Setembrino Zaracuzzo, sem que vaticinasse o seu fadário, fora o nome que
recebera na pia batismal, conforme certidão de nascimento exarada em cartório.
O protótipo vocábulo sugerira o mês em que houvera nascido em uma pequena
cidade da Itália.
O encetamento de suas ações assassinas foi
protelado por algum tempo. No hodierno, o prazer mórbido de matar, que é uma
sensação patológica e exortativa, visto que é uma ação ressumbrada através de
um desiderato maculado por atrocidades praticadas pelo tal sicário!...
A primogênita pessoa, de caráter
generosíssimo, a que ele resolveu exterminar, com requintes de máxima
hediondez, foi a de seu patrão e pai adotivo – Nicomedes, engenheiro graduado
pela academia militar das “Agulhas Negras”. De fato, fora a mesma persona
grata, exatamente a que o resgatou do interior de um dos aparelhos sanitários
do “Bar Copacabana”, na cidade maravilhosa do Rio de Janeiro, com indicação de
tempo relacionado aos meados do século XX.
Em princípio, o sujeito de má índole, -- o
tal Zaracuzzo --, representava a lídima efígie teratogênica, com capacidade
atroz de escalavrar a sua reverenciada mãe, caso a lobrigasse naquela ensancha
de ódio infrene.
A partir daquele ínterim, em que
assassinara cruelmente o homem que lhe protegia e proporcionava somente
benfeitorias, poderia trucidar qualquer “ser” que atravessasse o seu impérvio
itinerário, não importando o grau de sentimentalismo que unia a ambos,
independentemente da existência ou não do parentesco de primeira, segundo,
terceira, quarta, quinta, sexta, sétima, oitava, nona, décima escala etc.
Também, a quantidade de dinheiro a ser
recebida pelo protérvio matador profissional, estatuía o tipo de crime a ser
perpetrado. O mais oneroso dos delitos seria, provavelmente, o do esfolamento
completo, sequenciado pela dissecação
das vísceras e de todos os órgãos – sobremaneira os que seriam cremados e
reconditados em terrenos repletos de sarças ígneas.
O cilício, decerto, representava o castigo
de primazia; pois, fazia-o como penitência ao horrendo parricida. Todo o dia
ocorria no mínimo uma sessão, para que pudesse expiar os estigmas da
nequicidade perpetrada, já que era decorrente de um desvairo súbito e
inelucidável. Assim, sem razões plausíveis, eclodiu-lhe, de modo arrostado, a
rejeição da imagem do homem generoso – seu conspícuo apaniguador – desde o
instante em que o resgatou, quase morto, do desvão do vaso sanitário que
antepara as dejeções diuturnas, e, destarte, ostentando, de modo simples, uma
condição abjeta de escória!...
As suas mais esdrúxulas auto-torturas iam
recrudescendo com o passar do tempo, porquanto sofrera cominação por parte das
leis inequânimes e réprobas, as quais são laboradas pela execrabilidade
imanente dos iníquos e asquerosos doutores
da toga macabra.
Assim, sem apelativos, o facínora Elesbão
instituiu por conta própria uma nova lei – a pena de suplício, e, na omissão
ominosa, infligiu-lhe, de modo ensimesmático, um escarmento probatório –
requestando uma remissão do horrendo crime consecutado no prístino amaríssimo,
equivalendo a um interregno imane de meia-centúria de ratificações infalíveis!
No seu septuagésimo natalício, em plena
senectude, depois de cinco decênios, onde há exacerbação de vários crimes
abomináveis, em que o sicário recebe do mandante Elisberto, a mais alvissareira
proposta, visando, com exclusividade, o ceifamento de mais uma vida, e, desta
feita, tratava-se do diplomata aposentado – dr. Jordeíldo Bargalhos, bastante
reputado no extenso âmbito jornalístico. Doutoríssimo, como era cognominado na
intimidade amistosa, exercera diversos cargos dignitários. Ademais, como
completude intelectual, aparatava ser um polímata de altíssima envergadura.
Ilou-se de que haveria de expiar, com
percuciência acrimoniosa, as filigranas do imane nequicial que exequira contra
a pessoa do seu maior amigo, abrangendo todos os tempos vetustos. Assim sendo,
não gostaria que o revisse na dimensão incomum de uma esfinge elucubrática, e
que seria projetada, de maneira meticulosa, no intrínseco arcabouço espectral
de outra persona enigmática!...
Num alumbramento insólito, resolvera
desistir perante o postremeiro compromisso de morte a ser pressagiado,
colimando a probabilidade de mais um ato executório!... Quando descortinou a
fisionomia da próxima vítima, recolocou, pela primeiríssima vez, a arma na
cintura; logo, sem hesitação, não seria ele o temerário, capaz de tirar a vida
de uma pessoa que, segundo os seus vaticínios vislumbratórios, ultrapassara a
casa dos cem anos, estando na iminência
de morte natural apropinquativa.
Wilson Cerveira
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