quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A RESPEITOSA ESCOLA TRADICIONAL

    Decerto, soçobra em percuciente letargia, banida do tempo, a Escola Régia da cidade de Alcântara do Maranhão. A imane vacuidade preencheu-lhe todos os espaços, remanescendo apenas a recrudescência cabalar de uma voz estentórica, podendo retumbar em tessituras deblaterizantes, blateradoras e vociferais. E, desse modo, meio bisonho, fundamentalizavam-se as raízes arraigadas em longetudinalidade, o atrelar do basilar fulcro do sentimento patriótico: forjado ou espontâneo, com abrangência na sua extensibilidade analítica.
     Dessa forma, incutia-se no aluno as honrarias reverenciais à família. E, também, a exortar a pessoa do professor, colocando-a em primeiríssimo plano, com todas as deferências.
     Encarar a disciplina, estabelecendo ordens no decurso de sua assimilação. Refocilar sempre as bases primárias, mantenedoras de outras aplicabilidades posteriores, para que não houvesse declínio quanto ao grau de sapiência.
     Sabia integralizar o tempo, emprestando, dessa forma, caráter exatorial para cada disciplina ministrada, sem que existisse a tal ultrapassagem de um segundo sequer na escala cronométrica. E, assim, não haveria interregnos entre as matérias lecionadas. Sendo assim, o ritmo sequencial era rigorosamente obedecido, mesmo que a ressumbração delimitasse alguma preferência por parte de determinados discentes.
     Os castigos, sem exceção, eram infligidos na hora precisa e de conformidade com a transgressão perpetrada em cada normativa contida no regimento escolar dos tempos de Antanho.
     As notas apresentavam caracteres reais em todos os parâmetros estabelecidos quanto às técnicas e métodos avaliativos. Tanto assim, sem hesitação exatorial, os pontos amiudavam-se de tal maneira, milimetricamente, pormenorizando os décimos, centésimos e milésimos.  Caso houvesse carência de um indicativo, numérico minucioso, a aferição seria realizada no término de cada aula independente da disciplina! ...
     De fato a aferição seria interrompida por tempo indeterminado, e o discente ficava prejudicado no que diz respeito à passagem ascensional do ano letivo.
     As cadernetas simbolizavam a vida do estudante, tanto a pregressa quanto a progressiva, globalizando todos os seus itinerários etológicos e assimilatórios. Não era uma só caderneta; pelo contrário, tínhamos três, sendo que, cada uma delas ostentava a sua razão de ser. Uma, a mais espessa, destinava-se às anotações do comportamento do aluno, contudo todas as minudências peripeciais ocorridas, diariamente, sobretudo no período concernente ao ato de ministração das respectivas disciplinas escolares.
     Os inspetores de sala de aula auxiliavam sobremaneira a manutenção comportamental dos alunos. Ninguém, caso atrevesse a algum tipo de estropício, deixaria de ser cominado, deveras, de conformidade com os rigores regimentais da famosa escola tradicional, sobremodo quanto ao ato de transmitir conhecimentos basilares e imprescindíveis para o prosseguimento de estudos, muito necessários para o possível e probabilístico ingresso no mercado de trabalho, já bastante saturado nestes nossos dias hodiernos.
     Nessa época, de castigos e penitências, o professor entregaria o peralta do aprendiz para o inspetor; e, este sabia infligir a objurgatória necessária para cada desvairo praticado pelo aluno infrator. Realmente, os escarmentos eram de uma pungência insólita. Os alunos daquele vetusto tempo da férula, tremiam na base, pois a velha cafua lhes esperava repleta de várias modalidades ciliciais, ostentando em todos os sentidos e direções os seus esdrúxulos objetos de tortura.
     Nesse interregno, a turma, no intuito de eximir-se do cautério, ficava à cata de recursos para a assimilação de uma inusitada aprendizagem muito necessária ao refocilamento das matérias do currículo colegial.

     De fato, nesse tempo do ensino austero, aprendia-se muito mais, sobretudo o que era de mais salutar para a vida do educando, no preciso átimo em que se tornava egresso com relação às lides estudantis. De quaisquer modos, formava-se uma base sólida, de modo geral, abrangendo todas as disciplinas, para que os neófitos adquirissem novas erudições, sobremaneira, sem quaisquer perplexidades, com o intuito de vencer a descomunal concorrência, totalmente desleal quanto à disputa de uma vaga em concurso público. Nestes dias de acrimônia expurgatória, as provas são elaboradas com o propósito de eliminar as pretensões dos candidatos. Se houver, por acaso, erro no primeiro quesito, as questões subsequentes vão sendo revogadas. O objetivo maior é o de refutar, na peroração, o que fora dito no pródromos; para tanto, com muita magia, vislumbra-se a ensancha de assimilação, que é a mais inexpugnável, para, em seguida, ir extirpando do texto as ideias perfunctoriais, não remanescendo sequer os labirintos das ideologias mais percucientes! ... 

                                           Wilson Cerveira

Um comentário:

  1. boa noite
    meu irmão Wilson
    excelente artigo permita-me repassar aos amigos.
    abraço fraternal
    azoubel filho

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