sábado, 27 de abril de 2013

AS FOBIAS DO SER ENJAULADO


    Há fobias que são contraídas através das agruras enfrentadas no ramerrão. E, neste hodierno, ao anoitecer das circunstâncias agonizantes, vai remanescendo o desiderato de permanecer banido, caso haja uma nova formulação em que o momento escarmentoso seja de natureza abrupta.
    Numa antinomia abstrusa, o homem de bem sente a imperiosa necessidade de enjaular-se, de modo mais açodado possível, para que possa se proteger da sanha criminosa dos facínoras. De fato, esses bandidos têm se proliferado infrenemente, já que as leis lassas – lídimos estafermos – assim o permitem, facultando cada vez mais as novas modalidades de crimes hediondos.
    Com o olhar altaneiro, os réprobos legisladores, indubitavelmente, ainda prosseguem eximidos de quaisquer violências, se bem que a imputabilidade está sob a égide de suas próprias ações ignominiosas, sempre anteparadas pelos ditames oprobriosos contidos no código fragilizado, cujas permissividades conspurcatórias, e, em cabal fastígio, facultam a esses sujeitos o direito de permanecerem no exercício pleno, ostentando suas altíssimas funções pecuniárias, assim como, na condição imperativa máxima de autoridades signatárias.
    Realmente, esses seres transeuntes vivem ergastulados dentro de seus próprios horizontes libertários. Igualmente, essas criaturas de Deus, em tempo algum, jamais cometeram um delito sequer, mas estão enjauladas por estruturas de ferro, protegendo-as fisicamente contra a carnificina, que é perpetrada pelos indivíduos truculentos da mais alta potência iracunda quanto ao grau de periculosidade nequicial!
    A partir desses traumas, as vítimas da violência passaram a blasonar inusitadas recrudescências quanto aos seus diversificantes estados de comportamento.
    Novas fobias foram se constituindo gradativamente, e o homem hodierno decreta o seu medo nas trajetórias, sobretudo por onde ele passa diuturnamente. E, dessa forma miraculosa, somente a Divina Providência é capaz de deixá-lo escapar das atrocidades -- de hediondez extrema -- lobrigadas às margens das veredas impérvias.
    Eliaquim, em sua atitude de portento modesto, jamais adquiriria condições de profligar as primícias psicológicas das lembranças pueris, uma vez que, em demonstração percuciente, ficam arraigadas peremptoriamente nas entranhas do hesterno. De fato, essas reminiscências são estigmas indeléveis, pois a senescência, -- a postremeira fase da vida material sobre o telúrico --, as recebe incólumes, ostentando todas as cândidas galhardias protótipas. Em tempo algum, por mais cibernético que seja o recurso, não haverá meios de expungi-las da memória humana, a não ser que as maquinas futuristas venham a comutar, de modo definitivo, a presença do Homo sapiens no planeta – Terra. 
    Waquim, aventureiro de dois tempos verbais antagônicos, conseguira avocar o passado e o presente, unindo-os visceralmente na ressurgência dos seres, os quais ainda se digladiam objetivando a libertação do físico, sobretudo o que sofrera vários tipos de agrilhoamento multivetorial, constituindo um dédalo criptogrâmico e, também, de pronunciamento reptador.
    Berenice, qualificada como a terceira personagem incomutável, estaria sendo representada por um enigmático plano de tridimensionalidade, onde desembocaria trazendo a tiracolo o trinômio temporal: hesterno, hodierno e crástino.
    A partir desse ponto máximo de nevralgismo, brandiria as hastas com o intento de esquadrinhar o espiritual, o psicológico e o físico. Após um esforço metafísico relutante, Berenice, -- a ilustre cientista --, debruçou-se na janela do tempo efêmero, abrangendo toda a dimensionalidade de cabalísticos momentos percorridos fortuitamente, para encontrar o que há muito procurava: a chave esfíngica da incógnita.
    Caso houvesse a devida ressumbração, ainda sondaria a probabilidade de ressudar o comenos, e, desse modo, coalesceria o perpétuo gládio existente nos ínterins milagrosos do espiritual, do psicológico e do físico, quando se redimensionarem para a ascensão correspondente ao grau de sublimação que aduz ao éter.
    Dessa forma miraculosa, --somente a Providência Divina--, de modo reiterativo, é capaz de deixá-los eximidos dos infensos nefandos e das hediondas iniquidades que continuam a ser perpetradas nos itinerários esconsos das nequícias humanas!
    Há várias esgastulações a respeito dos preconceitos, desde a mais simples até o fastígio excruciante das complexas operações. Ninguém, entretanto, consegue libertar-se cabalmente, já que estão arraigadas nas histórias das protótipas culturas.
    A palingenesia, que é o eterno retorno, profliga, diuturnamente, o preconceito estabelecido contra o passado. E, dessa forma, o homem do prisco, desenjaula-se à sorrelfa, na tentativa obstinada de suportar as acrimônias presentes nas circunstâncias que advierem, de modo sub-reptício, e que, cabalmente, estarão atreladas a sua formação primicial – de natureza basilar e imprescindível.

                               Wilson Cerveira

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