quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O PSIQUIATRA E O PSICOPATA - PARTE II

O aparente psicopata foi sendo um perquiridor constante do comportamento do psiquiatra Eriberto, que, a cada dia, despercebidamente, ia ofuscando a fulguração do seu próprio diploma de graduação, e, também de tantos outros cursos de pós-graduamento. Noberto, que de psicopata não ostentava nem os reticentes laivos, conseguiu com solércia a consecução da chave do armário – localizado em local abscôndito -- e que oferecia a ensancha, através da ressumbratória do criptograma, para o devido acesso aos escaninhos labirínticos desse móvel secreto, pois tinha a convicção de que o doutor de borla e capelo, na taciturnidade dos seus dias, demonstrasse em sua hermética tacitez, por quanto tempo guardaria uma serie de sigilos inconfessáveis.
     Ninguém diria que o experto Noberto, aos vinte cinco anos, era um ator de mão cheia, reunindo todas as qualidades persuasivas capazes, igualmente, de perseverar sobre a importância do que fora edificado à luz da Divina Providencia. E, desse modo, o enxerido senhor ia, pouco a pouco, avançando em suas conquistas no que diz respeito aos companheiros. Todos gostavam dele e, ao mesmo tempo, o consideravam um oráculo – imprescindível nos casos de maior aflição vital. Esse sim, diziam todos declaradamente, preenche os nossos requisitos de melhoria. Ensina-nos a arte da pintura, da música, da dança etc; reanimando-nos gradativamente, eximindo as probabilidades de recrudescimento das neuroses e psicoses exacerbantes!...
     O Dr. Eriberto apresentava um ensimesmamento que afugentava os clientes da casa de saúde. Atendia-os, à socapa, através de uma janelinha superior contida no agrilhoamento circular da janelinha aportinholada. Ouviam-se-lhes os relatos com apatia, como se tudo aquilo fosse normoanormal ocorrer, principalmente em quem aparatasse deslibramentos do ecológico, que são de natureza psicossomática.
     O homem de branco que fazia confusão fisionômica com o sujeito vestido de preto, ia perdendo a implexidade creditiva. O diploma, que simbolizava o escudo de maior representatividade, obliterava-se com o decorrer dos anos, nos quais se presenciava o quadro relativo ao medramento progressivo da interveniência, sobretudo a que se atrelava aos ergástulos das preocupações remissas com relação ao outro...
      O circunspecto Noberto, estrênuo em suas atitudes, passava noites sem dormir, com o objetivo de reexaminar acuradamente o estado de hipnose dos seus parceiros de nosocômio; ou seja, os mesmos que buscavam a devida terapia para lenir os transtornos referentes aos diversos tipos de distonia cerebral.
     Deveras, os medicamentos faziam-nos pegar no sono por algumas horas, somente. Quando eles despertavam a indisposição era grande, e continuavam a ostentar o mesmo nível de agressividade, sobremodo nos átimos encetaciais de violento estremunhamento.
     Noberto, ainda atordoado pelo descomunal pesadelo que sofrera durante a noite inteira, assistia ao bruxulear da luz do candeeiro, que emitia em meia penumbra uma auréola, abrangendo – de modo indicativo – os números do calendário, precisamente o espaço de tempo em que adentraria em sã-consciência, tendo por fulcro este recinto de insanidades relativas!...
     Não se percebia o sibilar do vento, tampouco a sua destinação vetorializada, – dizia o Noberto –, após ser reexaminado por si mesmo! Ele não passava de um intruso detetive, com a finalidade de espionar o psiquiatra, acompanhando-lhe todos os passos continuados, e, também, suas ações e reações desenvolvidas no interior do manicômio. Ademais, demandaria o envidamento necessário, para que ele obtivesse os resultados comportamentais que o caracterizariam, de igual modo, extra-hospitalar.
     Deveras, estava exercendo a ação de enxerido, uma vez que não conseguira maquinar tudo que pretendia!... Gostaria de alguma forma que fosse aclamado pela estrenuidade da pesquisa, embora se tratasse de assunto cientifico, bastante controvertido no âmbito das variâncias sindrômicas.
      O simulacro prosseguia em estádio refratário durante a primeira trimestralidade de internação. A tartufice, em ritmo teatral, corroborava com o embaimento de um seriado de informações espectrais quanto à perpetração de uma pseudoanamnese!
      O senhor Noberto, aparentemente normoanormal, precisaria cogitar uma maneira de entrar em contato com o seu prontuário, a fim de que esquadrinhasse os apontamentos de tudo o que dissera para o psiquiatra, informando as minudências de uma implexa parestesia (alucinações sensoriais), que vinha sendo ressumada em seu hipotético combalimento psicossomático.
     Uma maneira – de total deselegância – seria a de subornar o enfermeiro ou enfermeira-chefe, oferecendo-lhe certa quantia em dinheiro, de tal forma que liberasse as prescrições medicamentosas, minuciosamente, contendo a inscrição do laboratório que produziu essas fórmulas químicas e as suas respectivas dosagens diárias. (Por quanto tempo ficaríamos a inquirir sobre a eficácia do produto na classificação geral?) – se a referida droga pertenceria ao de “marca”, ao “similar”, ou, por último, ao “genérico”. De qualquer maneira, o capital estigmatizaria alguma primazia, visto que a força pecuniária se sobrepõe aos riscos iminentes de um inopinado catastrofismo atrelado ao orbe das instigadoras comercializações – (de importação ou de exportação).
