sábado, 16 de junho de 2012

A DISSONÂNCIA DA IMAGEM ESTROPIADA --- PARTE III


    Geralmente, as imagens se locupletam em vários ângulos e dimensões. Tanto assim, para melhor afiguração, alguns ícones se interpõem; outros se sobrepõem; vários correm em linhas paralelas, visionariamente concêntricas, como se fossem dar cobertura ao imaginético disposto em série parametral. Ao passo que, de modo abscôndito, diversas formas visuais representativas se acoplaram de tal maneira, quase de modo esquipático, devido aos espaços exíguos circunscritalmente, onde jamais caberiam no insulamento, pois não mais conseguiriam manter as suas reais características idiossincrásicas.
     Agora, sim, as imagens se superpõem num obscurantismo ininteligível. Também, elas se pospõem diante de anteposições fantasmagóricas, formando prismas enigmáticos, mormente na penumbrez do controvés esfíngico, aparatando especiosidade projetada em sentido de pentadimensionalidade restrita em todos os planos vetoriais plausíveis.
     Malgrado a imagem começasse a andar com as suas próprias pernas, já se sentia o abrupto contato do dinamismo iconográfico, cada vez mais apurado, transposto para a tela cinematográfica.
     Alguns educadores começam a lobrigar o imane potencial do cinema como instrumento de comunicação a ser utilizado no ensino público. Estava havendo refocilamento no Brasil da idéia, por mais estrambótica que parecesse, de progresso reinante quanto a execução da imagem centrada nos milhares de telões cinematográficos existentes de norte a sul.
     A princípio, em 1937, o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE) foi encarregado da produção, aquisição e importação de filmes, para distribuir cópias à rede de ensino em todo o país.
     Além do incentivo ao cinema educativo, que ganhou ainda mais força com a criação do Departamento de Propaganda e Difusão Cultural ( DPDC), o Estado Novo assegurava a obrigatoriedade de exibição de longas metragens nacionais, e o subsídio para a importação de filme virgem, muito solicitado nos anos de 1930. Por essas e outras, houve o fortalecimento de um mercado produtor e consumidor interno. Surgiram as primiciais chanchadas e algumas experiências de criação de estúdios organizados em moldes presenciais, como a Cinédia (1930) e a Atlântida (1941). A primeira foi berço dos musicais carnavalescos de Carmem Miranda, “Alô, Alô, Brasil” (1935) e “Alô, Alô, Carnaval” (1936). Já a Atlântida nos deu Oscarito e Grande Otelo. A crítica torcia o nariz, mas ninguém, em sã consciência, perdia “Carnaval no fogo” (1949) ou “Aviso aos navegantes” (1950).
     Segundo Calístene, o otimismo era grande. Em 1949, o estúdio cinematográfico Vera Cruz abria suas portas. Era o maior investimento já feito no setor. Fundado em São Bernardo do Campo (SP) pelo produtor italiano Franco Zampari e pelo industrial Francisco Matarazzo Sobrinho, a Vera Cruz possuia estúdios com cerca de 100 mil metros quadrados, além de equipamentos importados de última geração. A preocupação, em princípio, estava no acepilhamento da imagem, uma vez que, em estado de píncaro, ostentava todo o dinamismo de uma cena observada desde o primogênito átimo, até que chegasse ao postremeiro acionismo basilar.
     A empreitada cinematográfica trouxe Alberto Cavalcanti, cineasta brasileiro de fama mundial, de volta ao país, e produziu ao todo 22 filmes, do melodrama “Caiçara” (1950) ao musical Tico-tico no fubá (1952), passando pelo drama histórico “Sinhá moça” (1953).


                                                    Wilson Cerveira

Um comentário:

  1. José Araújo17/6/12

    O cinema é uma das expressões culturais de um povo.Ora revela talentos ora retrata os dramas,costumes e aventuras de uma nação.

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