domingo, 15 de fevereiro de 2026

GATOS SURPREENDENTES

        De fato, a verdade é outra; pois o que surpreende é a evolução avassaladora; e, não são os gatos existentes neste hodierno heteróclito!...

     A Chane, nome da gata que criamos desde o período de recém nascida. Outrossim, a encontramos na soleira da porta da rua. Então, providenciamos colocá-la para dentro de casa. Nesse caso, não haveria outro jeito de acomodação.

     Adotamos, exatamente a que ressumbrava fisionomicamente o aspecto cabal de abandono irrelevante. Nesta ensancha, improvisamos uma mamadeira com bico verossilhante a um mamilo. Sabemos que todo animal, quer seja irracional ou racional, alimenta-se de leite nos três primeiros meses de vida.

     É necessário perscrutar as origens percucientes dos gatos, buscando, geneticamente os seus precedentes, para que possamos fazer as devidas análises de diversas verossimilhas!...

      O ambiente, quem sabe, pode caracterizar alguns comportamentos excêntricos aparatados pelos gatos, notadamente os que vivem trancafiados em casa. Outra maneira, é percebida por aquele que é solitário, não tendo o aconchego de outro gato ou gata.

     O dono ou dona do animal, por acaso, termina determinando o tipo de ração que deve ser comprada para o bichano ou bichana. A mais apetitosa é a gelatinosa, que é a mais onerosa e fácil de ser deglutinada pelo gato, que é o primo de terceiro grau da onça.

     O comportamento do bichano fica coeso ao seu proprietário. Sendo assim, não há hesitação que possa dizer o contrário. Qualquer pessoa estranha que surja no ambiente...

     As linhas sensoriais convergem para pessoas que convivem com o gato. Assim sendo, não há estranheza. Se nesse ínterim surgir uma criatura portadora de caracteres bizarros, o bichano desaparece instantaneamente, onde não há olhos capazes de vislumbrá-lo na trajetória de fuga.

     Realmente, os gatos possuem linhas sensoriais aguçadas, sobretudo aqueles que convivem nas casas isoladamente. A falta de um companheiro ou companheira – fortalece o apego com relação as pessoas que estejam a servir esses gatos de companheirismo diuturno.

     A olfação parece ser de boa marcação. Assim, sem sombra de dúvida, os gatos partem para os locais em que essas pessoas ocuparam durante aquele ato de visitação provisória. Basta observar as linhas trajetoriais deixadas por aquelas criaturas!

     A despeito da visão ser de primeiríssima qualidade – faz com que eles caracterizem os objetos ou as pessoas a uma determinada distância. Desse modo, quanto maior a escuridão do ambiente, os gatos conseguem enxergar com maior nitidez tanto as pessoas como os objetos presentes naqueles recintos.

     Eu tinha apenas onze anos de idade, quando presenciei as investidas de um gato preto, o qual criamos desde o período de nascença. A comida da nossa casa era verossimilhante a do vizinho.

     Outrossim, havia também um gato de pelugem preta. O bichano de nossa casa preferia fazer a ginastica, e, então pulava o muro de altura mediana para comer da mesma carne frita – a qual fazíamos ao acordar do dia seguinte.

     Nesta ensancha, recebíamos diversas reclamações do vizinho Eurico - um espírita muito educado em tudo que exibia: falava baixo, blandiciosamente, como quem procura no olhar do outro uma justificativa plausível.

     Neste comenos, o Hildebrando disse-lhe: tenha calma, irei castigar este mal bichano, aplicando-lhe uma objurgação ou escarmento de afastamento bem distante, impossibilitando o seu regresso à casa que o protegia das intempéries...

     O Hildebrando falou com o Izidoro. Perguntou-lhe o que faria com a destinação do gato. Assim sendo, compraria dois sacos de estopa, a fim de que conduzisse o gato. Sabemos, sem perplexidade, que as diversas espécies de gato aparatam uma sensória invejável!...

