terça-feira, 2 de setembro de 2014

REMANESCÊNCIA PEREMPTORIAL

Depreende-se, abstrusamente, que as lembranças e relembranças, parcelas transitórias da memória, vão – de modo paulatino – se expungindo no recrudescer da senescência. Por que a provectude é o depositário implacável de tantos enigmatismos ininteligíveis?!... Não se consegue redarguir, de maneira saciatória, tantos mistérios que se distanciam da capacidade de compreensão humana; e, somente Deus, em sua plenipotência, ressumbrará o alumbramento necessário, tendo por finalidade precípua o aclararamento das heteróclitas e antinômicas circunstâncias inerentes aos inopinamentos vitais.
      O tempo, punhal de dois gumes, é inexorável em todo o seu cabalístico percurso pontilhado de oscilações existenciais. Ele é réprobo em toda a sua mensuração; constrói e desmorona com a mesma habilidade de um maestro que, com o passar inclemente do tempo, vai perdendo langorosamente os compassos rítmicos e harmônicos, que são binômios específicos e inerentes ao regencial sincrônico da orquestra.
     Sucumbe a cada dia, no intrínseco de cada ser, uma mínima e significativa porciúncula do seu próprio estado psicossomático. E, num somatorial lento e compassivo, muito dificilmente se chegará a perceber o ínterim em que os fatores adicionais – de caráter infenso – extrapolam todas as estremaduras, abrangendo desde as ínfimas até as máximas variâncias atinentes aos mecanismos orgânicos de uma implexa homeostasia.
     Com o recrudescer da senescência, iremos propugnando os gládios das obliterações lancinantes. De repente, perguntar-nos-emos quase em estado de percuciente aparvalhamento: “Onde estará o Mestre Caetano?” – que era o autêntico catedrático dos algarismos, dos cálculos aritméticos e dos problemas abrangendo as quatro operações!... Decerto, transpôs há mais de três decênios os umbrais da eternidade; e, hoje, lá no espaço etéreo onde se encontra, resolveu aprender o que lhe faltava saber com proficiência convincente, que era o estudo pormenorizado da labiríntica geologia dos campos santos!...
     O Homo sapiens, em sua crassa insensatez, não é capaz de vislumbrar, de modo suscetível, as vicissitudes decorrentes dos bruxuleios obliterativos! Nesse caso, no incrementar patológico dos distúrbios neuronais, estropiam-se sincopadamente os laivos de discernimento da insólita magnificência divisional do tempo registrado – de maneira exatorial – em toda a sua extensibilidade assimilatória. De fato, tudo poderia ocorrer fortuitamente, dando a impressão de que não houvesse termo regulador com especificadas indicações, abrangendo um somatorial de palingenesias priscas, que jaziam em completa latência inumatória. Realmente, o ato prolativo determinará as circunstâncias infensas de neófitas apropinquações centuriais!...
     Extinguem-se laivos de ternura em meio a uma comunicação inimaginável, que vive somente de aparatos espectrais – onde o fictício impera em multidireções vetoriais vigentes!
     Donde promanam esses prodrômicos instintos animais, constituintes protótipos da anfimixia do óvulo com o espermatozoide?!... Decerto, estão sendo assistidos à luz de um probabilístico e hesitante sistema educacional, que jamais tivera a sua etiologia, no mais percuciente esquadrinhamento, encetada a partir do terço médio das “trompas de Falópio”.
     Não há regras que asseverem o regalo dos tálamos, mantendo-os sob o estrito estatuto das leis cartoriais e cristãs que regem, em seus especiosos juramentos infringíveis, os tartufos direitos e deveres matrimoniais!... Não há como conter as pressões infrenes, das imanes lassidões, que se apoderam aliciativamente dos neurotransmissores – substâncias hormonais que estabelecem a sanha pungente de sucessivas inoculações fruitivas!...
     Um escorço seria suscetível, para que se ressumasse, de fato, sem hesitações, de que tudo isso representa o simulacro incontesti da descomunal deseducação em dias hodiernos, notadamente em se tratando dos falaciosos sistemas, regidos por leis ministeriais e secretariados, visando apenas a aprovação dos discentes. Os indivíduos, de modo generalizante, precisam ser educados em todos os quadrantes e faixas etárias coalescentes, independentemente dos seus níveis de escolaridade; para que as sensórias externas se metabolizem, de maneira anabólica, aos estímulos-resposta, provindos das intrinsidades das células, tecidos, órgãos e sistemas orgânicos.
     O palmilhar primicial não obedece ao ritmo de uma necessária educação postural. Se assim o fosse os pequenos desvios do eixo vertebral seriam, de imediato, postos em observação reparadora, propiciando um espaço de tempo suficiente para corrigi-los. Destarte, evitar-se-iam novas cincadas, se existisse um adendo minucioso de anomalias somatorizantes!
     O sentar, em seu ensaio principiante, requereria outros acuramentos – simbolizando inusitados adendos, expendendo maior rigor quanto ao cumprimento sequencial, tanto dentro quanto fora do ambiente escolar, obedecendo ao condicionamento de um valhacouto supervisionado, de modo qualitativo, não podendo digressionar sua lídima destinação, que é o acepilhamento do saber aplicado em diversos ramos da atividade humano-tecnológica!
     Afinal, esqueceremos os cálculos mais complexos, os caminhos ínvios, as operações vitais mais abstrusas. E, desse modo sorumbático, a senilidade tomará o leme do meândrico e fantasmagórico bote, e nunca mais teremos a ensancha de participar da ação timoneira de nossas labirínticas destinações!...

     Perderemos o fidedigno sotaque das línguas, sobretudo as neolatinas... Obliteraremos, tacitamente, -- de modo sutil – a etimologia dos radicais híbridos e incognoscíveis. Olvidaremos, por tempo indeterminado, as proliferantes terminologias semânticas – extensivas e transformantes – no transcorrer especioso das centúrias, anos, meses, dias, horas, minutos e segundos!... Afinal, na cerimônia do eterno adeus, restar-nos-á, segundo Albert Einstein, caso tenhamos conseguido no princípio da nossa formação vital, o que há de mais significativo e precioso – dentre todos os valores conhecidos – que é a educação!...


                                                             Wilson Cerveira

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