sábado, 30 de junho de 2012

REMINISCÊNCIAS DO AMIGO OFTALMOLOGISTA -- Dr. FRANCISCO FERNANDES


     Vislumbrei-lhe a imagem desde o primeiro dia de aula: 01de março de 1967, no vetusto “Colégio Maristas”, ano em que cursávamos a 1ª série do curso ginasial. Digo isto baseado na razão da herança quantitativa, capítulo da genética que dilucida e corrobora a plausibilidade existente na distinção dos extremos, tendo por parâmetro à altura do indivíduo. De fato, o colega – Francisco Fernandes era o mais alto da turma “C”, com relação ao somatorial de trinta alunos.
     Aproximei-me dele, na segunda semana de aula, e lhe fiz a seguinte perquirição: estás a conhecer há quanto tempo este estabelecimento particular de ensino? --- De imediato, sem hesitação, redarguiu-me que houvera adentrado ao Colégio Maranhense dos Irmãos Maristas, em 1962, ano em que cursara o primeiro ano do antigo “Curso Primário”. E, no decorrer de nossa dialética, disse-lhe que tinha vindo de Alcântara, para submeter-me ao exame de admissão, já que eu não havia cursado o “Primário” no Colégio Maranhense; e, sim, no “Inácio Raposo”, situado em Alcântara – MA.
     Os Irmãos Maristas impuseram duas condições basilares e imprescindíveis para que o discente se eximisse do velho exame de admissão ao antigo ginásio: uma, era de ter feito o curso primário no próprio colégio religioso; a outra, de modo indubitável, seria a acedência da aprovação por média, cujo valor numérico correspondia a sete, obedecendo, desse modo, as normativas regimentais do respectivo educandário cristão.
     Outrossim, fomos colegas da mesma turma, durante os sete anos que estudei no Colégio Maristas, isto é, de 1967 até 1973. No decurso desse período, mostrava-se sempre dentro das morigerações educativas, tanto como pessoa quanto na qualidade de estudante, desses que cumpriam com os ditames escolares, realizando os exercícios cognitivos impostos. Destarte, conseguia beneplácito sob a insígnia de honra ao mérito, com direito ao usufruto de medalhas condecorativas.
     Em princípio, pertencíamos a mesma equipe, e tínhamos por objetivo singular a organização sistematizada dos assuntos a serem pesquisados. E, em adendo aos demais apontamentos, dispúnhamos de fontes fidedignas, tais como: as consagradas enciclopédias, uma vez que os meios cibernéticos não eram utilizados aqui, nas escolas de São Luís do Maranhão, mormente nos nossos tempos de juventude estudantil.
      Vespertinamente, duas vezes na semana, de modo amiúde, às terças e sextas-feiras pertencentes ao segundo semestre, entre os meses de setembro a dezembro, eu passava pela residência do Francisco, visto que, nesse interregno, ele já residia há bastante tempo na “Travessa da Passagem”, no Centro Histórico de São Luís; enquanto a minha singularíssima pessoa, recém-chegado de Alcântara, morava na Rua Basílio Franco de Sá, nº 142, antigo “Beco do Burgo”, atinente ao tradicional arrebalde de São Pantaleão.
     Antes que saíssemos, -- dona Elvira --, a senhora sua mãe, servia-nos suco natural de uvas, sempre buscando uma variedade díspar, com a finalidade de agradar as nossas papilas gustativas.
     É de bom alvitre exarar o seguinte: sempre fomos bons companheiros, e nunca houve a intervenção nefasta do desavir. Então, mantínhamos uma certa cordialidade, através dos ensinamentos que nos foram ministrados na casa paterna.
     Reencontramo-nos após uma década de ausência, pois ele tinha saído para realizar residência médica em oftalmologia; enquanto eu, já formado em Farmácia-Bioquímica, preparava-me para fazer Pedagogia, e, posteriormente, Ciências Biológicas.
     Dr. Francisco Fernandes resolveu, em seguida, ficar, aproximadamente, cinco anos em Imperatriz, e, somente depois veio fixar consultório oftalmológico na Rua dos Afogados, em São Luís - MA, nas proximidades do meu novo endereço: na Rua de São João, antiga Treze de Maio.
     Eu, minha mulher e minha filha passamos a ser seus clientes semestralmente. Atendia-nos sempre, de modo donairoso, buscando vagamente algum assunto extra, o qual se relacionava à época colegial, em que éramos felizes e não sabíamos.
     Quando publicava os meus livros, geralmente, fazia-se presente na ânsia de adquirir meu novo compêndio. Caso não fosse por algum motivo superior, comprava-o no interior do seu próprio consultório oftalmológico.
     Finalmente, quero vocacionar que desde o dia 06 de junho de 2012, atendendo aos desígnios da Divina Providência, prestou-nos a cerimônia da eterna despedida, indo estudar a geologia dos campos santos.

                                                   Wilson Cerveira

2 comentários:

  1. Anônimo30/6/12

    Wilson Cerveira, além de um escritor talentoso, cultiva o excelente hábito de cultivar as amizades e prestar homenagens aos fraternos companheiros dessa longa estrada que é a vida.
    Um grande abraço do amigo Carlos Henriques Guimarães Medeiros.

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  2. Thaís2/9/12

    Olá Wilson Cerveira,
    Me chamo Thaís, sou filha do Dr. Francisco... Muito obrigada pela homenagem e amizade! Abraços

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