Geralmente, em tempos hodiernos, as
pseudo-atenções servem de substrato rotineiro, principalmente quando
encontramos as mesmas pessoas com as quais convivemos. E, nesse ínterim,
disponibilizam os vários números de celulares, também chamados de dispositivos
móveis, contendo diversos chips em cada aparelho.
Algumas dessas criaturas chegam a fazer os
testes de remetência e de recepção: um elemento aciona para o telefone da outra
pessoa, estando em sua presença real, e vice-versa. Após, entreolham-se demoradamente,
como se aquilo fosse uma verdade em prossecução. Uma diz para a companheira do
amigo, usando uma tonalidade estentórica: doravante, não perderemos, decerto,
nossos contatos! Precisamos reatar a nossa amizade! A que escuta fica
impressionada diante de tanta gentileza nostálgica!...
Ao chegar a casa, na intimidade do quarto,
tendo o travesseiro por anteparo, o Antonito pôde dar luz ao velho candeeiro de
lâmpada vermelha, localizado num ângulo esguelhado, em correspondência
transversal ao espaldar mais proeminente da cabeceira do tálamo.
Em prosseguimento, põem outros meios
eletrônicos à disposição dessas personas, há muito tempo ausentes do convívio
de trabalho. Ei-los, então: g-mail, hotmail, Yahoo etc. Também, colocam em tela
as redes sociais vigentes: Skype (MSN), Facebook, Whatsapp, Google+ etc. Uma
parafernália de informações abrangentes, captando arautos que estejam dentro e
fora dos ambientes confinados, sendo eximidos de quaisquer óbices de natureza:
extrínseca e intrínseca, concomitantemente.
Antonito, em sua ação reflexa e recíproca,
chega a proscrever o infenso nefando, no ínterim em que estrutura o ardil da
desatenção proposital em detrimento ao mais combalido – quase inválido –
durante a ação verbal profligativa.
Arrostadamente, -- Antonito e Elesbão --,
funcionários de uma antiga repartição pública, ao se reencontrarem uma semana
após, ainda acrescentam os seus vários endereços residenciais, tendo por
passagens as diferentes ruas onde moravam – até alcançar o endereço mais
recente – com indicativo crástino de uma nova rua na urbe.
A impressão que remanesce, embora não seja
a verdadeira, é a seguinte: deveras, o sujeito, em tela, está ladeado por todos
os mais recentes e artificiosos aparatos de uma tecnologia prossecutiva.
Esses mesmos humanos, talvez, sejam outros
tipos verossimilhantes, quando se reencontrarem com outras criaturas, de modo
fortuito, e, assim sendo, arranjarão uma série de justificativas falaciosas, no
intuito de reparar por algum tempo o descompasso irresponsável da carência de
contatos, apenas mortificados em canhenhos, computadores, celulares e outros
meios de maior sofisticação basal.
As superocupações, hiper-preocupações e
demais azáfamas são os maiores indicativos dos impedimentos, os quais são
declinados pelos não-atendentes, se bem que estejam a ostentar os simulacros de
uma ultra-tecnologia, capaz de atender os mais essenciais beneficiamentos
gerados por uma cibernética ascendente.
Segundo Antonito, baseado em antinomias do
pretérito, -- a moda --, que se reiterou no decurso das circunstâncias, fora
sendo readquirida à medida que atendesse a todos os artefatos eletrônicos
existentes neste metamorfoseante hodiernismo, dando como resultante a mossa falaciosa
de estar todo monitorizado, de conformidade com os rigores dos mais rebuscados
maquinários.
As desatenções proliferantes também são
justificadas nos objetos, nas fabricas, indústrias e sistemas diversificantes
centrados em seus múltiplos trampolins e operadoras vigentes!...
O
ondismo vigorante, após o prossecutório da moda, determina em compasso binário
as variegações heteróclitas: hotmail’s, g-mail’s, yahoo’s etc, que não
funcionam em verdade, – mesmo estando no cerne de suas virtualidades --, pois
são símbolos espectrais de altíssima especiosidade!
A desatenção pode ser decretada por fatores
externos e internos. Também, há desatenções pertinentes aos modelos seguintes:
acintosos, omissos, aproséxicos, abúlicos etc.
A falta de atenção, no escabroso
hodiernismo em que vivemos, é tão adimensional que, a despeito do surgimento de
motivos justificáveis, o individuo, de modo adrede, despercebe o vocativo feito
através dos meios diversificados de telefonia – desde a fixa, semimóvel, móvel,
super-móvel etc.
Existem psicopatias cujas etiologias ainda
são ignotas em âmbito generalizado. Nesse caso, o individuo não responde a
quaisquer manifestações de aprazimento, ou de condolência, pelo trespassamento
de alguém de sua família, costuma ficar em silêncio tácito!... Se for perguntado
quanto ao recebimento do panegírico, redargue com ar de sobranceria,
corroborando com a ensancha do átimo tétrico, e exara que estava transido de
dor pelo trespassamento de outro ente querido.
Neste ínterim, apela-se, provavelmente,
para a aprosexia (falta de atenção – de natureza mórbida). Então, a pessoa está
sendo respaldada pelo TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade).
Para encetamento do distúrbio, urge
solidarizar-se quanto ao ato de viver com as próprias experiências e perceber
que outras pessoas também sofrem com o problema, bem como se der conta de que é
possível transigir com as dificuldades, buscando uma forma de lenimento.
A desatenção pode acarretar os sindrômicos
seguintes: a pessoa não presta atenção em pormenores ou comete erros, por
desídia, na tarefa escolar, no trabalho ou em outras atividades atinentes; tem
dificuldade em manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas; parece não
escutar quando lhe dirigem a palavra; não segue instruções e não termina
deveres escolares, rotineiros ou profissionais; tem dificuldade para organizar
tarefas, evitando atividades que exijam esforço mental prolongado!... Perde
coisas necessárias para a laboração das realizações (como brinquedos, itens
domésticos, lápis, livros e demais utensílios); distrai-se facilmente com
estímulos externos; demonstra esquecimento durante a confecção de atividades
diárias. Assim sendo, com o arquétipo deste prospecto, estaria apto para o arrazoamento
das condições infensas, esgueirando-se nas entrelinhas da destinação!...
Wilson Cerveira
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