sexta-feira, 5 de abril de 2013

O PSICOPATA IMAGÉTICO


Quem é esse estrupício que vem por aí, perdendo-se nos meandros, e reencontrando- se nas curvas dos mais procelosos comenos vitais?!...
     Decerto, conseguiu o criptograma mais cabalístico do orbe, após ter ad-rogado o infenso, nominando-o de modo multifacetado – na tentativa exclusivista de hiperbolizar as suas mais ob-reptícias atitudes.
     Essa criatura estrambótica e, cabalmente, enigmática – por ser de natureza intrínseca e incognoscível – tem por hábito trabalhar as imagens, desde as simples até as mais abstrusas, inserindo-as no plano tridimensional de suas temporalidades, fazendo com que haja uma coerência de análise combinatória entre os seus díspares aspectos morfológicos e comportamentais vigentes.
     Ele, o imagético das vesânias, ressumbra a efígie da desnudez impudica, no prisco átimo em que adentra ao estado vúrmico da madidez de prelibação, mesmo que exista uma percuciente refratariedade com relação ao cume da compelência pertinente à fruição.
     O homem esquipático alumbra, de modo elucubrático, o ínterim em que a energúmena criatura – exposta às reações orgânicas da lascívia – demanda os meios escarmentosos do próprio cilício, numa tentativa abrupta de conter os desvairos das sanhas lúbricas da nau capitânea e seus aparatos externos e internos!...
     Reitera-se que o psicopata imagético traz sempre consigo algum criptopictograma, em que pudesse lobrigar as efígies remanescidas no prístino. Decerto, todos esses escorços serviriam para os passadistas do ex-clube “Esperança”, onde o trompetista Elizeudo tocava a consagrada valsa dos quinze anos, dos vinte e cinco, dos cinqüenta, sessenta, somatorizando todos os jubileus do nostálgico tempo prisco, desfechando as características impressas naqueles inolvidáveis saraus!
     Somente o Petrúcio, o imagético, pôde suscitar-me algo cabalístico, quando, de modo repentino, assomou ao portão do vetusto Solar, ora empertigado de Pierrot, ora de Colombina, palingenesiando as indumentárias de antanhos foliões obliterados.
     Em outros comenos, algures ou alhures, ressumbrava ainda os aspectos funéreos de quem sucumbia implosivamente, e, para isso, em cabal circunstância de cerne imprescindível, aceirava alguns espécimes de seres vivos, notadamente os vegetais e animais esdrúxulos.
     De quando em quando, o desvairo do imagético avocava o que havia de mais heteróclito no seio da natureza. De súbito, Petrúcio retumbava, a plenos pulmões, um silogismo completo, abrangendo premissa maior, premissa menor e ilação.
     Deveras, o sujeito estúrdio repercutia as mirabolâncias das suas averiguações perfeccionistas, num redundar constante – de numerosas defecções latentes! Ele, o mentecapto preceptor, reconfigurou as imagens em deleção, reconduzindo-as incólumes ao hodierno, para que, em seguida, consecutasse as suas estrambóticas projeções – desde as mais variegadas --, partindo em direitura ao crástino...
     O psicopata imagético buscava os artifícios de uma tecnologia exacerbante, atafulhada de sofismas aberrantes! Ao passo que, o zimbório, era o seu preferido atalaia, pois, nesse ponto de conspicuidade, observava, através do telescópio, as complexidades do imane “Universo”, em sua implexidade circunloquial!...
     Em cada visitação ressuma os aparatos intrínsecos, tentando alcançar o fato decisivo com relação aos abdutores, sobretudo quando estão submetidos ao oráculo pertinente ao transe de efemeridades perseverantes em todos os sentidos e direções vetoriais iminentes...
     Petrúcio, quando obnubilado, praticava todos os tipos de estroinices. Vinha, alhures, uniformizado, com fios entrelaçados – como se fosse um novo tipo de sistema elétrico – que passasse através do próprio corpo, e,  consequentemente, dando sequência ao dédalo das experimentações neófitas!...
      Quando o psicopata imagético sair de sua própria alienação, que é simbolizada por um percuciente átimo excruciador, terá a capacidade de se concentrar na Mona Lisa, pintada por Leonardo da Vinci. Assim sendo, adquire a capacidade de vislumbrar o toque de mestria, em sua exuberância pitoresca, que o exímio pintor imprimiu na Mona Lisa, que é a representação, – buscando o perfeccionismo --, que Leonardo faz da luz azul se dispersando a partir dos elementos mais distantes e, concomitantemente, adindo mais profundidade à imagem de fundo, já que não há um ponto de fuga claro para dar a impressão de recuo ou, então, indicar o tamanho relativo dos elementos na paisagem rochosa. Destarte, reitera-se em exarar o seguinte: essa dispersão faz com que elementos distantes, como o céu, tenham uma aparência azulada e pareçam recuar!...
     Também, é polímata em suas ressumações inopinadas. O imagético ressuda pendores atinentes à execução das sinfonias clássicas.
     Interpreta uma sinfonia de Beethoven, transfigurando-se cabalmente, dando as características de pianista com elevados recursos. Parece, nesse caso, incorporar os espíritos dos clássicos, num alumbramento elucubrático.
     Deveras o cientista, em sua condição abnormal, rebusca dados suficientes, para que refulgure meteoricamente, imprimindo um laivo de personalidade marcante em toda a sua essência imagética.
     Desta forma, sem que se perscrute as possíveis metamorfoses apresentadas por uma pessoa, pressagia-se a ininteligibilidade quanto ao ato de certificação ostentada por qualquer individuo, já que o tresvario surde de modo súbito. Após, sem tartamudeios, a criatura retornará ao estado fleugmático, independente de ter sido vitimada por um tipo de transtorno – de natureza reversível – sobretudo na lucidez do cognominado plano aparente de memória!...

                                  Wilson Cerveira

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