sexta-feira, 24 de maio de 2013

ANTINOMIA DA MATÉRIA EM DETRIMENTO DO ESPIRITUAL E DO PSICOLÓGICO


    Geralmente, em tempos hodiernos, as pseudo-atenções servem de substrato rotineiro, principalmente quando encontramos as mesmas pessoas com as quais convivemos. E, nesse ínterim, disponibilizam os vários números de celulares, também chamados de dispositivos móveis, contendo diversos chips em cada aparelho.
    Algumas dessas criaturas chegam a fazer os testes de remetência e de recepção: um elemento aciona para o telefone da outra pessoa, estando em sua presença real, e vice-versa. Após, entreolham-se demoradamente, como se aquilo fosse uma verdade em prossecução. Uma diz para a companheira do amigo, usando uma tonalidade estentórica: doravante, não perderemos, decerto, nossos contatos! Precisamos reatar a nossa amizade! A que escuta fica impressionada diante de tanta gentileza nostálgica!...
    Ao chegar a casa, na intimidade do quarto, tendo o travesseiro por anteparo, o Antonito pôde dar luz ao velho candeeiro de lâmpada vermelha, localizado num ângulo esguelhado, em correspondência transversal ao espaldar mais proeminente da cabeceira do tálamo.
    Em prosseguimento, põem outros meios eletrônicos à disposição dessas personas, há muito tempo ausentes do convívio de trabalho. Ei-los, então: g-mail, hotmail, Yahoo etc. Também, colocam em tela as redes sociais vigentes: Skype (MSN), Facebook, Whatsapp, Google+ etc. Uma parafernália de informações abrangentes, captando arautos que estejam dentro e fora dos ambientes confinados, sendo eximidos de quaisquer óbices de natureza: extrínseca e intrínseca, concomitantemente.
    Antonito, em sua ação reflexa e recíproca, chega a proscrever o infenso nefando, no ínterim em que estrutura o ardil da desatenção proposital em detrimento ao mais combalido – quase inválido – durante a ação verbal profligativa.
    Arrostadamente, -- Antonito e Elesbão --, funcionários de uma antiga repartição pública, ao se reencontrarem uma semana após, ainda acrescentam os seus vários endereços residenciais, tendo por passagens as diferentes ruas onde moravam – até alcançar o endereço mais recente – com indicativo crástino de uma nova rua na urbe.
    A impressão que remanesce, embora não seja a verdadeira, é a seguinte: deveras, o sujeito, em tela, está ladeado por todos os mais recentes e artificiosos aparatos de uma tecnologia prossecutiva.
    Esses mesmos humanos, talvez, sejam outros tipos verossimilhantes, quando se reencontrarem com outras criaturas, de modo fortuito, e, assim sendo, arranjarão uma série de justificativas falaciosas, no intuito de reparar por algum tempo o descompasso irresponsável da carência de contatos, apenas mortificados em canhenhos, computadores, celulares e outros meios de maior sofisticação basal.
    As superocupações, hiper-preocupações e demais azáfamas são os maiores indicativos dos impedimentos, os quais são declinados pelos não-atendentes, se bem que estejam a ostentar os simulacros de uma ultra-tecnologia, capaz de atender os mais essenciais beneficiamentos gerados por uma cibernética ascendente.
   Segundo Antonito, baseado em antinomias do pretérito, -- a moda --, que se reiterou no decurso das circunstâncias, fora sendo readquirida à medida que atendesse a todos os artefatos eletrônicos existentes neste metamorfoseante hodiernismo, dando como resultante a mossa falaciosa de estar todo monitorizado, de conformidade com os rigores dos mais rebuscados maquinários.
    As desatenções proliferantes também são justificadas nos objetos, nas fabricas, indústrias e sistemas diversificantes centrados em seus múltiplos trampolins e operadoras vigentes!...
    O ondismo vigorante, após o prossecutório da moda, determina em compasso binário as variegações heteróclitas: hotmail’s, g-mail’s, yahoo’s etc, que não funcionam em verdade, – mesmo estando no cerne de suas virtualidades --, pois são símbolos espectrais de altíssima especiosidade!
    A desatenção pode ser decretada por fatores externos e internos. Também, há desatenções pertinentes aos modelos seguintes: acintosos, omissos, aproséxicos, abúlicos etc.
    A falta de atenção, no escabroso hodiernismo em que vivemos, é tão adimensional que, a despeito do surgimento de motivos justificáveis, o individuo, de modo adrede, despercebe o vocativo feito através dos meios diversificados de telefonia – desde a fixa, semimóvel, móvel, super-móvel etc.
    Existem psicopatias cujas etiologias ainda são ignotas em âmbito generalizado. Nesse caso, o individuo não responde a quaisquer manifestações de aprazimento, ou de condolência, pelo trespassamento de alguém de sua família, costuma ficar em silêncio tácito!... Se for perguntado quanto ao recebimento do panegírico, redargue com ar de sobranceria, corroborando com a ensancha do átimo tétrico, e exara que estava transido de dor pelo trespassamento de outro ente querido.
    Neste ínterim, apela-se, provavelmente, para a aprosexia (falta de atenção – de natureza mórbida). Então, a pessoa está sendo respaldada pelo TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade).
    Para encetamento do distúrbio, urge solidarizar-se quanto ao ato de viver com as próprias experiências e perceber que outras pessoas também sofrem com o problema, bem como se der conta de que é possível transigir com as dificuldades, buscando uma forma de lenimento.
    A desatenção pode acarretar os sindrômicos seguintes: a pessoa não presta atenção em pormenores ou comete erros, por desídia, na tarefa escolar, no trabalho ou em outras atividades atinentes; tem dificuldade em manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas; parece não escutar quando lhe dirigem a palavra; não segue instruções e não termina deveres escolares, rotineiros ou profissionais; tem dificuldade para organizar tarefas, evitando atividades que exijam esforço mental prolongado!... Perde coisas necessárias para a laboração das realizações (como brinquedos, itens domésticos, lápis, livros e demais utensílios); distrai-se facilmente com estímulos externos; demonstra esquecimento durante a confecção de atividades diárias. Assim sendo, com o arquétipo deste prospecto, estaria apto para o arrazoamento das condições infensas, esgueirando-se nas entrelinhas da destinação!...

                                              Wilson Cerveira

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