segunda-feira, 15 de abril de 2013

PSICOPATIAS SOCIAIS PLAUSÍVEIS


     Não há quem não tente multiplicar as inúmeras obsessões, contando alacremente as inusitadas bolas que a vida oferece, notadamente neste hodiernismo de afazeres cumulativos, onde o hiperfanatismo das pelotas, em suas mais variadas modalidades, deblatera com todas as ecoâncias de um descomunal catastrofismo, verificado logo após o gládio estentórico e mórbido da peleja renhida.
   Amiúde, ligam-se rádios, televisões e telões de todos os modelos mirabolantes, ressumando amplitudes máximas da imagem de cada jogador, dando a impressão de que o torcedor obcecado queira conhecer as filigranas atinentes a cada maníaco da bola. E, deveras, tenta enumerar o tamanho do calção, a altura do meião e a numeração da camisa, contendo no mínimo o nome da empresa auspiciadora.
     Após o trilar do apito, a vesânia começa a entortar pensamentos e a debilitar mentes em estado de obsedante psicopatismo avassalador. Depois, num alarido esbravejante, ouvem-se chusmas de obscenidades variegadas: deste a porra-sacana até os últimos caras de alho existentes, neste telúrico da bola, os quais produzem degradantes arquétipos de efervescência primazial esturdiante, independentemente da estratificação social a que o indivíduo venha a pertencer.
     Todas as índoles compulsivas sinergizam-se, com o escopo de constituir o que há de mais procurado no orbe formador, em que os círculos viciosos se proliferam em ritmo infrene no devir de cada dilúculo, que é o elucidador primordial das lidimas veracidades.
     A velocidade tem sido a causa de vários distúrbios concomitantes. Decerto, esse tipo de açodamento se encontra em todos os permeios da vida em cinesia. A partir desse interregno meteórico, é gerada uma aceleração gradual, ou desregrada, em tudo o que tentamos realizar no ramerrão existencial. Todas as nossas vontades ficam à mercê das circunstâncias positivas ou negativas.
     Se nos posicionarmos diante de bródios, ágapes ou épulas, devamos estabelecer uma austera contenção com relação ao trinômio: quantidade, qualidade e degustação. De fato, a pressuração não dá oportunidade suficiente para que as papilas, juntamente com o auxilio das enzimas, deem uma saída satisfatória para que esse paradigmático bródio comemorativo.
     As salas e os quartos, respirando o oxigênio que fora reciclado em priscos longínquos, inopinadamente se descortinam em suas plenitudes suntuosas de tapetes, sanefas e cortinas áulicas dos tempos da monarquia!
     Nesta perplexidade de impressões remanescidas, assomava o velho Buda, que havia sido menoscabado no centro esfíngico de uma miragem – entre uma janela e outra, e que houvera sido defenestrado pelo açoite impetuoso do vento a invadir o postigo da janela, o qual ficou semi-aberto durante toda à noite.
     As poeiras e demais resquícios de cominuições, ambos alojados nos abscônditos  interstícios do madeirame antigo,  jaziam em todos os sentidos e direções vetoriais que se localizavam em direitura aos aposentos carcomidos, e, em prossecução, realizavam  a célere dança do torvelinho, e, desse modo, planejariam um comenos que atendesse cabalmente uma próxima e iminente sibilada de um vento tempestuoso!...
     Destarte, sem pestanejamento, foi arrastando consigo horas, minutos e segundos. Deveras, os tempos vão se tornando mais velozes, não importando as degenerescências paulatinas dos valhacoutos prístinos. Assim, as folhinhas vão decretando a fugacidade matricial da senescência celular.
     Ainda se escuta a refletir no interior das casas, o estrugimento produzido pelo constante ranger dos pneus no asfalto, numa prova inconteste da sanha patológica, que é o estigma da velocidade, redundando, vertiginosamente, em extermínio reiterativo de vidas que se esbroam, numa corroboração ressumbrática da inequívoca violência vivida nestes postremeiros tempos de total abjuração.
     Chovem-se aflições provindas dos mais longínquos rincões!... O homem, em sua desumanidade crescente, continua a duvidar de suas reais reações de comportamento permanentemente mutável e aparatando consequências fatídicas!...
     Os caminhões e carretas de grande porte tentam desfilar os seus aceleramentos, causando milhares de mortes ao longo dessas acidentadas vias rodoviárias, resultantes das omissões perpetradas por esses infensos e nefandos governantes!...
     Como ondismo irrefutável, os carros, de modo geral, ostentam canos de descarga. A zoada é tamanha que inferniza cabalmente a acústica propínqua. E, então, esses aparatos chegam a obiciar o próprio som que promana dos terreiros de mina, sobremaneira nas noites em que se celebram os seus rituais africanos!
     Ao passo que a estratégia dos cálculos – a serem realizados – e que, de modo simultâneo, ressumam a libração do elucubrático e as suas respectivas  variabilidades. Nesse caso, o espectro torna-se flagrante quanto ao visual, independendo da retransmissibilidade atinente à fonte emissora geratriz.
     Os mórbidos sujeitos auxiliares empertigam-se numa tentativa vã de resgatar as probabilidades. De modo pungente, tem-se de transigir todas as agruras. E, nesse caso o que a estimativa apregoava era o morticínio em massa, sem que existissem intermédios prementes para conter as impulsividades – as mais deletérias -- que estariam a caminho da peremptoriedade.
     À distância, em plena ressonância estrangulada, havia a premonição do clangor – num alardeamento a toda prova, ostentando a presença de um corpo em estado jacente, rumo ao inumatório. E, a partir desse periclitante nefasto, onde a velocidade e a aceleração decretam o fim, é que se estabelecem as diferenças recrudescentes das agressividades proporcionadas pelos veículos da modernicidade, provindos de um tecnologismo ultra-avançado e, irremediavelmente, letal!...

                                      Wilson Cerveira

Nenhum comentário:

Postar um comentário