quinta-feira, 15 de agosto de 2019

DESEDUCAÇÃO JUSTIFICADA




     Petronílio e Josefa tinham dois casais de filhos: dois meninos e duas meninas. Tanto as meninos quanto as meninas eram gêmeos univitelinos. Esses de crianças desenvoltas foram observando a deseducação ostentada pelos pais. Desde o assento na poltrona até os últimos pormenores!... Os pais davam sempre maus exemplos. Do sentar ao deitar aparatavam defeitos inaceitáveis, os quais, no porvir, iriam prejudicar os filhos.
     Petronílio sentava-se no sofá como se quisesse cair. Por trás do seu corpo, passaria um violão ou um violoncelo. O cóccix seria, no caso, o osso de amparo, remanescendo uma curvatura descomunal, abrangendo as demais regiões da coluna vertebral: cervical, dorsal, lombar e coccigeana.
      A mãe – dona  Josefa --, repetia, integralmente, o comportamento do marido, colocando sempre o cóccix como referência. Os filhos, também, começaram a reiterar o mesmíssimo comportamento defeituoso. Então, todos passaram a usar o cóccix – como o osso de referência, decerto, para anteparar os seus corpos no ato de sentar-se. As curvaturas aparatavam a mesma analogia. Irregularidades essas que iriam refletir, de modo mais recrudescente nestas crianças: Ladileu, Catileu, Ladiléa e Catiléa.
     Os demais hábitos aparatados pelos pais das quatro crianças, sem perplexidade, ostentavam graves comprometimentos. Um deles era o de meter indicador no nariz para remover o cerume acumulado. Após esta falta de higiene, Petronílio e Josefa não lavavam as mãos com sabão! Também, enfiavam os dedos da mão entre os dedos do pé, como se quisessem se safar de alguns pruridos mitóticos. Logo em seguida, sem higienização, pegavam os pratos e os talheres. Destarte, entornavam comida nos recipientes da mesa, exatamente, onde faziam as refeições. Além do mais, abandonavam a faca e o garfo, e, também a colher, indo comer com as próprias mãos sujas de impurezas. Dessa forma, adquiriam verminoses de diversos tipos; assim como, protozoários parasitas diversificados.
     Como é péssimo ter um casal de exemplos perniciosos! As crianças iam seguindo as mesmas mazelas repassadas por pessoas adultas, providas de cabal deseducação! A pior de todas as heranças é um mau exemplo, que é oriundo no encetamento vital. Essa má herança vai se difundindo aos poucos, contaminando todos aqueles que as assistem no limiar da vida. É tal qual uma epidemia sem freios, que se dissemina por todos os quadrantes ladeados à vida de cada criança, buscando sempre uma insensatez com percucientes estigmas!...
     Geralmente, filhos de pais capitalizados têm o suplantar de suas ações deseducacionais, com certeza, como se estivessem na prática do espairecimento de suas ações jocosas! Quando saem em correria, sempre serão chamados de atletas, e nunca, em tempo algum, receberão o cognome de ladrões!...
     Os pais utilizam seus aparelhos sanitários, de modo bisonho, acocorando-se sobre eles. Num descuido de uma porta entreaberta, lobrigam esses posicionamentos corporais – plantando  os calcanhares no lugar do assento. Dejetam como se fossem animais irracionais! Destarte, sem perplexidade, temos uma amostra deseducacional, que se tornou justificada devido ter como exemplo protótipo – os próprios pais.  E, dessa forma, indubitavelmente, ambos reforçam essa prática esdrúxula, deselegante e deletéria – sob todos os pontos de vista. De modo verossimilhante, a pior ou a melhor das heranças são os exemplos que nos são repassados pelos nossos ascendentes.
     Educação é um conjunto harmônico de regras. Em dias hodiernos, numa inversão cabal de valores malogrados – o erro passou a ser acerto; enquanto o correto tomou a configuração de errado!
     Difícil é compreender esse psicologismo patológico, uma vez que, em cada comenos, há um ressumbramento de natureza abstrusa, heteróclita e antinômica. Realmente, o menino ou menina saem de casa, em direitura à escola, aduzindo todos esses estigmas. Adentra ao colégio, e, pouco a pouco, vai desenvolvendo os maus hábitos trazidos do ambiente familiar, no qual, em sua totalidade, são vislumbrados os péssimos exemplos oriundos da maldita herança paterna!
