Chane, nome com que batizamos a
gata, desde o momento em que nascera, e que fora, incontinenti, banida dos
demais gatos – num ostentar de insulamento insólito. Até o presente momento,
buscam-se as causas dessas etiologias etológicas esdruxulantes,
indiferentemente dos padrões de referência.
O tratamento blandicioso que a “Chane”
recebera, e que reúne no cerne os diversos esconsos, abrangendo todos os
elementos diferenciais necessários que a distinguem, de modo esfíngico, dentre
os vários representantes da família felidae.
Aqui, em nossa casa, indubitavelmente,
escolhe os melhores locais para fazer a sesta, vivendo a maior parte do tempo a
ocupar os travesseiros dispostos ao longo das poltronas. E, dessa forma,
apodera-se de cada um desses objetos confortáveis – como se fosse uma fiel
escudeira de espaços preestabelecidos em muitos compartimentos do casarão.
Chane, a gata cabalística, tem sorte de ser
tratada a pão-de-ló, requerendo para si os melhores quitutes, como se sofresse
excedência na sua condição de ser apenas da espécie Felis catus.
Escolhe o que quer comer, preferindo chegar ao estado de “le barón”, que é a
requisição de geleias, queijos e cremes que contenham gosto recrudescente de
peixe, atendendo ao olfato-degustativo, as duas mais significantes e apelativas
funções sensórias.
Não sente nenhuma necessidade de disputar um
pedaço de peixe com outro gato. Sempre aprendeu aceitar as circunstâncias que a
baniam de outra aproximação infensa, sobremodo no estrito átimo exatorial, no
qual terá o prato de comida, isoladamente, de si para si, afastando as demais probabilidades
reinantes do inopinismo perpetrado, vertiginosamente, pela raça!...
Aprendera, através das inúmeras
solicitudes, não prescindir das melhores degustações oferecidas, com
gratuidade, pelo grupo dos sujeitos considerados na qualidade de aficionados e
mais acurados cuidadores. E, caso não se provasse o contrário, em dias
hodiernos, o especialista de portentoso gabarito; com certeza, não resgataria o
gato que passasse pelas lancinâncias sindrômicas e paroxísticas da cabal
inanição.
E, assim sendo, jamais dispensaria o melhor
sabor; isto é, o mais caro. A bichana é especialista de preferência; pois, até
então, jamais propugnou os prodrômicos inerentes à sindromia da inédia!...
Chane expande um comportamento bélico
quando lobriga lagartixas no ápice longitudinal da parede. Perlustro a bichana
a certa distância, e os seus olhos centelham e, concomitantemente, se fixam nos
meus, de modo sutil, como se quisessem me pedir auxílio no sentido de
capturá-las, uma a uma, dando-lhe, em seguida, na condição de ser um bom
petisco!
A cabalística gata aparece após a passagem
do pequeno rato – que se meteu nos desvãos inferiores do buffet, buscando as
escudelas necessárias de quem não se sente ameaçado pelo seu antigo infenso.
Hodiernamente, a iniciativa de expurgação do rato, sem quaisquer titubeações, pertence
ao animal de evolução mais complexa, que é o Homo sapiens, exibindo, em
simultaneidade, uma boa dosagem do que se denomina de energia nequicial –
presente desde as primícias existenciais.
A prima de terceiro grau da onça, – e não
tenhamos hesitação a tal respeito –, fica sempre atenta a qualquer ruído que se
processe ao seu redor. Entretanto, o felídeo desenvolveu uma brutal neurose do
medo, notadamente quando se encontra no atordoamento causado pelo estrugidos
ininterruptos e ominosos de aviões e foguetes – como se fossem instrumentos
escatológicos!...
Wilson Cerveira
O ser vivo mais interessante, enigmático com que tenho o privilegio de viver, sou fã incondicional deste felino que cativa por suas manhas e a doçura, que sabe como ninguém dar e receber carinho ( desde que seja da sua vontade)....é interessante observar a mira certeira desta espécie.....a paciência de esperar o momento certo de dar o pulo.......e a capacidade de adaptação, consegue em um cantinho qualquer fazer seu reinado.
ResponderExcluirAmo estes felinos, me entendo perfeitamente com eles.......os meus.....atendem pelo nome, reconhecem minha voz, e quando os chamam comparecem imediatamente.
Só que tem o privilégio de conviver com eles, é capaz de reconhecer a importância de observar e aprender as lições.