sábado, 22 de março de 2014

MESTRES DE OUTRORA

   De fato, esses ministradores do abrangente saber, sem perplexidade, eram polímatas no que concernia ao somatorial das características basilares vocacionais. Eles ostentavam um aspecto senhoril, e expandiam comportamentos compatíveis ao estado atinente ao senhorio.
   Os mestres de outrora zelavam pela indumentária, pois vestiam-se com apuro. Os homens, geralmente, davam aula de terno; enquanto as mulheres, em sua maioria, mantinham-se de vestido longo, ou, então, de blusas compostas, portando mangas compridas. Realmente, os seus trajes chamavam a devida atenção para com as suas devidas apresentações.
   Deveras, aparatavam atitudes e conhecimentos, promanados daqueles que não precisam de apontamentos para sobreviver em meio às algazarras e dispersas atitudes do hodierno em turbilhão acossatório diuturno. 
   Buscavam seus conhecimentos nas diversas fontes expositivas, tais como: revistas, jornais, enciclopédias, livros científicos e literários – dos mais simples aos de complexidade maior, abrangendo os dispares ramos da erudição humana, – em seus tempos, modos e pessoas!...
    Decerto, essas lentes do sapientismo – no decorrer fluente de suas eximias explanações, não dispunham da necessidade premente do discorrer da leitura, sobremaneira a que se tornara, concernentemente, os átimos da capacitação dos saberes concernentes aos dispares ramos referentes aos diversificados estudos do comportamento.
   Mestres que ressumavam cenhos sobrecarregados, e traziam como aparato o trinômio: bata e mangas compridas, alguns lápis de giz e um apagador, somente. Então, o que o pontificava e o fazia rutilar era o portentoso saber versatilizado, que houvera arquivado no decurso inexorável dos pétreos anos de experimentação, vivência e sofrência.
    O caráter de respeitabilidade dos mestres de outrora, sem condição hesitatória, transpunha os limites da vetusta sala de aula, partindo em direitura a quaisquer locais onde estivessem presentes, sempre na qualidade de implementar os cognitivos relacionados à prédica.
   Esses prodígios do saber de Antanho, fulgurariam pelo acúmulo somatorizante de basicidades e de conhecimentos gerais, não se especializando em teorias isoladas, dificilmente compiladas em especificidades compendiais de leitura.
   Os lentes do pristino, portadores de formação familiar sólida e edificante, procuravam cumprir suas obrigações pontualmente, chegando antes dos toques da sineta que marcavam o adentramento do corpo discente às suas respectivas salas de aula. Nesse caso, esses pinaculares da instrução davam aos seus discípulos paradigmas de como viver condignamente em grupos heterogêneos – cujas educações são antagônicas em vários parâmetros de maiores contundências.
     Indiscutivelmente, eram mestres de percuciente saber, buscando as etimologias e as semânticas dos diferentes vernáculos, independentemente de suas variantes hibridicidades. Escafedendo-se do normal, não há quem precise o tipo de reverberação elocutiva desses tempos de natureza reminiscente em todas as suas readmissibilidades plausíveis.
     Essas potestades do vasto conhecimento davam-nos a impressão miraculosa de que haviam aprendido para sempre as lições do prisco, e, com o transcorrer do tempo inclemente, consolidaram regras e normativas atinentes às diferentes disciplinas, estando aptos para ministrá-las, quando houvesse ausência dos professores das matérias que não estavam enquadradas no rol curricular de sua formação acadêmica.
     Épocas essas inesquecíveis, em que a presença do factótum agia em todos os âmbitos vetoriais inerentes às diferentes atividades humanísticas – das menos intrincadas ao mais fastigioso grau de inextricabilidade. 
     Esses preceptores da cognoscibilidade não se acercavam de aparelhos cominadores e espectrais, mas demonstravam uma poligrafia de causar inveja a quem a estudasse acuradamente, na ausência de algumas sinopses retiradas de livros conteudistas do prístino, em que as resenhas vinham em anexo nas postremeiras páginas.
     Davam aulas de experimentos laboratoriais como se estivessem diante dos inúmeros artefatos produzidos por uma tecnologia embrionariamente devindoura em todos os referenciais de plausibilidade convincente.  
     Os mestres de outrora não se prestavam aos intentos das falcatruas instrucionais. Direcionavam os seus alunos para veredas de dirimição, as quais os aduziam a galgar os lugares de maior primazia na ascensão dos cargos dignitários.
     A confiabilidade e a respeitabilidade eram seus pilares de maior referência, já que as marcas das instruções educativas medram a cada dia – em confrontação com novos saberes, sobremodo no âmbito vastíssimo da cognosia de caráter extremamente científico.

     Seus instrumentos de musicalidade aplicativa restringiam-se à férula, também conhecida por palmatória, régua, salas de castigo, -- sem cadeiras – onde os alunos ficavam em pé, durante longo tempo, com os seus rostos voltados para a parede, portando um livro no espaço recôncavo de ambas as mãos, tentando memorizar prolixos trechos – em prosa ou em linguagem poética --, assim como escrevendo e reescrevendo cópias que aludiam à correção dos erros, apresentados durante as aulas expositivas, ministradas por cada mestre – em sua individualidade magisterial!...

                              Wilson Cerveira 

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