Não há tempo para abrir o livro, mas surde
o átimo de deixá-lo fechado. Há, nesse caso, uma ação reciproca – de natureza
deletéria – que ofende o sujeito e o objeto. O primeiro, de modo indubitável,
estuga a deleção dos neurônios; o segundo, vítima incondicional do sujeito,
padece com o advento das carcomas produzidas pela umidade, falta de ventilação,
luminosidade etc, e, também, a carência de manuseio proporciona ambiência
adaptativa para traças, piolhos de livro, carunchos e diversas variegações de
mofos e bolores, com a presença maculatória de pigmentos que demonstram a
coloração especifica hifas micelares, dependendo da natureza basilar do agente
fúngico.
Os olhos perlustram letreiros, capas de
revistas, manchetes de jornais, títulos de negociatas, resultados esportivos,
formas diversificadas de modelos, nomes referenciais de etiquetas nacionais e
estrangeiras, imagens desnudas, mortas e em completo estado de putrefação.
Os sons, principalmente em forma melodiosa,
comutam substituir quaisquer textos contidos nos livros didáticos e
paradidáticos. Tomam uma amplitude máxima, não permitindo a leitura da ultima
frase que encerra o parágrafo do escrito em tela. Cantarolam-se os manuscritos
etiológicos e semânticos, divagando-se a presença de sujeitos desveladores,
pois usufruem dos aprazimentos causados pela música erudita, em que as
partituras falam da importância sequencial das interpretações dos vocábulos em
suspense.
Comprimem-se as ideias no espaço disponível
para a escrituração dos logogrifos, absconditando sentimentos secretos, onde as
fruições transudam pelas frinchas intumescidas.
A leitura, para deleite dos mais
degenerescentes, está sendo feita pela inoculação de pequenos artefatos sonoros
localizados, concomitantemente, em ambos os ouvidos. Também, de modo
escalafobético, é realizada por meio da decodificação das imagens, antes e
depois dos seus variegados estágios prodrômicos de sucumbência!... Tem-se a
pseudoimpressão de que a resultante é a própria geratriz encetadora, a qual
sofrerá interpenetração dos aparatos ícones. O texto, propriamente dito, ficará
em estado de latência, obedecendo ao ritmar da mesma folha que o recebeu em
suas primeiras grafias. Por melhor que esteja representado, os botões
infernizantes da tecnologia superam-no, indiferentemente, como se não houvesse
contextualização, do que está sendo ostentado com primazia quanto aos díspares
paradigmas de hermenêutica hodierna!
A desatenção dos deseducandos, sem maiores
escárnios, se dirige com exclusividade desidiosa, para as notícias divulgadas
pela mídia. Os assuntos são de deleteriedade a toda prova, não restando o ato
da participação do fator educacional abrangente. Somente as desobrigações
far-se-ão presentes, sem que haja a constituição de compromissos
preestabelecidos, a fim de que sejam laborados com perspicácia.
Neste ano fatídico – da copona mundial da
bola – o futebol ressudará o láudano, que é a solução hidroalcoólica do ópio e
outros ingredientes. Realmente, ele tomará todos os espaços disponíveis!... Os
meios de comunicação não divulgarão quaisquer outras notícias!... A
criminalidade, por mais hedionda, e as demais catástrofes passarão para o plano
secundário, terciário e quaternário das imanes incúrias!... A epidemia será o futebol,
e o texto da pelota será composto de todos os pormenores, e, em seguida,
codificado e decodificado consoante as suas propendências pebolísticas, onde os
jogadores buscam recursos para a plena oficialização das partidas a serem
realizadas diuturnamente, ocupando, simultaneamente, todos os aparelhos do
mundo das comunicações, numa lídima ginástica cognominada de cópula peloteira
mundial!...
Ilativamente, o desábito da leitura passa
a imperar, de modo desidioso, pois os sons e as imagens, em cabal mixagem,
expressam em psicodelismos estremunhantes, com testemunhos, os textos do
futebolismo – sobretudo os que deveriam ser reorganizados e concatenados,
dando-nos o parecer definitivo das ideias abstrusas, que, por mais
exasperantes, ainda exprimem uma aparente e questionável normoanormalidade!
Wilson Cerveira
Infelizmente, o que vivemos é o declínio da valorização da cultura e de outros hábitos, que tornam o ser humano mais perceptivo; mal sabem os desavisados que os neurônios foram feitos para serem utilizados, assemelhando-se a qualquer outro músculo do nosso corpo, que na falta de estimulação; atrofiam.
ResponderExcluirA ausência da leitura é hoje sentida em diversos momentos, que vão desde uma simples entrevista de emprego, uma conversa informal, quando casualmente ouvimos as pessoas se comunicando; até nas laudas de discursos de altos executivos e governantes, somos obrigados a permitir que firam nosso tímpanos e fazer a retina sofrer, ao convivermos com aberrações no emprego da palavra...........