sábado, 29 de junho de 2013

NORMOANORMALIDADES NA MÍDIA

      O ato de não se manter na mídia, em tempos de pretérito recente, era visto como sendo algo anormal; e, no hodierno, a mesma ação é lobrigada como sendo um procedimento de âmbito normal, uma vez que a superocupação – lídimo psicopatismo –impossibilita quaisquer arquétipos de manutenção comunicativa.
     A mídia é relegada, de maneira indubitável, em meio aos inúmeros artefatos tecnológicos. Especiosamente, vislumbra-se uma supersaturação dos condutos cibernéticos, pois todos, quase sem exceção, parecem estar obliterados diante de tantos imbróglios contextuais.
     Interneudo, cognome bizarro, era o Alexandrino, homem que demandava o perfil de voo, dando a pseudo-impressão de estar inserido no espaço aéreo das píncaras ondas comunicativas, se bem que estivesse com os pés arraigados nos interregnos gravitacionais do telúrico.
     As redes sociais exercem as funções basilares atinentes às necessidades egocêntricas. Os sujeitos se posicionam com o escopo de satisfazer, sob forma espectral, o seu próprio ícone. E, desse modo estrambótico, não redargúi a nenhum questionamento, dando sinal de ocupado, de ausente, de sempiterno, com visionária visibilidade, ficando entre as faixas dos espectros: invisível e visível!...
     Também, Leocardino reminiscenciava a pragmática da normoanormalidade atuante na mídia, nestes dias de desencontros consecutivos. Apresentou-nos, à sorrelfa, os seus objetos fantasmagóricos, enfileirados em três ambiências: os que eram, dificilmente, ligados à eletricidade; outros, que, embora funcionassem precariamente, jamais serviriam de estímulo para inusitadas destinações, afora o uso ramerreico do espanador, tirando-lhes as poeiras exacerbantes. Outrossim, existem aqueles que não possuem conteúdos, apenas continentes e demais aderências cabalísticas, que estão absconditadas em buçais de altíssima rotatividade presuntória!...
     Há, também, elementos interpolantes -- das mais variadas estratificações sociais – os quais requerem etiquetas, contendo todas as informações concernentes aos implexos mecanismos tecnológicos, conquanto ainda estejam distantes do poder aquisitivo desses suspirosos pretendentes.
     Em tempos de ondismos psicodélicos, o ciborgue, (indivíduo ao qual se adaptam dispositivos mecânicos que comandam suas funções fisiológicas vitais), apenas, se locupleta ao pronunciar o nome da marca do objeto que se acha em voga!... Se, ao regressar ao ponto de partida, encontrar vários impressos propagandistas, não hesita no sentido de trazê-los consigo, enriquecendo ainda mais o número recrudescente de perquirições auferidas.
     Saibais, decerto, que o símbolo integra o processo de comunicação presente no cotidiano das pessoas em diversos segmentos do conhecimento humano. Ele pode ser definido como um objeto físico a que se atribui uma significação, muitas vezes abstrata, por força da tradição ou da semelhança.
     A linguagem humana é repleta de simbologias. Algumas são reconhecidas internacionalmente, enquanto outras são entendidas dentro de um determinado grupo ou contexto. Destarte, a história nos ressumbra que todo o cosmos pode ser considerado um símbolo em potencial. Ila-se que, após elucubração, tudo o que nos apropínqua ou identifica; isto sim, sem perplexidade, readquire uma caracterização em ícone.  Assim, o homem transforma, inconscientemente, objetos ou formas em símbolos meritórios, atribuindo-lhes, assim, uma descomunal acepção psicológica.
    De acordo com Carl Jung, uma palavra ou imagem é simbólica quando implica alguma coisa além de seu significado imediato e manifesto. Esta imagem tem um aspecto “inconsciente”. Esta imagem tem um aspecto inconsciente mais amplo, que nunca é precisamente definido ou inteiramente elucidado. E nem sempre podemos ter esperanças de defini-lo ou explicá-lo. Quando a mente explora um símbolo, é conduzida a ideias que estão fora do alcance da nossa razão.
