A percuciência patológica recrudesce,
paulatinamente, os rigorosos estigmas proporcionados pela hiperocupação. Adiante, sem explicações plausíveis, eclodem outras marcas a partir dos diversos
pontos nevrálgicos atinentes ao adimensional fastígio vicioso. E, quando se
aborda sobre as consequências deletérias contidas nas cicatrizes da
superocupação, os indivíduos ainda ostentam alguma aparência dissimulada de uma
possível normoanormalidade.
Na síndrome horripilante da superocupação,
os sintomas, de modo comprobatório e irrefutável, exacerbam-se, sutilmente, e
podemos detectar os seguintes transtornos comportamentais: em princípio, o
individuo elucubra encontrar-se sempre ocupado, embora esteja sem realizar
patavina; e o nada, mesmo na vacuidade, passa a ter alguma acepção, causando
certa preocupação gramatical. E, a partir daí, teremos um pronome indefinido,
dissílabo, paroxítona, tendo a sua semântica atrelada a “coisa alguma”. Na
inversão barbarizante, terá alguma coisa a fazer, se bem que não realize
nenhuma atividade vultosa.
Malgrado aos afazeres, Leonora sente-se
sempre muito ocupada, notadamente quando se acha trancafiada em seu quarto,
diante de um baita espelho de seis faces projetivas. E, destarte, espera por
vários momentos sequenciais: desde o realinhamento dos cabelos, passando pelos
sobrolhos espessos, indo direção aos cílios dos olhos. Todo este aparato
citado, sem tartamudeios, fica a depender de toda uma maquiagem nova, com a
presença de outras mixagens mirabolantes a serem posteriormente adicionadas.
Tudo isto seria feito com o auxílio de outras mãos; entretanto, a coquete
prosseguia acossada perante a obsessão concernente ao estado mórbido de
super-atarefamento, que era o simbolismo deflagratório e incontestável do
próprio distúrbio!...
O sindrômico da superocupação pode transpor
as estremaduras da própria anormalidade, quando vivida sob as injunções
intervenientes e ligadas por intermédio de fatores anormalíssimos. A pessoa em
total descompensação psíquica, pode incluir as necessidades fisiológicas –
basilares e imprescindíveis – como sendo uma ocupação extra, distanciada do
âmago relacionado ao cabal domínio; e que as substâncias, na condição de
substitutas, deveriam ser vocacionadas para interagir com o visceral, em se
tratando do mecanismo orgânico metabólico, envolvendo, respectivamente, o
anabolismo e o catabolismo.
Os micrômegas, que se imaginam
delusoriamente tão ocupados, sendo vítimas de pesadelos, não conseguem sair de
um pequeno espaço de inserção pertencente ao eixo gravitacional, onde estão há
muito situados, impossibilitando com isso o contato com os aparelhos
eletrônicos. Nesse espaço adstrito, eles tangenciam verticalmente – através da
ordenada – o plano horizontal do substrato, que é representado pela
abscissa.
Assim sendo, as criaturas demonstram, por
meio de meneios mistilínicos, que estão exercendo, com proficiência, a
hiperfunção ergométrica em seus próprios corpos, encerrados hermeticamente no
gráfico linear da lídima representatividade. Nesse caso, esses corpos que se
acham sempre atarefados, costumam oscilar de baixo para cima e vice-versa, –
ostentando os braços suspensos – como se pretendessem desairragamento com
relação ao eixo gravitacional, partindo em seguida para o espaço levitacional.
As laterais dos corpos não perderiam os
movimentos pendulares dos próprios eixos, se bem que permanecessem no
deslocamento balanceado – da esquerda para a direita, e vice-versa.
Doravante, nesta progressividade das
azáfamas consecutivas, a hiper-síndrome da superocupação chegará aos limites
máximos demonstrados por derivadas que tendam aos mesmos pontos de congruência.
E, quando isso ocorrer, voltar-se-á ao quadro do cataclismo impenitente, no
qual a adustão do desvairo não exime os imane denodo perpetrado pelo ocupante,
no que concerne ao átimo de uma ressumbradora palindromia.
A insânia determinará o grau de paroxismo
do sonambulismo, sobremaneira aquele em que a pessoa se levanta, se veste, e,
lentamente, procura ocupar as dimensões atinentes aos membros superiores: mãos,
antebraços, braços etc.
De repente, sob a orquestração de um brado
desvairante, teremos que assistir estarrecidos aos sinais e sintomas de uma
estúrdia iminente, em que os pontos nevrálgicos e suscetíveis, ainda não
plenamente comprometidos, vociferarão: “Estamos no zênite da especiosa
ocupação, mesmo expiando a ausência total de quaisquer manifestações reinantes
quanto ao ascensional do psicossomatismo, mormente o que está localizado no
cerne do âmbito da vitalidade orgânica”.
Neste comenos, Petrusco demanda os
préstimos da sua mulher – Lierda. “Apesar do meu aniversário” – dizia ele – ser
no “Dia das Comunicações”, prefiro não atender as inúmeras ligações telefônicas.
Deixei-as, segundo Petrusco, ao encargo da minha companheira, mesmo dando a
entender que foram, deveras, ultrapassadas todas as transigências plausíveis e
não plausíveis da normoanormalidade – de caráter anormalíssimo – onde a
ocupação passou a ser um lídimo desvario!...
Porventura, exista alguém que saiba
corroborar o tipo de moda, ou mania, que tem por hábito perambular,
aleatoriamente, nos acrimoniosos dias hodiernos?!... Sendo, então, de complexa
justificativa a ideia de estar sempre ocupado --- como se fosse a efígie estropiada do factótum; e,
pelo contrário, sem nada praticar de relevância, o sujeito vai adquirindo, de
modo gradativo, uma heteróclita forma espectral que, sem testemunhas e
testemunhos, embuçala o cotejamento aparatado pelas mais esdrúxulas
circunstâncias infensas!...
Wilson Cerveira
Amigo Wilson, o título do teu texto é muito atual: "A síndrome da superocupação". Mas ao contrário do que descreves, como uma ocupação ilusória, onde o indivíduo nada faz e se sente muito ocupado. Creio que a superocupação realmente exista, a faça muitas vítimas na sociedade moderna, pois nos cercamos de tantos afazeres, que nos tornamos escravos de nós mesmos e de compromisso que nos alienam retirando nossa humanidade e muitas vezes o prazer de viver.
ResponderExcluirUm abraço do amigo, Carlos Henriques Guimarães Medeiros