     Ambos os sacos servirão para obstacular a trilha que será percorrida – da casa, situada na praça cognominada ‘Igreja da Matriz’, até o ponto convergente que fazia a direitura com relação a ‘Praia da Itatinga’.

     Somente neste balneário, abriria as bocas dos dois sacos, para que o gato – ladrão de comida da casa alheia – pudesse reaver a sua liberdade – que fora bloqueada ou obstruída durante aquele percurso cabalmente escermentoso.

     Izidoro recebeu a pecúnia do serviço realizado. Outrossim, conferiu amiúde as dez cédulas de cinco reais, enfurnando-as no bolso esquerdo da calça, dando a falsa impressão que iria lacerar a costura. Dessa maneira, que parecia jocosa, amarfanhava a quantia em dinheiro que recebera pelo serviço realizado!...

     Eurico, Hildebrando e os demais vizinhos estavam álacres pela retirada do bichano, o qual foi cognominado de “gato ladrão de comida”.

     Quem diria do seu reaparecimento no sétimo dia!... Ao abrir a porta que dava para a rua, o bichano adentrou à casa que o abrigava por uma década. O que mais impressionou o vetusto espírita Eurico foi uma percuciente tristeza que ressumbrava em ambos dos seus olhos azuis como o firmamento – o céu de Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo.

     Esses bichanos, hodiernamente, têm sido encontrados no interior das casas dos seus respectivos donos. Os que vivem na rua, terão seus dias contados, pois as rodas dos automóveis velozes faziam com que eles morressem prematuramente.

     A gata da nossa casa, uma vez que moramos num dos apartamentos de um edifício de dez andares, revela comportamentos bizarros, nunca dantes ressumbrados em outros gatos da vizinhança periférica!...

     A Chane, de modo heteróclito, passou a gostar de comer abobora, tomar leite gelado e outras preferencias excêntricas. A minha mulher Maria do Socorro, geralmente, acorda com os miados da nossa gata Chane.

     Fica a se enrolar nas pernas da Socorro, caminhando em direitura à cozinha, que é acoplada a um depósito ou despensa de armazenar diversas qualidades de alimentos saborosos!...

     A nossa Chane é surpreendente em tudo o que se possa evagar. A elucubração transpõe barreiras de ferro e chumbo – de altura imensurável – jamais alcançada por um ser vivente: animal racional ou irracional, não importando o seu tamanho: pequeno, médio ou grande.

     A árvore de Natal que armamos todos os anos era apreciada pela nossa gata – de modo intocável. Agora, que ela está na senescência celular, sofrera uma metamorfose degenerativa irreversível...

    Neste ano de 2026, em que ela completa quinze anos, resolveu, por conta própria, desarmar a árvore de Natal, retirando diariamente de uma a três bolas, indo em seguida atrás das mesmas, chutando-as para bem longe.

    Essa Chane a cada dia nos surpreende diante comportamentos cabalmente heteróclitos em dias hodiernos!...

 

 

 

 

 

 

São Luís, MA, 08 de fevereiro de 2026

Wilson Cerveira

 

 

6 comentários:

  1. Anônimo15/2/26

    Seu Wilson boa tarde.
    Os gatos são assim mesmo. Surpreendentes.
    Mais surpreendente é a longevidade da sua gata Chane.
    Os gatos normalmente vivem até os 12 anos.

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    1. Anônimo26/2/26

      Bom dia seu Wilson.
      Esse anônimo que lhe deu boa em 15/02/26, sou eu, seu amigo Alberto da Silva Raposo.

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  2. Parabéns 👏👏👏👏👏

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  3. Anônimo15/2/26

    De fato são animais surpreendentes parabéns Sr Wilson por este artigo tão primoroso

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  4. Anônimo16/2/26

    Parabéns, Wilson Cerveira, pela riqueza vocabular textual, dentre outros aspectos.

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  5. Anônimo18/2/26

    Caro amigo Wilson Cerveira Marques, esplêndido e colossal o seu rebuscado artigo sobre a gata Chane..
    O amigo Isael Silva

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