medeiros

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    1. Muito bom argumento!... Parabéns, prezado amigo.

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