sábado, 24 de maio de 2014

A DESATENÇÃO NA ESCOLA E NO SISTEMA MIDIAL

    Não se poderia vaticinar a probabilidade de nenhum arquétipo de normoanormalidade, uma vez que os discentes, nestes cizânicos dias hodiernos, comunicam-se algaraviadamente, abordando todos os assuntos, de modo quase concomitante, sem obedecer às devidas pausas – determinadas pelos sinais obrigatórios de pontuação, que separam as palavras, as frases, os períodos e os respectivos parágrafos, os quais, somatorialmente, compõem o texto referencial.
       Os alunos demonstram alguma capacidade de memorização quando discutem as práticas futebolísticas. Então, o fanatismo opiado se faz presente em todas as dimensões da extensa conversa alvissareira. Descrevem todos os jogadores do time ou da seleção, buscando-lhes os aspectos fenotípicos, suas equipagens completas, pormenorizando cor, tamanho e outros atributos relacionados às necessidades de identificação – fora e dentro do gramado pebolístico – caracterizando a ficha completa de cada jogador, incluindo todos os reservas, sem ressalvas!
    De repente, assoma a certa distancia, como que vem se posicionar na soleira da porta da sala de aula, o Antonito, portando um “Ipad”, que é um pequeno aparelho de tecnologia moderníssima – especifico para ouvir musicas, não importando se o Professor de Física – o pós- doutor Nicolau – um dos mais competentes tecnólogos, viesse falar da imane significação quanto à aplicabilidade desses conteúdos aplicados em diversos ramos ou capítulos da mecânica, tecnologia, óptica, acústica e eletricidade. Outrossim, os fones desses instrumentos isolavam, completamente, as diversas formas de linguagem e, também, esquipáticos estrugidos do meio exterior.
    Alunos esses, cheios de bossa, que, ainda, usavam as golas erguidas, quando vestiam suas camisas, colocando-as até a altura correspondente à base da orelha; e, complementavam essas vestimentas com o auxilio do comprimento lateral dos cabelos da cachimônia, os quais serviam para ocultar os fios interligantes, dando sempre a pseudoimpressão de ondismos heteróclitos – repletos de meandros dedálicos.
 
    Alguns tipos de alunos estúrdios, por uma questão de poder aquisitivo, preferem MP3, MP4, MP5 etc. Usufruem, também, da mixagem extrapolante, que é expressa através do sistema acústico. Indefinem-se os ritmos, buscando os neófitos mistifórios, de maneira concomitante, audíveis e inaudíveis em determinados trechos da escala musical, sobremodo no que concerne o grau de compreensão cabalística – numa perplexidade variável no escalonamento abstracional de uma inatingível musicabilidade logogrífica.
    Em outro espaço da sala, reúne-se um grupo menor, que é o dos primaziados, cujas prioridades basilares, no melhor recolocamento, estão interligados e restritos aos seguintes dispositivos tecnológicos móveis: smartphones, iphones, ipad’s, tablet’s e demais aparelhos excêntricos, portadores de N aplicativos de comunicação ampla e altamente mutáveis.
    A perversão ocorrente através das variâncias de formas estrambóticas, individualiza o educando, principalmente quando ressumbram uma pseudo-atenção, e que proclama aos demais colegas o vocábulo atenção, de modo inerme, numa antinomia cabal de seu apanágio desatencional em todos os sentidos e direções estabelecidas.
    Quando o preceptor fala sobre poluição e suas catastróficas consequências, o educando aproveita o interregno para programar nequícias que vão de encontro a pessoas e objetos de pouca resistência e durabilidade.
     A desatenção, geralmente, ostenta suas raízes patológicas evidentes. Na disfunção cognominada aprosexia, – em seu grau de intermediação –, poderíamos palindromiar os laivos de um descomunal transtorno psicossomático, cuja terapia ficasse à mercê de uma série de tecnologias de repouso, as quais, oportunamente, serão aplicadas para atender aos proliferantes filoneísmos turbilhonantes manifestados, de modo globalizante, nestes cruentos dias de hodiernidade iníqua!
     Não se sabe ao certo o espaço de estremadura existente entre a desatenção proveniente de uma aprosexia, de uma abulia, ou, então, de uma patologia provocada, no exatório átimo em que se administra um chumaço de algodão, tamponando ambos os lados sensoriais dos ouvidos – esquerdo e direito.
     A sensória auditiva parecia paralisar, naquele ínterim, perante as obstruções forjadas, numa sindromia adrede, capaz de compungir o próprio especialista, após um súbito acabrunhamento recalcitrante!
     Jerivê, que era um descomunal tacanho, obsecrava, em nome dos colegas de turma, de maneira hipócrita, a devida atenção para com o professor Leopoldo, durante as suas aulas de “Ciências Naturais”. Nesse caso, é preciso ouvi-lo – diz outro educando, para que aprendamos as mais recentes tecnologias desenvolvidas no polêmico âmbito das experimentações científicas. Então, Lauriano utilizava apenas o sentido da visão, uma vez que a audição se encontrava, acintosamente, oclusa, com obliterações percucientes!...
     Naquele interregno obnubilado, a desatenção grassava em todos os sentidos e direções vetoriais. E o conteúdo, de tudo o que fora demonstrado, com perspicácia, ressumbrava um surto abrupto resultante da força midial, que nada tem a perder, visto que, de forma verossimilhante, costumara coligir provas cabais, desvelando um seriado de incúrias, as quais são reminiscenciadas em pleno ressaibo de um inclemente tempo dissipatório, estipulando um determinado valor pecuniário, redundando em ressarcimentos de porvindouras especulações de tantas outras situações...
     De fato, a desatenção sobrevém a partir do distar de plagas diversas. Lá, onde estão localizados esses tais “ministérios”, a pessoa do ministro assumirá, por inteiro, as acoimações aberrantes em todos os aspectos perquiridos acuradamente.
     O doutor Carrancas ob-rogara a lei que, ainda, estabelecia a exação do exame de admissão ao antigo ginásio. Desse modo falcatruoso, alguns docentes tentavam persuadir um grande percentual de papalvos, declarando a eles, deveras, que, na qualidade de lentes sensatos, perseverariam em permanecer com a adesão de continuidade ao processo seletivo para os alunos que concluíssem o “Curso Primário”.


                                   Wilson Cerveira

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