Revendo os pontos
reminiscentes do prístino, encontrávamos casais em que o homem e a mulher
ostentavam comportamentos cabalmente paradoxais, bizarros ou heteróclitos!...
Nessa época, o juramento matrimonial
aparatava características lidimas, indeléveis, incólumes. Assumia-se, decerto,
até o peremptório da vida de ambos sobre a face do telúrico – por mais
amaríssima que fosse a situação vivida, experimentada e sofrida.
A mulher dos tempos de Antanho, sem
hesitação protraída, dedicava-se inteira e exclusivamente aos afazeres ou
azáfamas da domesticidade. Também, é de bom alvitre exarar, com convicção, que
não arredavam os pés da casa – sequer um segundo; pois, estaria descumprindo
com o abjuramento do casamento. Segundo os padrões do prisco, e, entrementes,
vinha logo em seguida o justo acerto – com a produção de descendentes.
Igualmente, a quantidade de filhos
dependia, com exclusivismo, da educação do casal, isto é, a qual fora
ministrada nos primórdios vitais. Assim sendo, fazia-se nascer, com a graça do
generosíssimo Deus, ora um menino ora uma menina; os quais portavam informações
genotípicas e fenotípicas dos seus ancestrais.
Caso, sem maior hesitação, o casal fosse
estéril, ambos partiriam para as respectivas casas de seus pais. No pretérito
era inadmissível a ausência de filhos após o casamento. Essa obrigatoriedade
gerava uma series de conflitos incontroláveis...
O trabalho do pai de família era efetuado,
no passado, fora de casa, ocupando quaisquer serviços ou trabalhos, os quais
dessem pecuniariamente para sobrevivência familiar.
Hodiernamente, com muito paradoxismo, a
mulher graduada em promotoria, juizado, desembargadoria ou quaisquer outros
cargos que aparatam pecúnia elevada; ela resolve, então, assumir a casa por
inteiro, fazendo do seu marido, de maneira cabal, um prestador de serviços
domiciliares. Nesse caso, ele é quem fica em casa, obedecendo a todos os
ditames. De fato, ele acata as manobras propostas pela sua própria esposa.
Realmente, lá fora, jamais conseguiria levantar um ordenado equivalente ao
domiciliar.
Para que cuides de nosso filho
recém-nascido, dar-te-ei dez mil reais todo final de mês. Além do mais, se
quiseres cuidar também da casa, assim como do preparo da nossa alimentação,
depositarei mais quinze mil reais na tua conta, somatorizando um total de vinte
cinco mil reais...
São Luís, MA,
15 de novembro de 2023
Wilson Cerveira
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