terça-feira, 29 de dezembro de 2015

AD-ROGADA PSICOLOGIA ESCOLAR ERRÔNEA

  Nos tempos de “Antanho”, na rigidez dos métodos da Escola Régia, obedeciam-se às regras do comportamento do aluno, desde o seu trajeto de casa até a escola, e vice-versa. Durante este interregno de tempo, a família exercia a sua voz de comando, independente de quaisquer outras circunstâncias que, no caso, poderiam advir repentinamente.
     Não havia acompanhantes e más índoles. Sem coleguismos adquiridos dentro e fora do ambiente escolar. Nesse tempo prisco, decerto, não se cobravam pedágios de passagem. Os riscos de contaminação eram bem menores e as digressões do comportamento humano não alcançavam proporções consideráveis.
     Quando fizermos uma analogia com os tempos hodiernos, não teremos inusitada vislumbração. Também, sem precisar fazer a ressumbração de algum esburnimento, detectar-se-ão vários subterfúgios deletérios. Desde os pregressos contatos viciosos até os que são cognominados de livre arbítrio. À margem das sendas meândricas, independente do lado – esquerdo ou direito – oferecem-se os mais diversificados tipos de drogas: lícitas e ilícitas.
     Deveras, o orbe vai se demudando, de modo degradante, sem suspeitar os limites dos que almejam alcançar alguma meta presente na rota das direituras previamente vislumbradas na qualidade de erro.
     Aplaudem-se as garatujas dos alunos, sobretudo nos pródromo escolares, como se os mestres fossem resolver os traumas, ou, então, evitá-los de modo profilático. Os discentes partem da ideia de aceitação, e dessa forma, não irão à cata de adendos para melhorar suas cacografias. Destarte, inumam o vocábulo “caligrafia”, porquanto jamais conhecerão a escrita bela. Com certeza, a grafologia aliada à grafotecnia, ambas servirão de penhor, justificando por todos os meios a escrita, visto que as letras são marcas da personalidade – diz calmamente a professora Judite. Com o estugamento abrupto, os aspectos literais vão se tornando ininteligíveis em todos os quadrantes minuciosos do amplo âmbito grafotécnico. Os alunos, com as páginas quase soltas, vão servindo de exemplo de maus tratos. Dobram-lhes as páginas, no sentido de frugalizar o espaço compreendido bilateralmente. A lógica manda um recado salutar, exarando as ensanchas de absorção do que se denomina de útil e progressivo.
     O centro de interesse passou a ser o erro perpetrado pelo próprio aluno, banindo por completo o senhorio do “Mestre”, notadamente no que se refere ao acerto, estabelecendo uma margem diferencial recrudescente. E, nesse caso, Paulo brada a Sérgio, de modo incessante, as questões erradas, primaziando-as com relação as corretas. Uma miragem ressumará erros em sequência, visto que a intenção, sem tartamudeios, é a de indicar o número de quesitos incorretos.
     Parece-nos, de maneira especiosa, a aclamação da psicologia do errôneo, porquanto, em dias hodiernos, não se computa mais o direito de acertar, mas, em sua cabal aparência, os deveres relacionados ao ato de desestudar (vai-se  desaprendendo o que se havia aprendido). Prova-se, por todos os meios, que a base é frágil – em todos os prismas  generalizantes – mesmo que se tenha de expurgar o inexpugnável. O âmbito cognitivo sucumbe a cada ano, de tal modo que não se percebe as sutis direituras do soçobramento.
     O discente não se preocupa com os afazeres da escola, desde que, sem destinação específica, busca outros meios de entretenimento. Um deles é a jogatina diária, recurso que o aduz ao fanatismo, constituindo um círculo vicioso agrilhoado, não deixando espaço para o divagatório. A mente assoberbar-se cada vez mais, acumulando várias tipologias derivativas.
      O professor dirige-se ao quadro de pincel, em plena vacuidade, já que o aprendiz está a manusear outro modelo de aplicativo, totalmente diferente do assunto abordado para o restante da turma, que também padece em função do binômio patológico: aprosexia e abulia. Não há como condená-los, visto que, sem hesitação, não respondem aos estímulos sensoriais de uma aprendizagem insalutar.
     O discente, de modo agruroso, arroga-se o senhor absoluto de todos os direitos contidos nos estatutos apaniguadores de jovens adolescentes, os quais buscam prerrogativas para os seus atos irresponsáveis; e, desse modo, olvidam os seus basilares deveres quanto aos exercícios e demais tarefas escolares.


                                       Wilson Cerveira

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