     Quais seriam as provas necessárias – no âmbito da plausibilidade – para que Noberto incriminasse o doutor psiquiatra – Eriberto, fazendo com que ele passasse a se sentir mais na condição de psicopata, do que da de graduado e especialista em doenças neuropsíquicas?!...
     O pseudopsicopata careceria de ensachas em átimos propícios, e, a partir desse interregno, demandaria a divagatória ressumada por muitos comenos, consecutando ilações de premissas pristinas, mas que estariam em percuciente latência proporcionada por um criptograma inumado no decurso de várias centúrias de absoluto silêncio e de total solidão!
     Noberto urrava bastante quanto pressentia as passadas do médico no corredor do nosomanicômio, como se todos os sons convergissem e ecoassem em ritmo de compasso, sobremodo no que tangia a escolha dos ladrilhos que indicariam o espaço de angulação das pernas – recolhendo uma e esticando a outra, de forma amainante, jamais transpondo os vértices das denominadas estremaduras deletérias.
     Após ter completado a trimestralidade, Noberto ainda continuava a receber o frasco contendo os comprimidos embalados em caixa de tarja preta, e não mais os tomava como antes. A enfermeira Joana encontrava-se convicta de que ele estaria melhorando, conquanto nunca estivesse apresentado na realidade os sintomas descritos por ele, de modo falacioso, e, concomitantemente, sufragados pelo diagnóstico do psiquiatra, totalmente equivocado; pois o combalimento surdia do psiquiatra, sem que tivesse gabarito suficiente para disjungir os reais dos irreais, sem que a linha demarcatória interferisse na sutil natureza e, também, de muito difícil grau de perceptibilidade.
     Eriberto ostentaria um arquivo secreto em seu consultório, e, nela, nas apropinquações da escrivaninha, ele obteria o ato de compulsar o material apropriado, com o propósito de dirimir perplexidades, e, igualmente, novas hesitações, sobremodo com relação aos que  buscariam o somatorial das filigranas de maior ou menor complexidade – ascendente ou descendente – quanto  ao vastíssimo orbe das incorrespondências, sobremodo aqueles que estariam no fulcro ressumbratório dos prodrômicos hígidos.
     Decerto, o Dr. Eriberto aparataria a desvelação desse reconditismo prístino. Nesse caso, o especialista em distúrbios do sistema nervoso, -- esse homem de pele e osso --, igual aos demais seres viventes, não seria capaz de lobrigar as profilaxias necessárias e prementes, obiciando, destarte, o advento de insólitas síndromes neurológicas!
     O que mais desideraria o Noberto, -- dentre tantas divagações --,  é que o psiquiatra ostentasse também a sã-consciência de que, mesmo portando borla e capelo no cimo  da sua cátedra, estaria à mercê das circunstâncias que o fariam vítima de uma valetudinariedade psicopática. Desse modo, coalesceria em si as imagens concomitantes de médico e paciente. E, a partir de então, ressudaria as premonições psicopatológicas presentes no organismo do próprio alienista – como era, de fato, identificado nos átimos priscos das primícias paroxísticas ocorrentes!...
     O especioso psicopata, denominado de Noberto, era um dissimulador de primeiríssima falácia. Realmente, o paciente representava a própria dor, forjando-a extremamente – com soluções implexas e vagidos intermitentes.
     Porventura, não teria capacidade suficiente para induzir, de maneira simultânea, vários indivíduos utilizando sofismas verossimilhantes às suas próprias características. Primiciavam-se ações e reações aplicadas no âmbito das aquisições deletérias. Deveras, o Noberto era um sindromaturgo de causar invídia aos demais elementos do simulacro espetacular.
     Sem filoneísmos nem misoneísmo, pontificava em frequências normo-normais contendo estremaduras que infringiam os mais escalafobéticos comportamentos. Então, formara-se uma antinomia confutando o “ser” de psiquiatra e o “estar” de psicopata. As suas direituras etológicas estariam sendo padronizadas no extenso campo da normoanormalidade reticente, sem que houvesse sequer o probabilismo de propugnar o estádio simbolístico atrelado ao binômio: hígido-valetudinário!...
     Num determinado dia, quiçá, de descomunal ominosidades, adentrava na sala de consulta do médico-psiquiatra – Dr. Eriberto, com cinco garoupas (cédulas de cem reais), e o pseudo cliente – Noberto, em aparente estado de serenidade, requestava um neófito tipo de medicamento, o mais caro de todos os demais produtos químicos importados diretamente das suntuosas indústrias farmacêuticas do continente europeu.
     A quem, de prontidão, ele conseguiria atingir prototipamente?!... (porquanto as imagens coligidas se fundiram plenamente, estando, de modo visceral, incorporadas num único quadrante!...).
     Se o capcioso Noberto eliminasse alguns estorvos psicológicos, conseguiria denodadamente extinguir, de modo concomitante, a duplicidade dos ícones profligados através de uma colimada investida letal!...


                                                Wilson Cerveira

Um comentário:

  1. Anônimo4/2/15

    Belo trabalho meu amigo..
    Satisfação em ler as suas obras
    Ass. : Thalyson Campos

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