Quiçá, o comportamento humano queira dar o
devido acompanhamento ao grotesco evolucionismo, sobremodo o que esteja
relacionado ao tecnológico. E, destarte, o ser, pouco a pouco, em cada ramerrão
existencial, vai perdendo as suas reais características primitivas, numa
degenerescência a toda prova. E, em função disso, a volubilidade de reações
comportamentais – internas e externas --, progride em antíteses, numa retrogradação
paulatina.
Inaugurando uma nova moda, o ser assomou,
de repente, diante das circunstâncias benéficas, aparatando as glândulas
torácicas protraídas, exacerbadamente, numa corroboração cabal de uma
experimentada liberdade individual.
Hodiernamente, a conturbação do ser, por
mais que se contenha, é tão grave, gravíssima, que o José da Graça – “o pérola
negra”--, sofrera uma abrupta síncope, e, logo depois, ainda aturdido, fora
depositar a garoupa pecuniária sobre o sincipúcio proeminente do Orixá de
Galeno, que era o seu maior aliado, e, também, preceptor dos fluidos propícios
e promanadores de uma corrente espiritual benfazeja.
Houve por parte do chamado “pérola negra”,
adesão do conteúdo examinado pormenorizadamente; mas, de modo cabalístico,
ocorrera repulsa do continente que lhe fora ofertado como forma donairosa de
dádiva exortativa. E, então, de maneira sobeja, quisera ostentar o simulacro
pundonoroso, para ratificar o seu posicionamento de autoridade inexpugnável!
Perante as inúmeras circunstâncias
infensas, os metamorfismos do humano têm se proliferado a cada dia, num total
conflito de pusilanimidades, no qual ainda se alvitra a possibilidade de
harmonização da cizânia, também deflagrada com ímpetos de sanha infrene!...
As fisionomias do hoje carream
subterfúgios inopinados; e, concomitantemente, exprimem admissão e rejeição!
Não sabemos, ao certo, se o enigmático sinal de identificação expressa
alacridade ou lancinância, haja vista a intensidade com que dimanam a partir do
acaso.
Jamais ressumbraremos o elucubrático
metafísico; pois, ainda, remanesce, em plena latência, a expectativa
alvissareira de uma esfíngica glândula protraída, quando ostentava a gradação
de lubricidade zênite; ou, então, a resultante peremptória de uma resiliência
nunca dantes lobrigada!
Quem diria que os metamorfismos do humano
aduzissem, indiscriminadamente, aos diversos arquétipos de modismos e
ondismos!... Realmente, os desideratos lídimos estão sendo ergastulados por via
enigmática, antes de se deixarem brotar do intrínseco, pois, ainda, permanecem
excruciados psicossomaticamente, de maneira prematura e abrupta.
O ato de pedir desculpas, após longo tempo
de procrastinação, porventura seja um arquétipo de fruição pessoal
recrudescente. De fato, as metamorfoses humanas impressionam e chegam a
transpor todos os limites de suporte concernentes aos graus de variância e
aceitabilidade da própria degenerescência.
Doutor Cursier, renomado especialista em
psicologia do comportamento, recebe em seu consultório, diariamente, muitos clientes
que apresentam metamorfoses heteróclitas. Sentem a extrema necessidade de
nuances fenotípicas quanto ao aspecto fisionômico, atendendo a
tridimensionalidade do dia. Parecem se reinaugurar a cada turno, estabelecendo
novos matizes para ambos os meios: interno e externo.
Julieta, a sua paciente decana, exibe a
estrambótica síndrome da épura invertida. Há premonições de soçobro em seu
corpo, porquanto recebe a influencia das forças antagônicas, sendo que a
centrípeta se dirige para o centro da linha trajetorial; enquanto a centrífuga
busca a periferia do plano linear, determinando um antagonismo basilar e
imprescindível.
Laércia enfatiza o amor e o relacionamento
em dias hodiernos. Alardeia ser uma temática de retumbância social nesta
atualidade abstrusa. Os relacionamentos ressumbram sendas labirínticas! E a
senhorinha de vinte e três anos, em pleno fastígio da mocidade, parece
albergar, para dentro de si, toda a solidão que há no imenso orbe.
Schopenhauer definiu o amor como a
manifestação de um desejo inconsciente de perpetuar a espécie. Pois,
conscientemente, ninguém suportaria carregar o fardo pesado da “vontade de
vida”. Para o egrégio filósofo, todas as juras de amor não passam de um
artifício natural para garantir a sobrevivência da espécie.
