quinta-feira, 7 de março de 2013

INDISTINTAS PSICOPATIAS


      Há psicopatias não-rotuladas; tanto assim, não fazem parte do arrolamento dos múltiplos transtornos contidos nos manuais de diagnósticos psiquiátricos.
     Os indivíduos, em sua maioria, independendo da estratificação social, são mantidos fora dos manicômios, exercendo as suas mais excêntricas funções de natureza neuropsíquica, desde as mais simples até as mais complexas, aparatando um especioso aspecto de uma provável normalidade declinante.
     O fator sócio-econômico deblatera e contribui, decisivamente, para a descaracterização epigráfica desses distúrbios de pouca intensidade, em que não se sabe discernir o ponto de inserção entre o funcional e o disfuncional.
     A progressão etária outorga um permeio de liberalidade orgânica, cuja cadeia de reações encerra os mais contundentes reagentes e produtos resultantes, numa indicação vetorial de proporcionalidade corpórea.
     Também, a senescência progressiva corrobora no átimo de desidentificação do patológico, como sendo um meio para a expunção das mais esbatidas e indistintas psicopatias, cabalmente incorporadas no ramerrão de uma sociedade que, em pleno fastígio, sufraga e privilegia o círculo vicioso!
     A própria dramaturgia, aparatada em seus embuços de choro e riso compulsivos, simulacra as mais tresloucadas atitudes de desfaçatez – sobretudo as que são vivenciadas neste ramerrão existencial pertencente ao falacioso hodiernismo metamorfoseador, onde o sujeito sofre demudações ao longo das frações temporais – cônscio ou inconscientemente.
     As psicopatias indistintas, principalmente, não se encontram catalogadas nos canhenhos psiquiátricos. As manias, de menor ou de maior expressividade, abrangem as meticulosidades, os escrúpulos – de modo indubitável – e tendem estar inseridas nesse bojo cernial, numa visão que retrata a fuga constante com relação aos perigos que nos cercam, e sempre obsecrando o auxílio da Divina Providência.
     Nesses arquétipos indiferenciados de comportamento, detectam-se portas e janelas cerradas, ostentando gradeados de ferro, revestindo-as interna e externamente – numa tentativa válida de resguardo ao perigo iminente, com escopo de obiciá-lo drasticamente.
     Os espairecimentos liberados suscitam esses esquipáticos arquétipos etológicos, os quais se deixam incorporar na intrinsidade, ou perfunctorismo, conforme a adesão da etiquetagem social em voga. Para tanto, verifica-se – antes de qualquer análise priorística – os meandros multidirecionais, aparatados pelo seriado de ondismos e modismos existentes neste sistema de hodiernismo estropiador.
     O ópio futebolístico foi, paulatinamente, incorporado na recreatividade, devido ao seu grau de fanatismo avassalador, e, de modo concomitante, sendo aceito em todas as estratificações de grande massa populacional. De maneira indistinta, é moda viciosa e ondismo pernicioso, pois o jogo da pelota é praticado, em dias hodiernos, em todo o orbe, prescindindo de quaisquer estigmas sintomatológicos de imputação. Nesse tipo de “esporte das multidões” – vislumbra-se a tendência a atacar, a agredir. É uma energia geradora de força obstinante, sem que se pondere a existência das possíveis redundâncias negativas e devastadoras do pebolístico de maior preferência. Então, a agressividade será representada por um conjunto de manifestações reais ou fantasmáticas da pulsão de agressão, que é o simbolismo da pulsão de morte à serviço da pulsão sexual,que se pronuncia através da agressividade estabelecida grupalmente, envolvendo situações de força entre os preliantes da tão decantada pugna esportiva de todos os tempos!
     O tédio, no sentido de volúpia do aborrecimento, é considerado responsável por muitos dos nossos problemas -- de atitudes anti-sociais até ações autodestrutivas --, o misto de marasmo, sensação de vacuidade percuciente e desinteresse cabal pela vida. Tudo isto parece estar se tornando uma espécie de robe nos flagelados dias atuais.
     O ócio, vínculo proporcionador de todos os vícios, tem demonstrado ser o basilar referencial para as não empreitadas concorrências do mercado de trabalho!  
     Nas culturas orientais, recolhimento e introspecção não são considerados negativos, e sim vistos como parte importante do processo de conhecimento de si mesmo.
     A pornofonografia anda solta, em dias de hoje, já que não há censura que a proíba neste momento de eterna decrepitude das instituições sociais. Adentra em todos os ambientes de trabalho, ostentando um tipo heteróclito de cumprimento atualizado, mas sempre a demover suspeitas arbitrárias.
      A sexualidade, em sua essência imprescindível, arrebentou todas as amarras de coibição, invadindo todos os espaços disponíveis, independente de faixa etária, de tempo de exposição e locais apropriados para o ato de exibição contínua, em que os protagonistas são flagrados em cabal ginástica copulatória acrobática. Desse modo, as perversões sexuais tomam novos âmbitos de expansibilidade – como sendo palcos disponíveis para o átimo ressumbratório do que se denomina ainda de indiferenciados mecanismos de saciamento intransferível quanto ao usufruto da energia lascivial.
                                                 
                                             Wilson Cerveira 

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