    Assim toda experiência contem um número indefinido de fatores desconhecidos, sem considerar o fato de que toda realidade concreta sempre tem alguns aspectos que ignoramos, uma vez que não conhecemos a natureza radical da matéria em si, esclarece Jung. Nesse caso, é de bom alvitre exarar que, de acordo com o psicanalista, existem acontecimentos de que não tomamos consciência e são absorvidos subliminarmente, sem que tenhamos consciência deste fato. As pessoas só os percebem por meio da intuição ou da reflexão. Entretanto, no devir, podem ressurgir sob forma onírica, ficando por longo tempo em estado de latência!...
    De fato, não se pode, hodiernamente, usar de tantas esquivanças com relação ao conjunto que integraliza a abrangência dos mais díspares meios de informação e comunicação (imprensa, rádio, televisão etc). A mídia, mesmo em estado estróina, representa cada um desses meios de comunicabilidade real ou fictícia. Também, é considerada como um imprescindível setor de uma agência de propaganda, que planeja e orienta a veiculação de cartazes, filmes, anúncios etc.
    Reitera-se que, faz séculos, depois da argila, do papiro e do pergaminho, a humanidade transmite conhecimento no papel. Dos livros manuscritos pelos monges medievais até a pagina enviada por fax, era sempre papel. Lentamente, escrita e leitura passaram a se dar através de telas de vidro – mais propriamente de cristal liquido, de diodos emissores de luz. Começaram a sair livros para leitura em palmtop, computador e em laptop. Depois, para surpresa geral, vieram os smartphones; cujas ferramentas mais recentes aparatam tela de superamoled full HD de “5”; 2 Gb de memória RAM, processador Exyos de até oito núcleos, câmera principal de 13 megapixels e câmera frontal de 2 megapixels e ainda a versão mais recente do sistema Android – a Jelly Bean fazem parte do inusitado smartphone, que exagera em altíssima tecnologia.
    Realmente, tudo pode ser considerado potencialmente um símbolo. Qualquer coisa que nos cerca pode adquirir um significado simbólico, como objetos construídos pelo homem, a natureza, assim como formas abstratas. Alguns símbolos são formados por iniciais de entidades ou por logotipos de produtos comerciais.
    Por fim, os tablets e os leitores eletrônicos, desses que acabam de chegar ao mercado brasileiro: Kobo, Kindle, Google Play. Outrossim, nos países ricos, a transição está avassaladora. Desde o ano pretérito, a Amazon, um mamute do varejo on-line, já vende mais livros digitais do que livros físicos no mercado americano.
    Na Inglaterra, a virada acontecera em prístino recente, em razão da acolhida estrondosa de Cinquenta Tons de Cinza, de E.L James, que vendeu dois milhões de exemplares eletrônicos em quatro meses. Na Alemanha, o ano fechou com a venda de 800.000 leitores eletrônicos e tablets, o triplo em relação a demanda anterior.
    Sob qualquer ângulo que se examine o cenário, é um momento histórico. Fazia mais de quatro milênios, desde que os gregos criaram as vogais – o “aleph” semítico era uma consoante que virou “alfa” dos gregos e depois o “a” do nosso alfabeto latino --, que o ato de ler e escrever não sofria tamanho impacto cognitivo. E, os mais recentes suspensórios tecnológicos, em tempos hodiernos, parecem recrudescer, cada vez mais, as probabilidades malogradas existentes na raiz basal da comum descomunibilidade reinante. E, assim sendo, havia mais de cinco séculos, desde os tipos móveis de Gutenberg, o livro não recebia intervenção tecnológica tão significativa.
    Nesta normoanormalidade midial, já existem “livros enriquecidos”, que trazem trilha sonora, vídeos e fotografias, novidades já disponíveis no Brasil. E, em se tratando da Inglaterra, a edição enriquecida de “Aventuras de Sherlock Holmes” emite sons – gritos, trovões, ventos uivantes – à medida que o leitor avança nas páginas. Tudo é adicionado automaticamente. Uma edição de “On the Road (Na estrada)”, clássico de Jack Kerouac, traz mapa, biografias, fotos e um áudio de quase dezessete minutos do autor lendo um trecho do livro, de origem até hoje desconhecida. É um aplicativo para tablet. Até os segredos da leitura, antes indevassáveis na mente do leitor, agora estão sendo revelados. Amazon, Apple e Google espiam o leitor a qualquer hora. Sabem quantas paginas foram lidas, o tempo consumido, os títulos preferidos.
  
                                                    Wilson Cerveira 

       


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