quinta-feira, 8 de setembro de 2016

CARACTERES ESCATOLÓGICOS

   Quem são esses abruptos que perpassam à margem dos ínfimos, das marginalidades, dos párias, das escorias e escroques inescrupulosos?!... Decerto, esses caracteres degenerativos ressumbravam em tempos prístinos – regentes e príncipes desta nossa história – repleta cabalmente de falaciosos caracteres escatológicos, que se tornaram incognoscíveis com o decurso inexorável do tempo – profligador infenso – de elevadíssimo poder de desmoronamento irreversível.
     Dona Caliene, persona de priscos longínquos, ao visitar-me aqui na chácara, tocou-me sutilmente na cintura escapular, para exarar-me o seguinte: Não elucubrei, e jamais saberia vaticinar, os postremeiros presságios desta humanidade, repleta de dessensibilizações e dessentimentos, que partem célere, em direitura às malévolas e intransigentes pegadas do velho marinheiro da destinação, que é um náufrago à demanda de uma coroa de areia, para que lhe servisse de ancoradouro, desde que os bancos de areia sempre guardaram entre si distâncias estabelecidas – conforme o trecho de mar, notadamente o que está sendo singrado em toda a sua extensão – sob a orientação das linhas horizontais ou transversais, assim como, sem perplexidade, a do eixo vertical, fazendo surdir, por premência decartiana, o eixo ortogonal, no qual poderemos determinar as estremaduras: ascendente e descente dos díspares eixos, quer sejam para cima ou para baixo; também como, da direita para a esquerda, ou vice-versa, solucionando a negativa e a positividade de ambos os tracejamentos descritos em quaisquer direcionamentos previamente traçados.
     Nos caracteres demudáveis, decerto, poderíamos reconhecer e acompanhar as nuances ocorrentes com o decorrer paulatino do tempo, que é, indubitavelmente, um aniquilador inexorável!... Destrói, como loba faminta, a própria oxidação do ferro e de todos os elementos existentes na natureza, independente da importância que ostente com relação ao relacionamento dos elementos químicos que fazem parte integral do questionável telúrico!...
     Os caracteres escatológicos não ressumam estigmas de identidade. Ao surdirem, vão, pouco a pouco expungindo as imperceptíveis marcas remanescidas através de observações vislumbradas em graves lentes de aumento.
     As obliterações seguem em sequência gradacional, como se estivesse a obedecer o ritmo deletério do tempo. Com o transcorrer dos dias, horas, minutos e segundo – a deleção vai se completando por inteiro – deixando uma vacuidade impreenchível em todas as direções e sentidos. O álbum temporal deleta vagarosamente todos os caracteres remanescidos nos arquivos mais acurados.
     As imagens promadas de díspares lembranças, – sem que se saiba precisar o átimo temporal ocorrente –, ressudam o mesmo enigmatismo inserido nas vetustas folhas de pergaminho – sem que os palimpsestos revelem os sigilos impressos no decorrer fugaz de todas as reminiscências coligidas ao longo do tempo de espera, malgrado não aparate os hieróglifos assinalados pelos historiadores, lídimos sujeitos compulsadores, em outros tempos de imane longinquidade!...
      Não se sabe a etiologia do enigma temporal!... Todos eclodiram, prototipamente, de caracteres diferenciais. Logo após, por meio de gradações espontâneas, uma cicatriz traduzível foi obiciando a devassa de tantas outras – sobremaneira as que se fizeram reconditadas nos retilíneos das raízes mais caquéticas...
     O apocalipse considera-os como sendo os encetamentos indicacionais do escatológico. A humanidade terá, indubitavelmente, a sua peroração. Nada ficará em latência exordial. Amanhã, decerto, virão outras efígies de menor ou maior complexidade!
     Ila-se, finalmente, em direitura ao que fora estimado preteritamente. Nesse caso, a incognoscível estigmatização, o crástino, em decorrência dessas numerosas delações comutativas. Então, a incognoscibilidade estará ocupando o interior e o exterior. Não haverá mais condições de distinguir o útil ao agradável, e vice-versa!
     As identidades deixarão de existir, pois, em todas as áreas do conhecimento humano, não se saberá de onde devamos principiar, uma vez que, sem perplexidade, as marcas reconhecedoras obliteram-se, vagarosamente, com a efemeridade das ações e práticas perpetradas nos interregnos dos ramerrões.
     De fato, será uma promiscuidade avassaladora, pois, no escatológico, de forma indubitável, a irreconhecibilidade abrangerá tudo e todos, e ficar-se-á numa situação – das mais implexas – não ocorrendo nenhum registro factual ou, então, de esboço fisionômico determinante. As imprevisões e as descomunais dúvidas tomarão conta de todos os espaços e entrelinhas, fazendo com que os interlocutores e seus aparatos fiquem à mercê do cabal enigmatismo!...


                                         Wilson Cerveira          

Nenhum comentário:

Postar um comentário