Há frases pandas, enfunadas – lídimos
relicários – no mais acendrado fastígio (abrangendo o continente e o conteúdo),
gerando acepilhadas logopéias, onde o sentimento perflui os vasos de pequeno,
médio e grosso calibre, quando neles veiculam sangue venoso e arterial,
contendo percentuais significativos de carboxi-hemoglobina e oxi-hemoglobina.
A rejeição tem a sua etiologia descrita,
principalmente quando se trata de um determinado comportamento esquipático, em
que, na trajetória, -- mesmo em absoluto silencio sepulcral – pode conter as
centelhas de uma vetusta sanha infrene, tendo por colimador imprescindível o
extermínio fulminante. E, de fato, a ilação dar-se-á, sem perplexidade, no
átimo exatório e determinante da extrema necessidade de vindita com relação ao
companheiro infenso!...
A nau capitânea, por mais redundante,
prossegue na expectativa de ressurgimento da madidez do sêmen, como se o corpo
de sazonalidade fosse todo um deserto – sem oásis – à espera angustiante de uma
chuva bastante postergada.
O desiderato da reminiscência está à mercê
das circunstancias, porquanto emerge do inóculo hermético, com finalidade
precípua de remanescer absconditado na peçonha, ou, então, se afasta da
virulência, à sorrelfa, para sopitar, desesperadamente, tendo por basicidade a
resina renitente do suplício estentórico e interminável.
É de natureza ambígua esse descomunal
escarmento, já que não se sabe, com certeza, a direitura a ser tomada pelo
elemento transitório, sobremodo quando demanda – por desprazer desditoso – o
seu inferno astral, escolhendo a peçonha objurgatória ou o inóculo, cabalmente,
soçobrado.
Às vezes, por infortúnio da sina, a
penitência da peçonha, no inóculo, atinge somente um dos digladiadores
atinentes ao desiderato. Ao passo que, sem dilucidações plausíveis, o outro, --
que é o maior causador da tumefação deflagratória dos anexos prepuciais,
exime-se da sua conivente imputabilidade.
Não se concebe a senda real da destinação
do fluxo, podendo partir da peçonha para o inóculo, ou, vice-versa, egressando
da imersão, para – em direitura – chegar à essência da substancia tóxica. Dessa
forma, a morte colapsal do ser está, geralmente, presa a dois ergástulos – um,
indicando emersão; o outro, submersão!...
O cautério da peçonha pode ocorrer na
extrinsicidade do contamínio, sendo labirínticas as encruzilhadas das
horizontalidades e verticalidades a serem referendadas como pontos basilares de
partida ou de chegada. E, nessa hesitação constante, não seremos capazes de
localizar, com exatitude, o imprescindível ancoradouro.
Quem tangencia algum ponto cabalístico
existente na trajetória, jamais pode se esquivar dele. A obsessão contumaz
passa a comandar todos os impulsos – tanto os externos quanto os internos,
determinando um cipoal de amarras inacabáveis.
É, realmente, algo viscoso e virulento,
tomando conta de todas as probabilísticas proporcionais vigentes. Neste caso,
não se percebe a dimensão do masmorral. E, quanto ao desiderato de eclodir do
ponto em que fora encontrado, redimensiona-se a inusitada paragem das
reticências de intersecção curvilínea.
Não há mistifório pior do que o que fora
extralocalizado, tendo por colimador centros fugazes, estabelecendo, em outras
condições antagônicas, a reversibilidade dos comportamentos periféricos.
A perfunctoriedade se faz presente à medida
que outros fatores redargúem, expressivamente, o mais alto rigor de
profligação, sobretudo em se tratando da impossibilidade de reagir a óbices
impertérritos; também, na similitude pinacular atinente a meros átimos
fortuitos.
Deveras, não se continha diante do mastro,
onde estava sentada a belíssima-- Espanca, que era a esperança meteórica da
lidima presença – dissera, em cabal tacitez, o exímio analista – Saturnino.
Sem maiores alardeamentos, a soturnidade
não permitia que Espanca vislumbrasse a caixa cabalística, que era uma reptação
à sua própria existência, pois ressumbraria as raízes amaríssimas do
padecimento contristador, banindo-lhe as probabilidades de dormitar em um
interregno estabelecido.
