quinta-feira, 18 de abril de 2024

A DESORDEM ORDENADA

 

     Elesbão, somente ele, sabia ordenar a desodernação aparente para tantas outras pessoas, as quais perlustram o seu quarto através da translúcida vidraça. Apenas o proprietário tinha o direito de abri-lo.

     O segredo estava no cadeado. A qualquer hora do dia e da noite, tinha acesso livre para adentrar no seu aposento, com a finalidade de encontrar realmente o que estava à procura. Para tanto, não precisava de lamparina. Os objetos pequenos, médios e grandes estavam em seus respectivos locais.

     Ninguém poderia evagar as diversificadas elucubrações reinantes. De fato, Elesbão não herdara dos seus ascendentes o somatorial das mais enigmáticas ressumbrações. Comprovadamente, era um caso ímpar – nunca antes visto.

     É uma antinomia ou paradoxo o título deste artigo.  De quando em quando, a polemica surdia numa roda de pessoas que perquiriam o impossível quanto aos diferentes graus de complexidade.

     Lúcio, que o conhecia desde os bancos escolares, jamais poderia confutar as propriedades particulares e intrínsecas do seu amigo de longa data; pois, já passava de meia centúria. O tempo, todos sabemos, é inexorável em gênero, número e grau. As manhãs, tardes e noites são fugazes em todos os âmbitos da vida: racional e irracional!...

     Não havia presunção capaz de aquilatar as variegações presentes em ambos os quartos. Os espaços eram preenchidos por objetos de tamanhos e formas divergentes. Os binóculos serviam para dimensionar as diferentes desordens ordenadas quanto ao posicionamento de colunas e linhas. De fato, não haveria desigualdades comprovadas neste basilar reiterativo quanto ao perpendicularismo e horizontalidade!...

     As visões tornavam-se turvas quanto ao grau de aclaramento a uma certa distância... Jamais conseguiriam ressumbrar os pontos de emergência que se formariam; já que dispunham de focos remanenciais a uma determinada distância!...

     As regiões basilares formar-se-iam após os respectivos pontos demarcados pelos aclaramentos surgidos durante os respectivos pontos deixados à mercê de curvaturas ao longo de uma trajetória enigmática formada por demarcadores!

     As lentes poderiam aumentar ou diminuir os espações deixados nas entrelinhas dos vãos e desvãos a serem observados a cada estudo realizado ao longo das trajetórias... De fato, poderemos perquirir as perlustrações emanadas todas as vezes que buscávamos as orientações declinadas ao longo de minudencias remanescentes!

     O que parecia ser desordem para um deles; certamente, mostrava-se por ordenamento para o outro. Sendo assim, as inversões de posicionamento e tantos outros referenciais ressumbravam uma maneira de vislumbrar ou lobrigar diversos modos de apreciações já vistos em experimentos prístinos.

     Poderíamos traçar um esboço que mostrasse o hesterno, o hodierno e o crástino. As linhas e os tempos gastos deliberavam as sequencias de acordo com o que fora expresso minuciosamente!...

 

 

 

 

São Luís, 02 de março de 2024

Wilson Cerveira

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