É de bom alvitre
exarar que, com especificidade aos horários de ouvir músicas clássicas famosas,
a bichane se posiciona galhardamente na cadeira, ostentando a cabeça, de forma
proeminente, localizada no espaço situado no meio que serve de separação às
suas duas patas anteriores, dando-nos a especiosa impressão de estar audindo o
sequenciar das notas musicais, sobretudo as que se reestruturam harmonicamente,
no preciso átimo em que se predispõem, embevecidamente, no interregno seletivo
das tessituras!
Chane confuta o infenso sedutor, de maneira
sorrelfa, quando presencia abruptamente o desfilar vertiginoso de um solerte
ratinho de botica – de natureza altamente fugitiva, aparatando apenas poucos dias
de nascido!...
O faro de Chane, a cabalística gata, é tão
aguçado quanto à sua sensória visual?!... Deveras, busca, ainda, rastros de
pessoas da família que passaram alguns dias em nossa casa, nestes dias
dedicados aos festejos juninos. À socapa, vai rastreando os pontos trajetoriais
de maior incidência, notadamente com relação ao virtual trecho de detectação
emergente!
Caso a gata esfíngica vaticine a presença
de alguma coisa estranha; com certeza, arranhará o terço médio da porta do
quarto de dormir, esperando que alguém tome as devidas providências de abri-la
imediatamente! Amiúde, reiterará todo seu pragmático ritual, reconduzindo os
aguçados instintos, convergindo-os em direitura ao ponto cerne, que é o
timoneiro basilar de suas tresloucadas artimanhas!
A bichane, em suas peregrinações diuturnas,
vai consecutivas vezes ao “Mirante”, como se obedecesse, de forma exatorial, ao
passo cronometrador das circunstâncias inopinadas, sobremodo quando eximidas de
quaisquer cerimoniais de cerceamento peremptório!...
A gata Chane, esfíngica de nascença,
deflagra o seu adentramento ao quarto, e dorme, de modo cabalístico, acocorada
junto aos pés da dona Gláucya, usufruindo do espaço final da própria cama, que
ostenta um insinuante estofo confortável.
Para conflagrar os minutos de defecção,
durante as ausências proporcionadas por nós todos – os proprietários da casa,
ela se aloja sobre as mesas – menor ou maior – para que, de tocaia, possa
examinar a certa distância (em comprimento e altura) alguns pequenos insetos
ruflantes, e que costumam pousar sobre os alimentos e utensílios, estritamente
pessoais, mediante as regras estabelecidas para o trinômio: higiene, polidez e
etiqueta.
Num suspirar de percuciente hesitação,
imagino-a sempre da mesma maneira que a vi em suas primícias. Realmente, a
Chane tem um faro verossimilhante ao Canis familiaris,
ostentando, também, um adestramento a toda prova!
Se alguém adentra à nossa casa, a
enigmática Chaninha sofre uma baita metamorfose, chegando a ostentar ares de
onça – sua parenta ancestral – e, concomitante, exterioriza o seu asco; e, como
meio de protesto, busca um local esconso, no qual é capaz de permanecer longas
horas, em estado taciturno, debaixo de quaisquer objetos esdrúxulos, evitando,
definitivamente, um possível contato inesperado com a pele dessas excêntricas
criaturas!
E, então, se alguém nesse átimo inopinado,
se atreve ao ato de aproximação com a bichane; logo se surpreende com o
felídeo!... Arrostadamente, caso isso aconteça, assistiremos a um gládio sem precedentes,
uma contenda abrangendo a misteriosa dupla – irracional x racional, numa exibição guerreira, tendo por êmulos os elementos:
defesa e ataque, ataque e defesa, num revezamento de equiparada
concomitância!...
Wilson Cerveira
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