terça-feira, 18 de outubro de 2016

MESTRES E DOUTORES SEM CULTURA GERAL

    Se, hodiernamente, é paradoxo com referência ao ato de exarar a lídima verdade, não a podemos inumar, por vontade própria, a existência da “Cultura Geral”, nos célebres e inolvidáveis tempos de Antanho, o Mestre dos mestres, que ainda tive a ensancha de testemunhar nos meus tempos de mocidade!...
     Lauriela, conhecida na intimidade por Maricotinha, não ostentava a engabelação dos que aparatam uma especiosa polimatia. De fato, a senhorinha fora Professora Normalista da protótipa turma da “Escola Normal”. Deveras, nessa década capitólica dos anos quarenta, – cravados no memorial indelével do século XX, exatorialmente assinalada, com ênfase, nos ressumbratórios do encetamento palingenésico dos anos de mil novecentos e quarenta.
     Professora Maricotinha, chamada pelo pessoal do interior, não relegava os apetrechos utilizados no decurso da exposição das várias disciplinas – por ela ministradas. Quadro desarmável, aparatando um cavalete que o sustentava na região posterior como se fosse um esquadro triangular que o orientava, acuradamente, descrevendo a forma que o afixava no terço médio da parede, evocando um trapézio apoiado sob a colimação de um compasso semiaberto nos ladeamentos suplementares. Além disso, ressumava o material didático e disciplinar, com o intuito de manter, também, os diversos arquétipos utilizados nos átimos necessários ao ato de infligir os cautérios prementes.
   Estas normativas auxiliariam na manutenção do seu comportamento, de modo imprescindível, em sala de aula, aduzindo-o para o meio exterior – demonstrado pelo corporativismo de uma sociedade consumativa, mormente quanto ao gládio emaranhado do concorridíssimo – “Mercado de Trabalho”, – nestes dias hodiernos –, regidos  pelas mais fatídicas acrimônias e agruras obstinativas, ocupando todos os espaços traçados na divagação dissecativa dos trechos enciclopédicos compulsados ou esquadrinhados com expressiva minuciosidade.
     Realmente, a professora “Normalista”, em sua potestade eruditiva, buscava sempre a diversificação do conhecimento. Com certeza, predispunha-se a estudar, diuturnamente, as diferentes matérias – Português, Matemática, Ciências e Conhecimentos Gerais (História e Geografia).
     Utilizava-se no prístino a elucubração dos recursos apresentados pelos próprios professores ou mestres – sem que se dispusesse dos recursos tecnológicos, hodiernamente, ostentados no decurso explanativo das aulas teórico-práticas.
          A exausta professora do antigo “Curso Primário”, de modo acurado, estava sempre à cata de adendos ilustrativos para abrilhantar suas aulas. Fazia de cera, gesso, cartolina e demais aparatos, afinal, todo o material de que precisava para dilucidar as perplexidades geradas pelas aulas expositivas, abrangendo, somatorialmente, a Linguagem, Aritmética, Ciências e Conhecimentos Gerais (História e Geografia).
     Petronílio, o vizinho mais consciencioso, dizia para sua companheira Laércia, geralmente em linguagem confidencial, o seguinte: “Nunca conheci quem tivesse mais paciência com seus discentes, sem exceções, do que a ilustre Professora – Lauriela, epitetada de Maricotinha, mormente entre os amigos e, também, no ambiente familiar. Como é difícil suportar tanta algaravia em meio à tentativa de manutenção do educacional, exigido durante a ministração das aulas atinentes aos diferentes conteúdos da grade curricular do vetusto e saudosista – “Curso Primário”.
       De fato, a professora Normalista ostentava uma função polivalente, e, destarte, ressumbrava uma versatilidade a toda prova. Ela atendia as necessidades de uma clientela diversificada com relação a vários pontos de vista: assimilação dos díspares conteúdos ensinados por uma única mestra, excluindo quaisquer probabilidades concernentes aos atos de repulsa, pois, sem hesitação, tinham diante de si uma única educadora, com capacidade de ensinar-lhes várias disciplinas cujos conteúdos divergiam bastante. Deveras, haveria necessidade premente de portar uma cultura geral bem dilatada quanto ao âmbito do saber amplo, polimatizado, sem cerceamentos!
     Termina-se o “Ensino Médio”, sem que saibamos as preceptoras de suas destinações. Não é permitido o cincar reiterativo de mestres e doutores. A maioria opta pela letra disforme, pelas siglas e pelos criptogramas; já que, sem hesitação, dizem estar na era da cibernética avançada, sem estremaduras. Tentam justificar, de maneira falaciosa, a origem das escritas errôneas, imprecisas, em linha geral ininteligíveis; ao passo que, em caráter geral, sem lamentações, pois advieram das objurgações impostas pelo seu ex-professor.
     A partir dessa condição, o aluno poderia, com o decorrer do tempo escarmentoso, chegar ao ponto circunstancial de epígono. Dignificou-se o discente, em função da solidez demonstrada pela eficiência de poucos educadores nestes hodiernos dias agrurosos.
       De que maneira, mesmo sofrendo as influências nefastas das digressões, poderíamos auferir alguns estudiosos, com exceções assinaladas, portando em todos os ramos do saber, um pouco, sequer, de cultura geral. É, portanto necessário o conhecimento do encetamento basilar, para que, em termos de aprendizagem, possamos percucientar as díspares gradações eruditas já assimiladas durante a experimentação de novas erudições inteiramente úteis no depreender geral que estão à cata de inusitados adendos científicos e filosóficos, numa abrangência infinita. Aprendais a partir da premência de absorver novos conhecimentos, que, no crástino apropinquado, servirão para dimanar as amplitudes das inusitadas culturas!...
       Para que consigamos “Conhecimentos Gerais”, não importa nem deve haver quaisquer demarcações do tempo. O ato de estudar passará a ser contínuo, em quaisquer átimos diuturnos e noturnos. As perplexidades deverão ser dirimidas em quaisquer átimos de apreensiva depredação – de natureza exprobrativa. Fujamo-nos das extorsões produzidas pelos três conspurcativos poderes, onde um apoia o outro, no que concerne as dilucidatórias dos imanes óbices dispersos nos meandros dos comenos mais implexos – em meio aos revoluteios das sendas mais distributiva com relação ao ato espontâneo e volitivo de aprender as matérias, independentemente das necessidades de uso diário.
      Não se preocupava – o Dr. Licomedes – com a restrição das necessidades do ramerrão, mas trazia para si a cultura dos grandes clássicos, notadamente uma visão cabal sobre o orbe e sua desenvoltura prospectiva com relação ao que se denomina porvindouro!...



                                                                          Wilson Cerveira

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