Donde promana “Éolo”, com a sanha
aterrorizante?!... Vem de longínquas plagas, varrendo mares e continentes!
Ninguém é capaz de ressumbrar a etiologia desse sentimento voraz – de caráter
passional. Não há como expender justificativas plausíveis, posto que estejamos
perante desideratos inexpugnáveis!...
Conquanto busquemos a etimologia vocabular
do radical “pathus”, em sua essência basilar, significando doença; e, no caso
do ego, um transtorno psicológico labiríntico e de natureza enigmática. Não existem
meios de conter o seu assomamento abrupto, uma vez que procede como se fosse
uma loba faminta, ostentando o fastígio da voracidade infrene.
Deveras, o sentimento passional não oferece
resistência ao protagonista da ação verbal, por mais que apresente um cerne
refratário, repleto de numerosas amarras respaldantes. Assim, as cercanias
avançam, açodadamente, em direção à nau capitânea, em cabal estado de
ignescência lúbrica!...
Esse tipo bizarro de sentimento – de
dificílimo controle – aduz a veredas cabalísticas e suspensas, onde a esfinge
redesenha a potencialidade do exequível probabilístico. E, quando a síndrome
palindrômica, nesse ínterim, se abate sobre o expugnado, exiciando-o
peremptoriamente; é preciso obsecrar a égide da Divina Providência,
sobremaneira no que tange ao hediondo despenhadeiro que se apropínqua e se
apodera, aos poucos, de sua matéria em combalimento retrogradante.
O passionalismo, na mais acendrada acepção,
sempre fora desbravador em toda sua percuciência perquiridora. É, de fato, um
exército psicológico determinista e comprometedor quanto ao ato de arrasar ou
ser arrasado, mesmo estando em campo minado, no qual o entrevero infenso – em
plena refrega, demande um comportamento nefando – aparatando um gládio
pinacular de cabal jugulamento!
Expender a exação do lídimo desiderato,
antes que seja tarde; neste dia, onde, nem tudo o que reluz é ouro; e o
fatídico aparate a prova maior da cominuição dos ossos, resultante sinistra de
um sentimento passional!...
E, em plena soturnidade, reassoma a frase
pranteal: - Onde estais que não redarguis ao pungente vocativo do teu mestre e
analista das variâncias do comportamento humano, -- Dr. Cursier.
Para que as obliterações fossem contidas,
houve uma proposição enigmática. Neste átimo, vamos confabular – em pleno
silencio – para avaliar o quanto de ininteligível mantemos sob forma de
protraimento, -- dissera o preeminente psicólogo.
O sentimento – que tem tendência ao
patológico – surde, abruptamente, e toma multidirecionalidades no que concerne
ao alvo de propelência. E, nesse ínterim, predestina-se o passional em sanha
infrene, ora ascendendo o eixo das ordenadas e abscissas, ora retrogradando nos
pontos de vórtices invertidos nas trajetórias de ignescências sentimentais patológicas.
Geralmente, o sentimento passional é um ato
de desespero unilateral. De modo indubitável, um dos envolventes, -- o mais
obsedado --, dará cabo ao próprio viver atormentado!...
Perácio e Gertrudes já se conheciam há
bastante tempo. Ambos haviam fechado contrato com outros pares, constituindo
grupos de análises combinatórias complexas e díspares. De igual maneira, é de
bom alvitre exarar que este tipo de sentimento, -- antinômico e heteróclito --,
lacera com iracúndia os ditames e os selos de uma convivência social de cunho
especioso!
Perácio, o sofredor inveterado, recebia os
fluxos nefastos de uma paixão conflagratória de percuciente repercussão, que,
na tentativa de hálito mantenedor, respirava o remanescente oxigênio haurido
pelas lobas – em estado vesânico – quando experimentavam a sanha dos mais
compulsivos desejos infrenes.
Gertrudes, após ser ciliciada pelo
ex-marido Jerônimo, estava a desvencilhar-se das amarras escarmentosas e demais
desilusões, produtos resultantes dos desencontros remanescidos, através de
vivências tediosas, e que ocorreram inexplicavelmente em seu primeiro
matrimônio.
O estonteante Perácio, o maior
experimentador das farsas humanas, surpreendera-se quando a viu indiferente
naquela tarde de sábado, no derradeiro crepúsculo do mês de setembro, quando
ele contraíra as raias insanas cruéis da paixão! Tal qual contamínio grassador,
não mais conseguia desligar-se mentalmente da senhorinha – Gertrudes. E, a
partir daquele instante, não conseguia mais esquecê-la por um segundo, pois a
sua imagem estava sempre presente em seu subconsciente estertorado.
