sábado, 13 de setembro de 2014

AMARÍSSIMAS PROVAÇÕES DO ESPECIALISTA

       Primazias variam conforme as gradações dos amaros, e dependem do nível da educação que lhe foi proporcionada pelo ambiente e demais pessoas com as quais convivera – dentro e fora de casa. De fato, à cata recrudescente de inusitados distúrbios, esconsos em cabalíssima incógnita inefável, todos, – sem exceção – estando a demandar de uma série exaustiva de exames...
     Há várias morbidades pertencentes ao mesmo lote valetudinário; entretanto, ostentam etiologias incognoscíveis. Nesse caso – deveras bizarro – o especialista encontrar-se-á à mercê das circunstancias surpreendentes, principalmente quando se considera especialíssimo, dando-nos a tartufa premonição de que auferiu o ponto fastigioso do sistema imunológico, contraindo um arquétipo esquipático de invulnerabilidade implacável!
     Quando o especialista expia os mesmos excruciamentos do paciente, aduzindo para si (intrínseca ou extrinsecamente) o pródromo de uma abscôndita patologia inidentificável para alguns autores; e, controvertidas quanto a porvindoura existência de síndromes palindrômicas.
     Realmente, a especialidade abduz o aprendiz profissional – apenas um amador em estado de experimentação diuturna, que faz com que o organismo somatorial – sem hesitação – aduza-o para o cerne sapiencial específico, ensanchando em direitura, buscando meios horrendos de percuciente perquirição.
     A presunção deveria ser diligenciada ao longo dos pontos meândricos que formam a cabalística fita tangencial das circunstancias, precatada em âmbito constituído por escaninhos labirínticos, tendo uma margem gradualesca quanto à aplicação do impolêncio antagonismo discricionário.
     O especialista pode ser provado de várias maneiras, sendo uma delas – a mais pungente de todas – a que incorre no seu próprio organismo, como se fosse um tributo expiatório no âmbito da especialização opcionada.
      Biblicamente, eis o aforismo contundente: “Médico, cura-te a ti mesmo”; faze também aqui na tua pátria tudo o que fora feito em Carnafaum. E, uma vez que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria, surdirá – de inopino – o fatídico tal qual uma Jerusalém que apedreja os seus profetas!...
    Um ortopedista não gostaria – de hipótese alguma – vaticinar as probabilidades de algum dia, no percucientar da senectude, encontrar-se sob os escarmentos proporcionados por uma cadeira-de-roda. Destarte, o ideal de ser útil, para si e demais criaturas, estaria no soçobro de quaisquer onirismos idealistas. Nesse caso, paciente e profissional estariam a ocupar mesmas condições de invalidez. Arrostadamente, a diferença existente entre ambos, mostrar-se-á no valor pecuniário do material móvel a ser exibido diante das perlustrações realizadas pelas pessoas de enxerimento mais aguçado.
     O especialista cercar-se-á de outros especialistas, pois o seu estado depressivo requererá a preceptoração de neurologistas e psiquiatras. A depressão nervosa induzirá o paciente quanto ao ato de experimentar solicitudes terapêuticas diversificadas.
     O estudioso, de quaisquer áreas do conhecimento, -- notadamente o que se primazia na qualidade de especialíssimo, deverá buscar meios concretos – quase inexpugnáveis --, no sentido de reaver com libração o que deixara expungir em sobejo, simbolizando o trágico de si mesmo, que é a redundância malévola da soberba!...
     É mais coerente o plangenciar do cliente, no exatorial átimo em que perlustra o especialista, indistintamente, a aparatar determinada inutilidade física psicomotora. Eis, então, o nefrologista – o mesmo que atendera ao Petrônio --, e que fora, posteriormente, submetido a três sessões de hemodiálise semanalmente!... Mais adiante, num êxtase macabro, virando o corredor à esquerda, deparamo-nos com um pneumologista – de menos de meia centúria --, sob os auspícios dos mais modernos aparelhos tecnológicos, os quais lhe proporcionavam o postremeiro arquétipo no âmbito da respiração artificial!... Ascendendo, em seguida, ao andar seguinte, vislumbramos com tristura a esquálida imagem de um cirurgião – plástico, sendo trasladado com urgência ao centro cirúrgico, para que pudesse se submeter a um suscetível transplante de pele, já que fora vítima de um processo crestatório gravíssimo, estando na ordem de terceiro grau!... E, assim, os especialistas iam desfilando os excruciamentos probatórios dentro de suas próprias especializações!...
     Não haveria arrebatamentos contundentes com relação ao devir, se esses moços não se engalanassem de borla e capelo, partindo em direitura ao estado consumatório, e, de modo a ostentar as efígies exornadas de laivos crematoriais – compondo dessa maneira os demais ícones, remanescentes e estrambóticos, que se farão pertinentes a um crástino longínquo, tendo por estigmatizações um número exacerbante de fantasmagóricos onirismos!...               

                        Wilson Cerveira
                      


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