     De repente, nada mais que de repente, Ladileu e Catileu (ambos gostavam de jogar bola); enquanto, sem hesitação, Ladiléa e Catiléa (ambas apreciavam o ato de brincar com as mais requintadas bonecas eletrônicas). O casal Petronílio e Josefa olvidavam o rebuscamento existente numa época em que a tecnologia mandava, através dos seus repimpados recursos, de ponta a ponta, nos esfíngicos meandros de uma “Era Cibernética”.
     Prematuramente, as crianças avançavam o curso dessa parafernália tecnológica..., pois iam revelando os intrincados mecanismos presentes nesses brinquedos ostentadores da mais proeminente arrancada do labiríntico orbe dos brinquedos deslumbrantes!...
     Sim, não tenhamos nenhum arquétipo de perplexidade, em exarar que elas riem e chorem ao mesmo tempo, simbolizando a unificação da vida com a morte. Afinal, sem dubiedade, partem em direitura a inusitados artifícios eletrônicos, os que ressumbram a manipulação harmônica de todos os aparatos interligados por meio de uma imane tecnologia reinante. Os pés acabam por se movimentar livremente, acompanhando o cadenciamento dos membros superiores – formando, dessa maneira, um só arquivo funcional reinante.
     As atitudes dos pais ficavam à cata daquela condição de ser humano. Ressumbraram-lhes os perfis desses ciborgues altamente expressivos. Orientam todos os seus comportamentos – do mesmo modo – cabendo entre os espaços imanes. Outrossim, discentes e docentes ficam perplexos; pois, eles têm diante de si a imagem extenuada de um ciborgue: organismo cibernético, ser humano biônico: meio humano, meio máquina. Destarte, vamos caminhando numa vereda comutável em todos os sentidos e direções existentes!
     Em casa, as crianças continuam a receber o mesmo fluxo negativo. Banheiros com portas abertas. Os pais acham que devam desvendar, prematuramente, os enigmáticos melindres corporais. Desse modo protervo, pais e filhos acabam banhando juntos. O desnudamento é copioso, em sua totalidade, sem que percebam a doação da má herança do pior exemplo. Pois, não adianta precocidade, uma vez que, sem dubiedade, a vida vai sendo ressumada conforme o tempo de crescimento contínuo. Salacidades são meios deseducacionais perigosíssimos!... E é de bom alvitre declinar o seguinte: cada coisa tem o seu devido tempo!
     A voz a ser retumbada é uma só: quero vê-los a estudar diariamente, marcando, no mínimo, uma hora para cada disciplina, e que sejam mantidas de acordo com suas prioridades emergenciais, em que concerne aos mais diversificados e implexos concursos públicos.
     Petronílio e Josefa têm uma loja variegada com relação aos mais esdrúxulos artigos e especiarias. É um comércio que vende um pouco de tudo! Ressalte-se que o bombom ioiô está presente, sendo amarrado por um elástico, facilitando a jocosidade de quem o impulsiona para frente e para trás, num ir e vir constante, e que, de maneira concomitante, disputa com o colega...
     Todos os colegiais queriam comprá-lo, como se fosse algo sumamente necessário e imprescindível com referência ao que devamos participar. Lá, também, tem balões, pipas, fogos artificiais e tantas outras especiarias ostentatórias. Então, não percamos a ensancha, pois, a vida é curta e surpreendente. Quando pensamos que estamos aqui, estaremos, decerto, lá; bem longe, buscando sempre um equilíbrio para viver sob a égide alumbrática da “Divina Providência”.


                                                                  
                                                                  Wilson Cerveira Marques                           

    




Um comentário:

  1. O artigo nos remete a uma boa reflexão acerca dos valores imateriais que estamos deixando para nossos filhos.

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