O sujeito diz uma determinada coisa a
fazer, tal como: “marcaria presença”. No dia em que o evento fora indicado, o
mesmo elemento palinodiou totalmente, e passou a asseverar: “não irei mais”.
Ocorrera, de fato, a ausência. Momento algum tomou a iniciativa quanto ao ato
de justificar-se, mesmo de modo embusteiro, engabelando a si próprio e ao outro
– que ficou como sendo seu ouvinte!...
O “X” pode avocar todas as datas, e na
última hora, com um cinismo a toda prova, retratar tudo o que se dissera posteriormente,
remarcando dia, hora e local. Insinua-se como se fosse capaz de perpetrar o
feito. De repente, refuta e revoga a frase que escrevera ou pronunciara – como
se não houvera dito: nem na mensagem de texto (acima rubricada), tampouco na
mensagem de voz (estropiada de modo cabal), gerando, de maneira concomitante
(estropícios e estrupidos).
Jamais conseguira persuadir o “Y” (em
constante estado de sujeito valetudinário enfermiço). As patologias respondiam
a gravidade dos males acometedores. Reiterava as ações, sobremodo as maléficas
e de amplo espectro deletério.
Os pregões terapêuticos estavam
direcionados à divulgação da droga, recentemente lançada pela “Indústria
Farmacêutica”, ainda com a denominação de amostra grátis, o único exemplar
infalível, pois se encontra em período de teste corroborativo.
O elemento “Z” intercomunica-se com o
elemento “K”, usando o seguinte pensamento externativo: “De onde falas, que
quase não percebo o eco melancólico de tua voz!... Creio que tua boca ainda
tenha lábios, para que possas me dizer, em cabal silencio da confissão
abscôndita, o que ainda, omericamente pretendes me exarar em surdina, mesmo que
eu tenha de me prosternar junto ao telúrico, numa apropinquação abrupta de
todas as minhas sensórias coligidas!... Gentilmente, caso seja possível,
desidero auscultar o retumbar da tua voz, quase em plena expunção!...”
As circunstancias despauteriais do
hodierno instigam a perquirição: “Estás doente? Tenho telefonado, e não tenho
sido atendido. Educadamente aguardo resposta”. Para complementar: “Estou a
estranhar a indelicadeza quanto ao ato de responder. Sempre o julguei bastante
educado. Fico no aguardo de uma reflexão e uma resposta convincente. O amigo do
hesterno, do hodierno e do crástino!...”
Hoje, de modo estapafúrdio, não se responde
mais nem as mensagens de aniversário. A culpa e a desculpa, ambas se restringem
na superocupação, que é, também, um tipo de distúrbio obsessivo compulsivo. A
pessoa, depois de algumas horas ou dias; ou meses, ou até mesmo ano; após ter
visto a mensagem anterior relacionado ao natalício, resolve abrir a seguinte:
“Pêsames pela tua desabridez, em decorrência de não teres respondido a mensagem
natalícia. De fato, você degeneresceu, e não percebeu a tempo de tentar dissimular
a sua demudação abrupta. Dificilmente, você terá o simulacro suficiente para
redarguir o que está sendo arguido por possível reconhecimento em cartório –
dizia reiteradamente o “Caburé”, apelido dado ao sujeito feio, desengonçado.
Mui implexo, ouvir-se o seguinte: “Apesar
de ter operado o olho esquerdo nesta manhã, não me esqueci da data do seu
aniversário! Parabéns, felicidades. Se possível, aguardo acusação de
recebimento”. O destinatário pode ser taciturno, ainda que não queira replicar de
imediato o que fora reenviado para ele. Sendo assim, amigo não é aquela pessoa
que faz alardeamento, mas a que você pode contar mesmo em cabal silencio. O
amigo de hesterno, do hodierno e do sempre crástino. A aplicabilidade, de modo
contundente, aflora na prostremeira e educacional requisição: “Donairosamente
requesto redarguimento premente”.
A pessoa recebe um telegrama indicando a
requisição de um livro. De posse do documento, a criatura desloca-se até à casa
do expedidor. Ao abrir-lhe à porta, em meio passo, sendo o esquerdo no
encetamento do vestíbulo; enquanto o direito posicionava-se no centro da
soleira, sendo guarnecido pelos umbrais laterais e superior. O telegrama
ostentava cópia confirmatória. Deveras, simbolizava uma completa deferência,
uma vez que o convidado não pudera comparecer ao evento, – para o qual fora
convidado –, tendo por natureza basilar o prisma da trilogia centurial: amizade
-> amor -> amizade. O abstruso antinômico e heteróclito, em que todos os
casos é sobrevir para a adequação do plano de épura.
A realidade espectral nestes cruentos dias
hodiernos, onde as demudações são diárias está alicerçada numa palinódia
constante. O ato de retratação passa a ocupar um local primaziado, visto que os
dispositivos eletrônicos, sem falta de retorno, aciona-se uma artificialidade a
toda prova de complementação.
É menos doloroso ter a inequívoca
presença, somatorizando todas as minudencias existentes, desde o ombro, parte
integral da cintura escapular até a prostremeira sentença da missiva, na qual a
criança, o adulto, o pré-senescente, e os demais senescentes – 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e
5ª etc fases, isto é, sentem-se entre o telúrico, o libratório e o
gravitacional.
Nem mensagens de natividade são
penhoradas; somente são respondidas quando palavras extremas vem complementar a
protérvia: “Meus pêsames pela tua questão de assunção da terminologia:
edudeseducacional em linhas que regulam a convergência, a divergência, o
reversível e o irreversível, todos esses parâmetros em amplo espectro
verificatório”!...
Que
realidade proterva nos agrilhoa por todos os lados; e, então, ficamos atônitos
perante as criaturas. Deveras, as mensagens que evolam dessas bocas, sem
lábios, não têm os mesmos caracteres de um pristino recente. Ostentam
demudações abruptas incognoscíveis, independente do quadrante referencial a que
se posicionam. Após sucessivas cominuições, umas partindo da direitura
esquerda, enquanto outras surdem de uma vacuidade inelucidável. Não há como
reconstituir essas efigies resseccionadas. A ablação de uma delas, por menor
que fosse, não compensaria a outra – em dimensão alguma – ainda que a
prostremeira remanescera em algum ponto abscôndito do prisma.
Não haveria meios de identificá-las, mesmo
estando em recintos herméticos, e tendo por perto a presença de testemunhas e
testemunhos. Destarte, voltariam em átimos de um crástino recente. Sutilmente,
expungiriam os estigmas expenditivos, não deixando sequer laivo capaz de
preencher as imanes vacuidades existenciais vigentes.
Ninguém assinaria o livro de ocorrência:
diária, semanal, mensal, trimestral, semestral, anual. É um único compendio
cuja divisão em partes, decerto, designará o sujeito ou o objeto, ambos em
compasso harmônico, ou cizânico, sendo do tipo binário, terciário, quaternário
etc.
As fraudes são incontáveis em todas as
páginas. Sofismas aduzem à vereda de muitas astúcias. Não há como contê-las,
pois minam assustadoramente em âmbito semicerrado, e, desse modo, não
proporcionando ensanchas ressumbratórias.
Obliteram-se as sendas postas no
crepúsculo ou no dilúculo, uma vez que as esfinges se proliferam em todos os
sentidos e direções vetoriais.
Wilson Cerveira
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