segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A FARSA DOS ANÉIS

     Nos tempos de antanho, buscavam-se, com dificuldade redobrada, os anéis. Tanto assim, gladiavam-se perante o enfrentamento de uma descomunal distância. De igual maneira, partia-se para outro continente – na escolha seleta de um país consagrado – onde estavam situadas as universidades de portentosa honorabilidade.
     Os anéis seriam vários, tendo cada um a sua importância, assim como, o devido local de especificidade, conforme o dimensional morfológico de cada dedo. Para que coubessem em seus acoplamentos, de modo ajustado, os dedos teriam que passar pelas diferentes pontuações do anel padrão, estabelecendo as díspares diferenças entre as múltiplas medidas e respectivas oscilações, aparatando meândricas derivadas.
     Na época em que foram elucubrados, esses círculos anulares ostentavam um valor econômico crescente e um apego sentimental inefável. Ao passo que, no hodierno, ficam trancafiados nos limiares dos confinamentos financeiros atinentes às Caixas Econômicas e aos Bancos do Brasil.
     Em tempos prístinos, onde as alianças resplandeciam, -- em pleno revérbero--, ablacionavam-se apenas os dígitos, mas remanesciam os anéis, cada qual exprimindo a sua função basilar – devidamente determinada no tangenciar da geratriz de praticidade.
     Cada anel expressava uma sentença em particular, -- num direcionamento tutelar de muitos meandros. O implexo, em sua percuciência, era dirimir os pontos sinuosos e interseccionais, sobremodo os que davam acesso aos ressumbratórios de provimento.
     Há, em dias hodiernos, outros anéis cabalísticos que possibilitam várias comutações assinalantes, partindo da simples permutação de uma análise combinatória, passando, socapamente, pelas duplicidades do reverso – em direitura ao indicador pejorativo – ademanes que caracterizam o phalo --, sempre ladeado por dois suspensórios ocupando os quadrantes que dão acesso ao projecional relativo ao plano de épura.
     As variâncias qualitativas dos materiais que tangenciam os variegados padrões – desde  os anéis de latão, de bronze, de zinco, de alumínio, de prata etc, -- os quais perpassam pelos matizes desfechados na redundância das ligas metálicas, até alcançar os ouropéis, -- especiosos ouros de fantasia. Outrossim, todos esses modelos não são bem vistos pelos larápios, em virtude da vil pecúnia estipulada pelos respectivos arquétipos, comercializados nas casas onde o dourado é forjado, com exclusiva intenção de impressionar a retina!...
     Existem pessoas – que portam ouro legítimo –, chamando as atenções ao derredor de si mesmas, sobremodo no expender dos dedos distendidos sobre a mesa, como se fossem negociar os demais quilates ressumbrados na arquitetura qualitativa das substâncias componentes.
     Entre gregos e romanos, no mais altissonante vocativo, o direito de usar o “anel” era concedido apenas aos cidadãos beneméritos, o metal empregado era o ferro. Aristóteles mencionou o fato dos cartagineses oferecerem anéis aos seus oficiais a cada vitória alcançada, reforçando aí a imagem de nobreza que cerca o Anel desde os tempos mais antigos.
    No ano de 330 D.C, no período do imperador Valentiniano, anéis eram pendurados sobre uma mesa que continha o alfabeto. Ao tocar em determinadas letras, eles revelavam o nome daquele que conspirava contra o imperador.
    Mas – além de bonito e esotérico – anel mostrou-se uma peça de grande utilidade ao homem. Lembremo-nos do Anel de Sinete, geralmente herdado. Seus símbolos heráldicos possibilitam a autenticação de documentos importantes, além de reivindicar propriedades. Em muitos desses anéis, os brasões têm símbolos que remetem à honra, fidelidade, firmeza e tantos outros referenciais.
    O anel como símbolo de noivado e matrimônio surgiu entre os gregos e romanos, importado do costume hindu de usar um anel de casamento. A cultura romana acreditava que pelo quarto dedo da mão esquerda passava uma veia que estava diretamente ligada ao coração, por isso este foi o dedo escolhido para o uso da aliança, costume que perdura até os nossos dias. A partir do século IX, a Igreja Cristã adotou a aliança como símbolo de fidelidade entre os cônjuges. Na mitologia japonesa, os anéis eram usados em todos os dedos. Outra particularidade sobre os anéis é que ele só podem ser tirados dos membros após sua morte.
    Reis usam anéis ou sinetes, sendo valorizados por arqueólogos em museus, que são frequentemente associados a civilizações como a romana e a grega, e eram usados apenas pelas maiores castas como reis e imperadores. Os sinetes anéis eram os mais populares dos sinetes, tendo na maioria das vezes um brasão, que foi entalhado em metal ou pedra preciosa. Os mais usados eram feitos de ouro ou de ágata. Era uma tradição nobre na Europa, existindo na Alemanha, Itália e Inglaterra, e indicava quando uma pessoa estava casada. Hodiernamente, para atender falacioso puritanismo – em seu ponto de fastígio – as mãos de algumas senhoras ficam a levitar em meio ao espaço, com os dedos da esquerda escancarados, numa demonstração especiosa de serem, possivelmente, donas de corpos e territórios demandados por espectros animais!...
    O anel é um significativo símbolo distintório, numa tentativa de diferenciação entre as várias categorias existentes em seus respectivos graus de hierarquia. Podemos ilustrar esta lidimidade exarando que o anel de sinete do papa é cognominado “Anel do Pescador”, sendo usado desde o século XIII.
    De igual modo, o anel de formatura é caracterizado pelos emblemas nas laterais e a pedra central de cor. Na colação de grau, o anel marca a consagração de uma etapa, a reptação superada, a exequibilidade de um devaneio e a representabilidade da profissão.
     Tudo foi feito com ofertas do povo, “correntes, braceletes, anéis, brincos e colares.” Números 31:50,52,54. Como o povo está vendo muito bem, se Deus aceitou que a obra do santuário fosse revestida com o ouro das jóias das filhas de Sião, é porque não contraria a palavra de Deus em nada; no entanto, é a cachimônia de certos doutrinadores, indubitavelmente, é que é a principal responsável por certa abstrusão quanto ao uso dos anéis. Assim sendo, o uso de jóias – de modo geral – na comunidade judaica era, e ainda é comum, e não vemos proibição da parte dos profetas e de Jesus Cristo. Os apóstolos, também, não coibiram, recomendaram apenas ponderação. “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo Jesus Cristo a principal pedra da esquina.” Efésios 2:20

                                                Wilson Cerveira

                                     

Um comentário:

  1. Anônimo13/10/13

    Muito bom o artigo sobre os anéis. "A farsa dos anéis". Uma viagem pelo uso dos anéis através das gerações humanas.

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