Há psicopatias
não-rotuladas; tanto assim, não fazem parte do arrolamento dos múltiplos
transtornos contidos nos manuais de diagnósticos psiquiátricos.
Os indivíduos, em
sua maioria, independendo da estratificação social, são mantidos fora dos
manicômios, exercendo as suas mais excêntricas funções de natureza
neuropsíquica, desde as mais simples até as mais complexas, aparatando um
especioso aspecto de uma provável normalidade declinante.
O fator
sócio-econômico deblatera e contribui, decisivamente, para a descaracterização
epigráfica desses distúrbios de pouca intensidade, em que não se sabe discernir
o ponto de inserção entre o funcional e o disfuncional.
A progressão
etária outorga um permeio de liberalidade orgânica, cuja cadeia de reações
encerra os mais contundentes reagentes e produtos resultantes, numa indicação
vetorial de proporcionalidade corpórea.
Também, a
senescência progressiva corrobora no átimo de desidentificação do patológico,
como sendo um meio para a expunção das mais esbatidas e indistintas
psicopatias, cabalmente incorporadas no ramerrão de uma sociedade que, em pleno
fastígio, sufraga e privilegia o círculo vicioso!
A própria
dramaturgia, aparatada em seus embuços de choro e riso compulsivos, simulacra
as mais tresloucadas atitudes de desfaçatez – sobretudo as que são vivenciadas
neste ramerrão existencial pertencente ao falacioso hodiernismo
metamorfoseador, onde o sujeito sofre demudações ao longo das frações temporais
– cônscio ou inconscientemente.
As psicopatias
indistintas, principalmente, não se encontram catalogadas nos canhenhos
psiquiátricos. As manias, de menor ou de maior expressividade, abrangem as
meticulosidades, os escrúpulos – de modo indubitável – e tendem estar inseridas
nesse bojo cernial, numa visão que retrata a fuga constante com relação aos
perigos que nos cercam, e sempre obsecrando o auxílio da Divina Providência.
Nesses arquétipos
indiferenciados de comportamento, detectam-se portas e janelas cerradas,
ostentando gradeados de ferro, revestindo-as interna e externamente – numa
tentativa válida de resguardo ao perigo iminente, com escopo de obiciá-lo
drasticamente.
Os espairecimentos
liberados suscitam esses esquipáticos arquétipos etológicos, os quais se deixam
incorporar na intrinsidade, ou perfunctorismo, conforme a adesão da etiquetagem
social em voga. Para tanto, verifica-se – antes de qualquer análise priorística
– os meandros multidirecionais, aparatados pelo seriado de ondismos e modismos
existentes neste sistema de hodiernismo estropiador.
O ópio
futebolístico foi, paulatinamente, incorporado na recreatividade, devido ao seu
grau de fanatismo avassalador, e, de modo concomitante, sendo aceito em todas
as estratificações de grande massa populacional. De maneira indistinta, é moda
viciosa e ondismo pernicioso, pois o jogo da pelota é praticado, em dias
hodiernos, em todo o orbe, prescindindo de quaisquer estigmas sintomatológicos
de imputação. Nesse tipo de “esporte das multidões” – vislumbra-se a tendência
a atacar, a agredir. É uma energia geradora de força obstinante, sem que se
pondere a existência das possíveis redundâncias negativas e devastadoras do
pebolístico de maior preferência. Então, a agressividade será representada por
um conjunto de manifestações reais ou fantasmáticas da pulsão de agressão, que
é o simbolismo da pulsão de morte à serviço da pulsão sexual,que se pronuncia
através da agressividade estabelecida grupalmente, envolvendo situações de
força entre os preliantes da tão decantada pugna esportiva de todos os tempos!
O tédio, no
sentido de volúpia do aborrecimento, é considerado responsável por muitos dos
nossos problemas -- de atitudes anti-sociais até ações autodestrutivas --, o
misto de marasmo, sensação de vacuidade percuciente e desinteresse cabal pela
vida. Tudo isto parece estar se tornando uma espécie de robe nos flagelados
dias atuais.
O ócio, vínculo
proporcionador de todos os vícios, tem demonstrado ser o basilar referencial
para as não empreitadas concorrências do mercado de trabalho!
Nas culturas
orientais, recolhimento e introspecção não são considerados negativos, e sim
vistos como parte importante do processo de conhecimento de si mesmo.
A pornofonografia
anda solta, em dias de hoje, já que não há censura que a proíba neste momento
de eterna decrepitude das instituições sociais. Adentra em todos os ambientes
de trabalho, ostentando um tipo heteróclito de cumprimento atualizado, mas
sempre a demover suspeitas arbitrárias.
A sexualidade, em
sua essência imprescindível, arrebentou todas as amarras de coibição, invadindo
todos os espaços disponíveis, independente de faixa etária, de tempo de
exposição e locais apropriados para o ato de exibição contínua, em que os
protagonistas são flagrados em cabal ginástica copulatória acrobática. Desse
modo, as perversões sexuais tomam novos âmbitos de expansibilidade – como sendo
palcos disponíveis para o átimo ressumbratório do que se denomina ainda de
indiferenciados mecanismos de saciamento intransferível quanto ao usufruto da
energia lascivial.
Wilson Cerveira
Nenhum comentário:
Postar um comentário