sexta-feira, 28 de setembro de 2012

A SÍNDROME DA SUPEROCUPAÇÃO


    A percuciência patológica recrudesce, paulatinamente, os rigorosos estigmas proporcionados pela hiperocupação. Adiante, sem explicações plausíveis, eclodem outras marcas a partir dos diversos pontos nevrálgicos atinentes ao adimensional fastígio vicioso. E, quando se aborda sobre as consequências deletérias contidas nas cicatrizes da superocupação, os indivíduos ainda ostentam alguma aparência dissimulada de uma possível normoanormalidade.
    Na síndrome horripilante da superocupação, os sintomas, de modo comprobatório e irrefutável, exacerbam-se, sutilmente, e podemos detectar os seguintes transtornos comportamentais: em princípio, o individuo elucubra encontrar-se sempre ocupado, embora esteja sem realizar patavina; e o nada, mesmo na vacuidade, passa a ter alguma acepção, causando certa preocupação gramatical. E, a partir daí, teremos um pronome indefinido, dissílabo, paroxítona, tendo a sua semântica atrelada a “coisa alguma”. Na inversão barbarizante, terá alguma coisa a fazer, se bem que não realize nenhuma atividade vultosa.
    Malgrado aos afazeres, Leonora sente-se sempre muito ocupada, notadamente quando se acha trancafiada em seu quarto, diante de um baita espelho de seis faces projetivas. E, destarte, espera por vários momentos sequenciais: desde o realinhamento dos cabelos, passando pelos sobrolhos espessos, indo direção aos cílios dos olhos. Todo este aparato citado, sem tartamudeios, fica a depender de toda uma maquiagem nova, com a presença de outras mixagens mirabolantes a serem posteriormente adicionadas. Tudo isto seria feito com o auxílio de outras mãos; entretanto, a coquete prosseguia acossada perante a obsessão concernente ao estado mórbido de super-atarefamento, que era o simbolismo deflagratório e incontestável do próprio distúrbio!...
    O sindrômico da superocupação pode transpor as estremaduras da própria anormalidade, quando vivida sob as injunções intervenientes e ligadas por intermédio de fatores anormalíssimos. A pessoa em total descompensação psíquica, pode incluir as necessidades fisiológicas – basilares e imprescindíveis – como sendo uma ocupação extra, distanciada do âmago relacionado ao cabal domínio; e que as substâncias, na condição de substitutas, deveriam ser vocacionadas para interagir com o visceral, em se tratando do mecanismo orgânico metabólico, envolvendo, respectivamente, o anabolismo e o catabolismo.
    Os micrômegas, que se imaginam delusoriamente tão ocupados, sendo vítimas de pesadelos, não conseguem sair de um pequeno espaço de inserção pertencente ao eixo gravitacional, onde estão há muito situados, impossibilitando com isso o contato com os aparelhos eletrônicos. Nesse espaço adstrito, eles tangenciam verticalmente – através da ordenada – o plano horizontal do substrato, que é representado pela abscissa. 
    Assim sendo, as criaturas demonstram, por meio de meneios mistilínicos, que estão exercendo, com proficiência, a hiperfunção ergométrica em seus próprios corpos, encerrados hermeticamente no gráfico linear da lídima representatividade. Nesse caso, esses corpos que se acham sempre atarefados, costumam oscilar de baixo para cima e vice-versa, – ostentando os braços suspensos – como se pretendessem desairragamento com relação ao eixo gravitacional, partindo em seguida para o espaço levitacional.
     As laterais dos corpos não perderiam os movimentos pendulares dos próprios eixos, se bem que permanecessem no deslocamento balanceado – da esquerda para a direita, e vice-versa.
    Doravante, nesta progressividade das azáfamas consecutivas, a hiper-síndrome da superocupação chegará aos limites máximos demonstrados por derivadas que tendam aos mesmos pontos de congruência. E, quando isso ocorrer, voltar-se-á ao quadro do cataclismo impenitente, no qual a adustão do desvairo não exime os imane denodo perpetrado pelo ocupante, no que concerne ao átimo de uma ressumbradora palindromia.
    A insânia determinará o grau de paroxismo do sonambulismo, sobremaneira aquele em que a pessoa se levanta, se veste, e, lentamente, procura ocupar as dimensões atinentes aos membros superiores: mãos, antebraços, braços etc.
    De repente, sob a orquestração de um brado desvairante, teremos que assistir estarrecidos aos sinais e sintomas de uma estúrdia iminente, em que os pontos nevrálgicos e suscetíveis, ainda não plenamente comprometidos, vociferarão: “Estamos no zênite da especiosa ocupação, mesmo expiando a ausência total de quaisquer manifestações reinantes quanto ao ascensional do psicossomatismo, mormente o que está localizado no cerne do âmbito da vitalidade orgânica”.
    Neste comenos, Petrusco demanda os préstimos da sua mulher – Lierda. “Apesar do meu aniversário” – dizia ele – ser no “Dia das Comunicações”, prefiro não atender as inúmeras ligações telefônicas. Deixei-as, segundo Petrusco, ao encargo da minha companheira, mesmo dando a entender que foram, deveras, ultrapassadas todas as transigências plausíveis e não plausíveis da normoanormalidade – de caráter anormalíssimo – onde a ocupação passou a ser um lídimo desvario!...
    Porventura, exista alguém que saiba corroborar o tipo de moda, ou mania, que tem por hábito perambular, aleatoriamente, nos acrimoniosos dias hodiernos?!... Sendo, então, de complexa justificativa a ideia de estar sempre ocupado --- como  se fosse a efígie estropiada do factótum; e, pelo contrário, sem nada praticar de relevância, o sujeito vai adquirindo, de modo gradativo, uma heteróclita forma espectral que, sem testemunhas e testemunhos, embuçala o cotejamento aparatado pelas mais esdrúxulas circunstâncias infensas!...                 

                                  Wilson Cerveira

Um comentário:

  1. Anônimo8/10/12

    Amigo Wilson, o título do teu texto é muito atual: "A síndrome da superocupação". Mas ao contrário do que descreves, como uma ocupação ilusória, onde o indivíduo nada faz e se sente muito ocupado. Creio que a superocupação realmente exista, a faça muitas vítimas na sociedade moderna, pois nos cercamos de tantos afazeres, que nos tornamos escravos de nós mesmos e de compromisso que nos alienam retirando nossa humanidade e muitas vezes o prazer de viver.
    Um abraço do amigo, Carlos Henriques Guimarães Medeiros

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