Depreende-se,
abstrusamente, que as lembranças e relembranças, parcelas transitórias da
memória, vão – de modo paulatino – se expungindo no recrudescer da senescência.
Por que a provectude é o depositário implacável de tantos enigmatismos
ininteligíveis?!... Não se consegue redarguir, de maneira saciatória, tantos
mistérios que se distanciam da capacidade de compreensão humana; e, somente
Deus, em sua plenipotência, ressumbrará o alumbramento necessário, tendo por
finalidade precípua o aclararamento das heteróclitas e antinômicas circunstâncias
inerentes aos inopinamentos vitais.
O tempo, punhal de dois gumes, é inexorável
em todo o seu cabalístico percurso pontilhado de oscilações existenciais. Ele é
réprobo em toda a sua mensuração; constrói e desmorona com a mesma habilidade
de um maestro que, com o passar inclemente do tempo, vai perdendo
langorosamente os compassos rítmicos e harmônicos, que são binômios específicos
e inerentes ao regencial sincrônico da orquestra.
Sucumbe a cada dia, no intrínseco de cada
ser, uma mínima e significativa porciúncula do seu próprio estado
psicossomático. E, num somatorial lento e compassivo, muito dificilmente se
chegará a perceber o ínterim em que os fatores adicionais – de caráter infenso
– extrapolam todas as estremaduras, abrangendo desde as ínfimas até as máximas
variâncias atinentes aos mecanismos orgânicos de uma implexa homeostasia.
Com o recrudescer da senescência, iremos
propugnando os gládios das obliterações lancinantes. De repente,
perguntar-nos-emos quase em estado de percuciente aparvalhamento: “Onde estará
o Mestre Caetano?” – que era o autêntico catedrático dos algarismos, dos
cálculos aritméticos e dos problemas abrangendo as quatro operações!...
Decerto, transpôs há mais de três decênios os umbrais da eternidade; e, hoje,
lá no espaço etéreo onde se encontra, resolveu aprender o que lhe faltava saber
com proficiência convincente, que era o estudo pormenorizado da labiríntica
geologia dos campos santos!...
O Homo sapiens, em sua
crassa insensatez, não é capaz de vislumbrar, de modo suscetível, as
vicissitudes decorrentes dos bruxuleios obliterativos! Nesse caso, no
incrementar patológico dos distúrbios neuronais, estropiam-se sincopadamente os
laivos de discernimento da insólita magnificência divisional do tempo
registrado – de maneira exatorial – em toda a sua extensibilidade
assimilatória. De fato, tudo poderia ocorrer fortuitamente, dando a impressão
de que não houvesse termo regulador com especificadas indicações, abrangendo um
somatorial de palingenesias priscas, que jaziam em completa latência
inumatória. Realmente, o ato prolativo determinará as circunstâncias infensas
de neófitas apropinquações centuriais!...
Extinguem-se laivos de ternura em meio a
uma comunicação inimaginável, que vive somente de aparatos espectrais – onde o
fictício impera em multidireções vetoriais vigentes!
Donde promanam esses prodrômicos instintos
animais, constituintes protótipos da anfimixia do óvulo com o espermatozoide?!...
Decerto, estão sendo assistidos à luz de um probabilístico e hesitante sistema
educacional, que jamais tivera a sua etiologia, no mais percuciente
esquadrinhamento, encetada a partir do terço médio das “trompas de Falópio”.
Não há regras que asseverem o regalo dos
tálamos, mantendo-os sob o estrito estatuto das leis cartoriais e cristãs que
regem, em seus especiosos juramentos infringíveis, os tartufos direitos e
deveres matrimoniais!... Não há como conter as pressões infrenes, das imanes
lassidões, que se apoderam aliciativamente dos neurotransmissores – substâncias
hormonais que estabelecem a sanha pungente de sucessivas inoculações
fruitivas!...
Um escorço seria suscetível, para que se
ressumasse, de fato, sem hesitações, de que tudo isso representa o simulacro
incontesti da descomunal deseducação em dias hodiernos, notadamente em se tratando
dos falaciosos sistemas, regidos por leis ministeriais e secretariados, visando
apenas a aprovação dos discentes. Os indivíduos, de modo generalizante, precisam
ser educados em todos os quadrantes e faixas etárias coalescentes,
independentemente dos seus níveis de escolaridade; para que as sensórias
externas se metabolizem, de maneira anabólica, aos estímulos-resposta, provindos
das intrinsidades das células, tecidos, órgãos e sistemas orgânicos.
O palmilhar primicial não obedece ao ritmo
de uma necessária educação postural. Se assim o fosse os pequenos desvios do
eixo vertebral seriam, de imediato, postos em observação reparadora,
propiciando um espaço de tempo suficiente para corrigi-los. Destarte,
evitar-se-iam novas cincadas, se existisse um adendo minucioso de anomalias
somatorizantes!
O sentar, em seu ensaio principiante, requereria
outros acuramentos – simbolizando inusitados adendos, expendendo maior rigor
quanto ao cumprimento sequencial, tanto dentro quanto fora do ambiente escolar,
obedecendo ao condicionamento de um valhacouto supervisionado, de modo
qualitativo, não podendo digressionar sua lídima destinação, que é o
acepilhamento do saber aplicado em diversos ramos da atividade
humano-tecnológica!
Afinal, esqueceremos os cálculos mais
complexos, os caminhos ínvios, as operações vitais mais abstrusas. E, desse
modo sorumbático, a senilidade tomará o leme do meândrico e fantasmagórico
bote, e nunca mais teremos a ensancha de participar da ação timoneira de nossas
labirínticas destinações!...
Perderemos o fidedigno sotaque das línguas,
sobretudo as neolatinas... Obliteraremos, tacitamente, -- de modo sutil – a
etimologia dos radicais híbridos e incognoscíveis. Olvidaremos, por tempo
indeterminado, as proliferantes terminologias semânticas – extensivas e
transformantes – no transcorrer especioso das centúrias, anos, meses, dias,
horas, minutos e segundos!... Afinal, na cerimônia do eterno adeus,
restar-nos-á, segundo Albert Einstein, caso tenhamos conseguido no princípio da
nossa formação vital, o que há de mais significativo e precioso – dentre todos
os valores conhecidos – que é a educação!...
Wilson Cerveira
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