No interior dessa caixa esfíngica, havia a
umbria fenotípica de outra criatura – a própria Cabala, que era a sua maior
concorrente. Sim, era uma linda mulher (trazendo um tipo fatal de manobra
secreta) e quase tão bela quanto a mais venusta das deusas. Seus olhos eram
azuis como o mais límpido céu e de sua boca vermelha e úmida partia um hálito
fresco e perfumado. Sua pele era macia como o mais bonito dos veludos, e,
recobrindo-a por inteiro, havia ainda uma delicada penugem, que lembrava em
tudo a maciez da casca do pêssego. Seus membros, por sua vez, eram
delicadamente proporcionados, tendo sido exilada deles à força, em proveito da
graça. À frente do peito da deslumbrante criatura, lobrigavam-se dois pomos, os
quais ostentavam leveza – ao toque, ao mesmo tempo macios e firmes, coroando-os
ainda, num requinte de perfeição, com duas delicadas protuberâncias, que
recordavam duas pequenas cerejas.
Suas curvas eram perfeitas. De cada flanco
do corpo desciam duas linhas curvas voltadas para dentro, expandindo-se somente
à altura da cintura para dar lugar a um estonteante panorama, tendo ao centro
um triângulo hermético, que guardava dentro de si todos os segredos da vida e
de sua procriação.
Amiúde, a extasiante Cabala hesitou se
abria ou não a fantástica caixa. Mas, depois, depositando o precioso objeto ao
lado do travesseiro, adormeceu percucientemente. E, então, sonhou que dentro
dela saíam, como por mágica, cavalos alados da cor do mar e aves luminosas de
diversos tons esmeraldinos. Dos bicos prateados das gigantescas aves, com
certeza, originava-se uma canção de magnífica beleza, que a enterneceu até o
âmago mais profundo da alma. Homens e mulheres amplexavam-se desnudos, em pleno
ar, ao som desta cantiga inebriante, misturando-se àquelas criaturas -- de tal
modo, que pareciam ter asas como elas.
Despertando com aquele devaneio mirífico,
Cabala estendeu a mão imediatamente para o seu presente. Não podendo mais
conter o seu desejo, ergueu a tampa numa volúpia insana de curiosidade que lhe
pôs na espinha um arrepio gelado.
Nem
bem ergueu um pouquinho a tampa dourada, Cabala sentiu-a ser arrebatada das
mãos, caindo ao chão, longe da cama. Assustada, ainda assim, manteve o objeto
preso entre as mãos. Então, ela viu escafeder de dentro da caixa algo a
principio sem forma. Parecia que todos os ventos do mundo se escapavam
desordenadamente dali, na pressa da fuga. Incontinenti, um deles tomou a forma
de uma caveira volátil, parecendo toda feita de cristal e de vento. Tomando uma
dimensão estarrecedora, o escanifrado anatômico apropinquou seu rosto rútilo da
face da pobre moça, que fremia de medo. Podia sentir na fisionomia o bafo
mortalmente gelado que passava por entre os dentes de gelo, completamente
arreganhados, do horrendo esqueleto.
Por alguns instantes, aquele espectro
macabro a examinou com suas órbitas vazias, esquadrinhando-a sempre com seu
bizarro sorriso de vidro. Depois seus maxilares bateram reiteradas vezes, um de
encontro ao outro, aumentando cada vez mais o ritmo a um ponto tal que ela
somente podia lobrigar aquelas fileiras diáfanas de dentes, martelando-se uns
aos outros, e parecendo inelutável que
se fariam em pedaços diante de seus olhos atônitos.
Algo
parecido a uma gargalhada escapava por entre os rápidos intervalos das batidas
dos maxilares, que ela não sabia precisar se era uma risada de escárnio ou um
lamento de dor. E, destarte, Cabala estava prestes a desmaiar, quando o
esqueleto foi se tornando gasoso outra vez, transformando-se num grande e
gélido vapor que fugiu pela janela do quarto, perdendo-se no mundo.
Depois surgiram vários rostos deformados,
cobertos de pústulas, que se erguiam da caixa como se fossem o retrato horrendo
da enfermidade sinistra. Depois de assoprarem sobre seu rosto o bafo doentio
das febres renitentes, arremessaram-se também pela janela atrás das primeiras,
finalmente libertas. Dentre os fantasmas que escaparam da caixa cabalística,
Cabala teve o desgosto de ver personificados todos os vícios que viriam a
acometer no futuro a alma humana.
Wilson Cerveira
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