Em toda a sua obra, a visão de Arthur
Schopenhauer (1788-1860) sobre o que seria a sabedoria foge, basicamente, tanto
da busca pelo prazer, da afirmação da vontade – supostamente contemplada numa
existência inflamada e, normalmente, apenas no discurso livre --, quanto da
demanda pela felicidade que dependeria decisivamente de um amor, de um laço com
o outro. O interno, uma espécie de autossuficiência, a tranquilidade, e a volta
para o ser são as chaves para o filósofo alemão.
Acerca do livro “O Mundo como Vontade e
Representação”, Schopenhauer define o conceito de vontade, fundamental para a
compreensão de seu sistema: uma força metafísica que atinge, está presente em
todos os seres vivos, rege o mundo e controla o homem, que não é, assim, guiado
pela razão. Nessa linha, “nós não queremos uma coisa porque encontramos motivo
para ela, encontramos motivo para ela porque a queremos”. O intelecto, em
geral, trabalharia para a vontade, seria um escravo dela. Daí, resultaria a
dificuldade exorbitante de se possuir considerável domínio sobre si mesmo.
Em sintonia com todos esses pontos, há de
se lembrar que, para o pensador alemão, qualquer desejo, -- não excluído --,
seja o de relacionamento efêmero, de satisfazer impulsos imediatamente, ou o da
edificação de laços mais duradouros, nasce da falta, e, a partir do momento no
qual é concretizado, perde o seu valor.
Para Schopenhauer, a vida oscila, como
pêndulo, da direita para a esquerda, do sofrimento para o aborrecimento: estes
são os dois elementos de que ela é feita, em suma. A falta geraria dor e
desejo; este, à medida que é alcançado, não satisfaria de modo consistente,
duradouro, dando lugar ao tédio, que, para Schopenhauer, é ainda pior para o
homem do que o estado de ansiedade e sofrimento da falta, quando se quer algo
que não se possui. “E a realização nunca satisfaz; nada é tão fatal para um
ideal do que a sua realização”. E, além disso, a paixão satisfeita leva com
mais frequência à infelicidade do que à felicidade. Porque suas exigências
muitas vezes conflitam tanto com o bem-estar pessoal do interessado, que o
prejudicam.
Se a companhia de um ente querido, de um
parceiro, não é direta e expressamente despida de qualquer valor para
Schopenhauer, no seu pensamento, enxergamo-nos em um posicionamento totalmente
distante – difícil conceber separação, incompatibilidade maiores... – e em
incontáveis acepções, oposto aos disseminados, expressos no senso comum, no
ramo da autoajuda, no cinema em geral. O amor, não apenas pelo fato de ser
visto como uma máscara criada pelo desejo de preservar a espécie, no sentido
decantado, na sétima arte, nas ruas. E, destarte, é desmistificado, até por ser
colocado nesses espaços, como salvação, como ponte direta para a felicidade,
sem a contextualização devida do papel da autossuficiência e de outras
complexidades.
Severiano parece divergir inteiramente com
relação ao artigo que aborda as contundências marcantes do comportamento
humano, quanto experimenta, de modo mais acentuado, a sensação mantenedora
quanto ao hábito de morder a parte lateral da língua, dando a impressão real do
sobejamento com referência ao configurismo assumido pelo tamanho.
Ermiliana foi a cliente, talvez a mais
simples, a ad-rogar o infenso nefando, testando, de qualquer forma, a sua
capacidade de perdoar as tenebrosas ofensas. E, nesse caso, não soubera exarar
– por mais que quisesse – de onde viera descomunal tendência para a indulgência,
sobretudo, em se tratando de casos horripilantes, ressumbrando, desse modo, as
mais hediondas barbáries.
É insofismável corroborar que os
metamorfismos do humano não podem transcender as cláusulas regentes do enorme
sentimento de demanda, que é o amor. E, assim sendo, André Comte-Sponville diz
o seguinte: “O amor não é o contrário da solidão. É solidão compartilhada,
habitada, iluminada – e, às vezes, ensombrecida – pela solidão do outro. O amor
é a solidão sempre; não que toda solidão seja amante, longe disso, mas porque
todo amor é solitário. Ninguém pode amar em nosso lugar, nem em nós, nem como
nós”.
Wilson Cerveira
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