Dr. Dilermano tinha por hábito, desde a mocidade, dormir
a partir de 19h até 00h. Meia-noite em ponto, o doutoríssimo despertava, ainda
bastante estremunhado, com objetivo de estudar e pesquisar vários compêndios
atrelados aos díspares âmbitos da cognoscibilidade. Fazia, também, incursões no
campo da Matemática e da Física, malgrado tivesse por formação específica a
ciência médica.
O doutoríssimo
incorporava os elementos gráficos como se estivesse polemizando com eles, numa
coalescência marcante quanto ao binômio: aprendiz e conteúdo. Empolgava-se diante
das equações não-integralizáveis. Parecia querer, a todo custo, encontrar
solução para o insolucionável. O entusiasmo ascendente e a enorme força de
vontade aduziram-no a vencer os vários óbices encontrados nos livros,
envolvendo diferenciais e integrais, experimentadas em estágio avançado do
conhecimento das ciências exatas.
O polímata
dividia o seu tempo de perquirição erudita, dispondo de sessenta minutos para
cada disciplina. Sentia-se, após trinta anos de graduação, o indivíduo
necessitado quanto à aprendizagem de novos conhecimentos científicos, mesmo
sendo, apenas, no parafraseamento teórico; pois, não havia mais tempo
suficiente para montar os inusitados e labirínticos experimentos práticos, os quais
requerem insumos caríssimos e instrumentos de elevada complexidade e abastado
capital aquisitório.
No encetamento do
dilúculo, precisamente às cinco horas, tomava banho, ou, então, fazia ablução
dos cabelos que lhe cobriam o sincipúcio e as regiões laterais da cachimônia.
Nesse interregno bem proporcionalizado, não se esquecia dos elementos que
deveriam ser inseridos em sua indumentária rotineira. A primeira peça que
vestia era a ceroula, e, logo após, introduzia o colan, incorporando-o através
dos membros inferiores, para que o acomodasse no ângulo distal de ambas as
coxas, no preciso recôncavo inguinal, dando sustentação ao aparato genitálico.
A terceira peça
do vestuário constava de dois pares de meia grossa, um metido no outro, para
proteger-lhe a sola dos pés contra a umidade, notadamente nos dias de chuva
intensa. Em sequencia, calçava um sapato de couro com sola de borracha. Por
último, recobria-o inteiramente, por meio da introdução de um par de galochas.
Assim sendo, proteger-se-ia contra a umidade, e, também uma possível virose
gripal.
O conflito
existente no ato de vestir-se bem equipado, capa sobre capa, requeria o
prosseguimento dos demais componentes do guarda-roupa. Logo, sem dilação, seria
apetrechado por uma calça de linho branco, desses linhos em que o
amarfanhamento preconiza a lidimidade do produto em voga. Assim, lutaria para
manter a calça à altura do cós, deixando-o menos tenso, já que resolvera
reaprender o que estava em latência parcial. A calça era feita sob medida pelo alfaiate,
deixando alguma outra ensancha nas fimbrias, visando, desse modo, quaisquer
eventualismos. Pedia ao costureiro que fizesse bolsos internos nas calças,
principalmente no espaço de fazenda que recobria a parte superior da região
pubiana; assim também, para complementação, mandou confeccionar bolsos
longitudinais nas laterais internas do tecido que revestia as coxas e pernas.
Doutor Dilermano,
astuto no ato de dispor os objetos, saberia localizá-los nos respectivos vãos
saculiformes da fazenda, consoante a necessidade premente do uso. No caso da
lanterna, situá-la-ia, de modo privilegiado, na lateral da calça correspondente
à mão destra. Enquanto o rádio de pilha, próprio para a utilização de notícias,
colocá-lo-ia no nível mais abaixo, pois a retirada desse objeto não
necessitaria de tamanho açodamento por parte do precatado médico, que também
era um pesquisador estrênuo no âmbito generalizado do conhecimento humano, com
especificidade o científico.
Wilson Cerveira
Parabéns pelo texto, gostaria que você escrevesse sobre a educação brasileira...
ResponderExcluirAbraço!
ESCREVEREI,POSTERIORMENTE, UM LIVRO!..
ExcluirTodo esse aparato, morando em no Maranhão? Quando de um aperto fisiológico, como se atava?
ResponderExcluirBoa tarde caro Wilson.
ResponderExcluirMeu caro é impressão minha ou a principal característica deste personagem é o metodicismo?
Grande amplexo.
Erinaldo
A DIRETRIZ FAZ PARTE INTEGRANTE DO SISTEMA EDUCACIONAL EXATIVO DO PERSONAGEM EM TELA. WILSON CERVEIRA
ExcluirA discrição nos mostra que o personagem ora citado é super métodico, talvez um tanto meticuloso.Toda essa postura , determinadas atitudes,demonstram resquicios de situações
ResponderExcluirque o incomodaram na infância.Quando adulto eis o reflexo
que aflorou permanentemente.