O corpo da senhorinha Gertrudes estava
tomado por inúmeras equimoses. Mesmo diante das torturas enfrentadas, o seu
corpo exalava arrebatamentos! Não havia como deter as propelências dos
sentimentos lancinantes. Deveras, ela egressava de um casamento impactual, que
ainda ressumava os lídimos estigmas psicossomáticos. Havia, também, lacerações
dos anexos da sua genitália externa. Igualmente, optara erroneamente ao
escolher Jerônimo – na qualidade de seu protótipo marido. Realmente, esse
sujeito alardeava bastante a desabridez, notadamente nos momentos em que a
ginástica copulatória acrobática se fazia necessária. Somente assim, conseguia
fruir, em pleno balido, a ereção máxima do phalo incandescente.
A senhora Gertrudes pronunciara, de maneira
tácita, a palavra amor, aleatoriamente, como se ainda estivesse assistindo ao
estado de madidez do monte-de-vênus. E, ainda, mantinha o vocábulo amor, em
êxtase cabal, como se fora a solução plausível para o amainamento dos mais
contundentes sentimentos de deflagração!...
Perácio, após varias devassas sentimentais,
começou a persuadir-se de que era amado, carinhosamente, por Gertrudes. E,
assim sendo, não titubeou em comutar São Luís pelo Rio de Janeiro, pois queria
acompanhá-la, embora deixasse o seu emprego de engenharia sucumbir no boléu da
salsugem. Assim sendo, ao chegar na “Cidade Maravilhosa”, não conseguiu pôr as
mãos sobre o ombro da amada – Gertrudes; muito menos andar de mãos dadas,
braços entrelaçados, envolvendo-lhe a cintura... Todas as vezes que surgia uma
ensancha de aproximação epidérmica, ela procurava se abster das blandícies
oferecidas pelo enamorado. Destarte, o ribombástico Perácio, -- o grande
apaixonado--, continha o seu clamor desesperado, proveniente de uma paixão
ardente, a qual, sem a mínima condição de pulso, excedia a mera probabilidade
de contenção. A cada instante, o personagem se via mais afastado da realidade
mundana. Dava a impressão de que ele estava ali, naquele restaurante,
usufruindo apenas a qualificação de gaiato. Em determinado átimo, ressumbrou um
comportamento de quem estava alucinado diante de uma situação psicológica
insuportável!
Infelizmente, Gertrudes não fora educada
nem tampouco apresentava inclinações genéticas suficientes, com o escopo de
perscrutar, acuradamente, pessoas sensíveis e chegadas ao pranto copioso.
Quantas vezes!... Muitas foram as lágrimas derramadas pelo Perácio. Verteu-as,
galhardamente, de modo tácito, recolhendo-as no rosário recôndito do seu
acendrado sentimentalismo. Talvez, buscasse, de uma forma ou de outra, evasão
ao estado aflitivo que o atormentava diuturnamente. Nesse caso, a sua
preocupação estava centrada no sentimento passional, o qual o adquirira, de
maneira randômica, com propendências ao que se denomina de proibido!...
Perácio tornou-se o principal alvo do
sentimento mais arrasador, e que sempre reinou no orbe, que é a paixão e seus
arrebatamentos!... Esse sentimento, de fato, não ostenta limites; pelo
contrario, cega todas as possibilidades de saída, uma vez que a obsessão-- por
ele gerada-- é grave, gravíssima, em todos os quadrantes elucubráticos
vislumbratórios.
Gertrudes parecia indiferente às atitudes do
Perácio, durante a sua estada no Rio de Janeiro. Ela, sem titubear, tomava para
si o dessentimento soturno. Ninguém mais o queria, nesse ínterim, já que se
sentia combalido ante os percalços que enfrentara ao longo dos anos.
Para matar-lhe todas as vontades, desfilou
em sua frente, de modo desabrido, com o Temístocles. Decerto, fora uma maneira
rústica de torturá-lo ainda mais, convidando-o, indiretamente, para o chamado –
“voo do suicida” – um soçobro fatal no âmbito do enigma desesperador, perdendo,
concomitantemente, o corpo e a alma.
Deveras, Perácio não esperou por mais
tempo, visto que não aguentava mais as acrimônias proporcionadas pela
Gertrudes. E, pouco a pouco, ele fora se debilitando, e, ao voltar para o seu
apartamento, a ideia fixa de morte o perseguia, deixando-o totalmente
transtornado. Um minuto antes da tragédia, lobrigou a presença do seu irmão –
Antônio, próximo à janela, e, para surpreendê-lo, de modo estarrecedor, deu o
pulo lacratório, impulsionando violentamente o corpo, que se encontrava no
vigésimo andar do Edifício Copacabana, em direção ao solo. O impacto foi tão
grande, em sua dimensão, que transfixou o joelho na extensão do tórax,
aparecendo-lhe nas costas!...
Wilson Cerveira
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